Acidente na rodovia BR-222 tira a vida de Aru, atacante de primeiro time indígena do futebol brasileiro

Publicado em 30 de março de 2018

Numa curva da BR-222, próximo ao Residencial Tiradentes, a 8 km de Marabá, um acidente automobilístico tirou a vida do ex-jogador Aru, guerreiro indígena da etnia Gavião Kyikatejê.

O veículo dirigido pelo atleta, um Celta,  se chocou com um caminhão, ficando praticamente todo danificado.

Aru não resistiu aos ferimentos e morreu preso às ferragens.

Paulo Aritana Sompre, conhecido como Aru, tinha 31 anos.

Ele era um dos líderes do Gavião Kyikatejê – nome do clube e da tribo que fica no município de Bom Jesus do Tocantins, distante cerca de 30 quilômetros.

O Kyikatejê foi o primeiro time indígena a disputar a elite de um estadual no futebol brasileiro, estreando no Campeonato Paraense no dia 12 de janeiro de 2014.

Aru e o irmão Ubirajara Sompré, ex-vereador de Marabá.

Naquela tarde de domingo, a equipe perdeu por 2 a 1 para o Paysandu, na Curuzu, mas Aru, com o corpo pintado – o preto de guerra e o vermelho de força e vontade, como ele mesmo explicou -, seguindo as tradições do seu povo, marcou o gol histórico para o Gavião, fundado em 2009 (foto ao alto da matéria).

Naquele Parazão, Aru marcou 10 gols e foi o artilheiro do Gavião Kyikatejê.

Em seguida, se transferiu para o Tanabi-SP, e ainda passou por Palmas-TO, Imperatriz, Águia e Parauapebas, antes de retornar ao time indígena em 2016, sem repetir o sucesso de antes, porém, manteve a admiração por parte da sua tribo.

Hoje o Kyikatejê disputa a Segunda Divisão estadual.

O corpo do atacante, que estava sozinho no carro no momento do acidente, já foi liberado do Instituto Médico Legal (IML).

De acordo com familiares de Aru, ele retornava de Marabá para a aldeia em Bom Jesus do Tocantins, onde acontecem jogos indígenas.

O motorista do caminhão fugiu após o acidente e ainda não foi identificado.

Aru participando dos Jogos Indígenas, no torneio da Tora
Após manifestações contra Totô, rurais e Prefeitura de Parauapebas tentam retomar o diálogo

Publicado em 29 de março de 2018

Eurival Martins, o Totô – O ex-líder dos Sem-Terra que o MST quer ver fora do governo de Darci

Tudo indica que a tensão entre os movimentos dos trabalhadores rurais e o governo de Darci Lermen em Parauapebas passará para outro estágio na próxima semana. Uma reunião marcada para terça-feira (3), no Palácio do Morro dos Ventos, sede do governo municipal, poderá por fim à crise ou azedar de vez a relação entre Darci e os rurais.

No centro da crise está a permanência de Eurival Martins, o Totô, à frente da Secretaria de Produção Rural (Sempror). Amigo de Darci, Totô tem uma trajetória controversa. Foi um dos líderes mais aguerridos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e inúmeras vezes esteve à frente de invasões de propriedades na região, além de confrontar a Vale e incentivar até mesmo a interdição da Estrada de Ferro Carajás (EFC).

Em janeiro de 2017, a efetivação de Totô à frente da Sempror foi vista como um fato capaz de acirrar conflitos entre trabalhadores rurais e fazendeiros. Contudo, quinze meses depois, isso não aconteceu. Agora, se Totô deixar o governo de Darci, não será por pressão dos fazendeiros ou imposição da Vale. Por estranho que pareça, Totô encontra-se, hoje, sob fogo amigo e, caso seja afastado do cargo, deve colocar o fato na conta dos movimentos de trabalhadores rurais que ele mesmo ajudou a organizar.

O conflito entre Totô e os movimentos que querem tirá-lo da Sempror começou ainda em meados do ano passado e foi acirrado nos últimos dias. Na quinta-feira (22), uma manifestação coordenada pelo MST, contando com o apoio da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), do MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração) e de diversas associações de rurais, ocupou a sede da Prefeitura de Parauapebas e interditou a estrada que liga o centro do município à Vila Palmares e à colônia Paulo Fontelles.

Apesar de apresentarem uma pauta diversificada de reivindicações, na qual exigem a rediscussão sobre a aplicação dos recursos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) e acesso a crédito e assistência técnica, os rurais querem mesmo é a saída de Totô, acusado de “falta de diálogo com os movimentos”, segundo disse ao blog uma das lideranças das manifestações.

Na sexta-feira (23), a Prefeitura movimentou-se em defesa de Totô. Darci mandou divulgar nota à imprensa na qual afirma que, apesar das críticas e manifestações, Totô será mantido no cargo “para dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado”. A nota faz um balanço da gestão de Totô, com números que comprovariam o bom desempenho do secretário e, para contestar a acusação de falta de diálogo com as comunidades, afirma que mais de 100 reuniões foram realizadas nos últimos 14 meses da atual gestão.

A nota, contudo, deixa entreaberta a porta das negociações quando afirma que “a gestão entende que as críticas são construtivas e enfatiza que a decisão de manter o secretário não muda a abertura do diálogo com os produtores.” Por outro lado, os rurais prometem apresentar, antes da reunião, um detalhamento da pauta de reivindicações do movimento. A conversa está prevista para acontecer a partir das 17 horas de terça-feira (3), no Palácio do Morro dos Ventos, em Parauapebas.

Proposta de estadualização do HMI será levada a debates

Publicado em 29 de março de 2018

A proposta de estadualização do Hospital Materno Infantil de Marabá, apresentada na Assembleia Legislativa pelo deputado João Chamon já está sobrestada.

“Eu decidi colocar a matéria em stand-by (regime de espera), depois de conversar com o vereador Pedro Correa, presidente da Câmara de Marabá, e com o médico Manoel Veloso. Vamos envolver a comunidade nesse processo, ouvindo o Conselho Municipal de Saúde, servidores públicos e até usuários. Nossa intenção é apresentar soluções para a melhoria do atendimento naquela unidade hospitalar, jamais criar polêmica”, informa o deputado João Chamon.

Como divulgado no blog, a proposta de estadualização do HMI foi criticada pelo médico Manoel Veloso.

Chamon explicou ainda que levou a matéria à plenário da AL depois de receber sugestão do presidente da Câmara de Marabá,Pedro Correa.

“O Pedrinho, meu amigo de longas datas, conversou comigo sobre  a ideia de estadualizar o HMI, narrando a respeito do funcionamento do Materno. Como ex-secretário de Saúde de Marabá, Pedrinho entende que a participação do governo do Estado na gestão do hospital trará ganhos substanciais ao atendimento da população, já que disponibiliza de mais recursos para encarar as demandas, que são várias”.

Chamon revela ainda que não houve nenhum pedido de alguém da prefeitura de Marabá no sentido de levar a proposta de estadualização à tramitação na AL.

“A ideia é do vereador Pedro Correa, com quem conversei de novo, e chegamos à conclusão de que o melhor é levar a proposta à discussão ampla, com realização até mesmo de audiências públicas, caso necessário”, disse.

Na secretaria de Saúde do município informação é de que ninguém sabia da movimentação do deputado Chamon  no sentido de legislar a gestão da HMI sob a responsabilidade do Estado.

“Nos causou surpresa a notícia de estadualização, até porque aqui na secretaria não se discutiu esse assunto”, revela pessoa próxima ao secretário Marcones José Santos da Silva.

Pedofilia: STJ restaura condenação de 21 anos do deputado Luiz Sefer

Publicado em 29 de março de 2018

O jornalista Carlos Mendes informa que “o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Joel Ilan Parcionik, da Quinta Turma, manteve a condenação do deputado estadual paraense Luiz Sefer (foto) a 21 anos de prisão, por crime de estupro contra uma menina de 9 anos. Sefer  havia sido absolvido em 2011 por 2 votos a 1, numa polêmica decisão que teve como relator o então desembargador João Maroja, hoje aposentado.”

Em seu texto, o jornalista acrescenta:
“Parcionik acolheu a tese de valorização da palavra da vítima que denunciou o estupro, desfez a decisão do Tribunal do Pará e restaurou a condenação imposta pela juíza Maria das Graças Alfaia. Nesse tipo de crime, feito às escondidas, é relevante o depoimento de quem sofreu o abuso sexual. Isso, no julgamento, tem peso significativo. O recurso contra a absolvição de Sefer foi impetrado pelo Ministério Público do Pará, por meio do procurador de Justiça Marcos Antonio das Neves.”

Em 6 de junho de 2010, deputado Luiz Sefer (PP) havia sido condenado a 21 anos de prisão pela juíza Maria das Graças Alfaia Fonseca, titular da Vara Penal de Crimes Contra Crianças e Adolescentes de Belém,  sob a acusação de ter abusado sexualmente de uma menor por quatro anos.

A defesa recorreu da sentença para o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), sendo concedida a época liminar para que o réu aguardasse julgamento de recurso em liberdade.

Em 2011, o deputado Luiz Afonso Sefer foi absolvido, no recurso do julgamento em que foi condenado a 21 anos de prisão acusado de estupro e atentado violento ao pudor.

O relator da ação, desembargador João Maroja acolheu o argumento da defesa e inocentou o réu por insuficiência de provas. O desembargador Raimundo Holanda, acompanhou o relator. O juiz Altemar da Silva Paes votou pela manutenção da condenação.

Segundo denúncia do Ministério Público, em meados de 2005, o réu teria trazido a menor do município de Mocajuba para ser companhia de uma criança em sua casa. Ainda conforme o MP, o réu teria abusado sexualmente da menina já nos primeiros dias estadia, além de também agredi-la fisicamente. A prática criminosa teria começado quando a menina tinha 9 anos de idade.

Em julgamento de recurso realizado hoje, a defesa do acusado, representado pelos advogados Márcio Tomas Bastos e Oswaldo Serrão, sustentou que não havia provas suficientes para atribuir a autoria do crime ao réu. Além disso, alegou que a palavra da ofendida seria prova insuficiente para a condenação, que o acusado não tinha perfil psicológico de abusador e que não havia precisão nem sobre o período e nem sobre a quantidade de vezes em que o abuso teria sido praticado.

O relator do recurso acolheu os argumentos da defesa, destacando que o núcleo das acusações residia apenas no depoimento da vítima e que havia dúvidas sobre a autoria do crime. Desta forma, invocando o princípio do “in dúbio pro reo”, a qual afirma que em caso de dúvida, o réu deverá ser o favorecido, o relator votou pela absolvição do acusado, sendo acompanhado pela maioria dos integrantes da Câmara.

MP exige que empresa garanta acessibilidade nos ônibus em Marabá

Publicado em 28 de março de 2018

A 13ª Promotora de Justiça Titular da Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Lílian Viana Freire, expediu recomendação à empresa de transporte coletivo TCA, determinado que sejam feitas adequações visando a garantia de acessibilidade aos portadores de necessidades especiais que utilizam os ônibus, no município de Marabá.

A recomendação foi expedida nos autos de um Inquérito Civil instaurado em 2015 e tem como base laudo confeccionado por peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, que constatou diversas irregularidades em relação a acessibilidade nos ônibus em Marabá.

No documento, a promotora Lílian Freire determina que a empresa garanta a acessibilidade às pessoas com deficiência, conforme prevê a ABNT-NBR 14.022/2011.

A promotora fixou  em 60 dias o prazo para a tomada de providências por parte da empresa.

Segundo nota à imprensa, a promotora Lílian Freire considera necessária a “eliminação de todas as barreiras que dificultem ou impeçam essas pessoas de participarem da sociedade, efetiva e plenamente, em igualdade de oportunidades com as demais, assumindo a sua condição de cidadãos brasileiros”.