Hiroshi Bogéa On line

Após manifestações contra Totô, rurais e Prefeitura de Parauapebas tentam retomar o diálogo

Eurival Martins, o Totô – O ex-líder dos Sem-Terra que o MST quer ver fora do governo de Darci

Tudo indica que a tensão entre os movimentos dos trabalhadores rurais e o governo de Darci Lermen em Parauapebas passará para outro estágio na próxima semana. Uma reunião marcada para terça-feira (3), no Palácio do Morro dos Ventos, sede do governo municipal, poderá por fim à crise ou azedar de vez a relação entre Darci e os rurais.

No centro da crise está a permanência de Eurival Martins, o Totô, à frente da Secretaria de Produção Rural (Sempror). Amigo de Darci, Totô tem uma trajetória controversa. Foi um dos líderes mais aguerridos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e inúmeras vezes esteve à frente de invasões de propriedades na região, além de confrontar a Vale e incentivar até mesmo a interdição da Estrada de Ferro Carajás (EFC).

Em janeiro de 2017, a efetivação de Totô à frente da Sempror foi vista como um fato capaz de acirrar conflitos entre trabalhadores rurais e fazendeiros. Contudo, quinze meses depois, isso não aconteceu. Agora, se Totô deixar o governo de Darci, não será por pressão dos fazendeiros ou imposição da Vale. Por estranho que pareça, Totô encontra-se, hoje, sob fogo amigo e, caso seja afastado do cargo, deve colocar o fato na conta dos movimentos de trabalhadores rurais que ele mesmo ajudou a organizar.

O conflito entre Totô e os movimentos que querem tirá-lo da Sempror começou ainda em meados do ano passado e foi acirrado nos últimos dias. Na quinta-feira (22), uma manifestação coordenada pelo MST, contando com o apoio da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), do MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração) e de diversas associações de rurais, ocupou a sede da Prefeitura de Parauapebas e interditou a estrada que liga o centro do município à Vila Palmares e à colônia Paulo Fontelles.

Apesar de apresentarem uma pauta diversificada de reivindicações, na qual exigem a rediscussão sobre a aplicação dos recursos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) e acesso a crédito e assistência técnica, os rurais querem mesmo é a saída de Totô, acusado de “falta de diálogo com os movimentos”, segundo disse ao blog uma das lideranças das manifestações.

Na sexta-feira (23), a Prefeitura movimentou-se em defesa de Totô. Darci mandou divulgar nota à imprensa na qual afirma que, apesar das críticas e manifestações, Totô será mantido no cargo “para dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado”. A nota faz um balanço da gestão de Totô, com números que comprovariam o bom desempenho do secretário e, para contestar a acusação de falta de diálogo com as comunidades, afirma que mais de 100 reuniões foram realizadas nos últimos 14 meses da atual gestão.

A nota, contudo, deixa entreaberta a porta das negociações quando afirma que “a gestão entende que as críticas são construtivas e enfatiza que a decisão de manter o secretário não muda a abertura do diálogo com os produtores.” Por outro lado, os rurais prometem apresentar, antes da reunião, um detalhamento da pauta de reivindicações do movimento. A conversa está prevista para acontecer a partir das 17 horas de terça-feira (3), no Palácio do Morro dos Ventos, em Parauapebas.

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