“Enquanto não houver leitos de retaguarda no Hospital Regional, mortes ocorrerão no Hospital Materno Infantil”

 

Título do post é afirmação do secretário de Saúde de Marabá, Nagib Mutran, ao fornecer informações  a respeito da morte de Raiane Pereira da Silva, em leito do Hospital Materno Infantil.

Esclarece Nagib:

“A jovem Raiane , logo após o parto, teve uma hemorragia uterina, e isso obrigou a equipe médica a proceder a retirada urgente de seu útero. Como o Hospital Materno Infantil é classificado  a nível de Média Complexidade, o procedimento necessitava de recursos que somente o Hospital Regional possui, em Marabá, por ser de Alta Complexidade. Se aquele hospital do Estado  disponibilizasse  ao HMI leitos de retaguarda para gestação de alto risco,  a vida da jovem  teria sido preservada, com toda certeza.  Desde o ano passado, ainda no primeiro semestre de 2013, estamos lutando junto ao Estado para que disponibilize os chamados leitos de retaguarda, sem sucesso. Já levei esse problema diretamente ao secretário de Saúde do Pará, doutor  Hélio Franco, mas até agora, nada. Solicitamos interferência do Ministério Público, junto ao próprio governo, no sentido de atender a essa necessidade premente da saúde pública do município”.

Nagib prossegue:

 

- “Promover a maternidade segura deveria ser  um compromisso de todos os entes públicos, envolvendo  Ministério da Saúde, Governo do Estado e Prefeitura. Aqui em Marabá, isto não está ocorrendo, pelo menos a nível de parceria. O governo estadual já deveria ter adicionado os leitos de retaguarda para gestação de alto risco, não o fez, até agora. Do mesmo jeito no que concerne a engrossar parcerias nas campanhas  de imunização. Temos passado por dificuldades para universalizar vacinações  no município, porque o Estado, por picuinhas políticas, não distribui ao nosso município quantidade suficiente das vacinas que recebe do Ministério da Saúde para cobrir o Estado”.

Nagib informa que abriu sindicância para apurar todos os procedimentos  verificados durante o parto da jovem.

“Somente depois da concluída investigação,  iremos oficializar o que realmente ocorreu no HMI”, finaliza.

Procedente do município de Palestina, Raiane Pereira da Silva deu entrada no HMI para passar pela  sua primeira  gestação, vindo a falecer durante procedimento cirúrgico.

DJ morto em Marabá recebia ameaças

 

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Post acima está sendo analisado pela polícia como  ameaça do suposto assassino do  DJ “Júnior Extreme” (Sebastião Ferreira Matos),  morto em Marabá na madrugada do último domingo, 20.

Ele é assinado, na rede social, por  Igor César, 23 anos, acusado de ser um dos fundadores do Primeiro Comando de Marabá, facção criminosa da região.

Bimotor encontrado sem sobreviventes

 

A FAB ainda não confirmou oficialmente, mas familiares do piloto  Luiz Feltrin receberam informação de pessoas que participam das buscas do bimotor que caiu nas matas de Jacareacanga que não há sobeviventes.

A aeronave foi localizada no final da tarde de terça-feira, 22, por garimpeiros numa área de difícil acesso,  próximo a cidade de Jacareacanga.

O avião estava desaparecido havia 35 dias.

Além do piloto, outras quatro pessoas estavam a bordo da aeronave: as técnicas de enfermagem Rayline Sabrina Brito Campos, Luciney Aguiar de Sousa e Raimunda Lúcia da Silva Costa e o motorista Ari Lima, que atuavam no atendimento à saúde de pvos indígena localizados na  região.

Na manhã desta quarta-feira, 23, a FAB reiniciou trabalhos de resgate nas matas do município.

 

ACIM e Sindicato Rural debatem hidrovia em Palmas

 

Convidados pela senadora Kátia Abreu (TO), diretores da Associação Comercial e Industrial de Marabá e do Sindicato Rural de Marabá, participam, nesta quinta-feira, 24, de audiência pública promovida pelo setor produtivo do Estado do Tocantins, para debaterem derrocamento do pedral do Lourenção e a hidrovia Araguaia-Tocantins.

Encontro contará com a presença do ministro dos Transportes, César Borges.

Gilberto Leite, presidente da ACIM, destaca a importância do seminário, marcado para as 9 horas, em Palmas, como “uma a união de forças das representações políticas com a classe produtiva, visando um bem comum: tornar realidade a hidrovia”.

Começa nesta quarta-fera Saúde na Escola

A “Semana Saúde na Escola”, uma ação do Ministério da Saúde em conjunto com a prefeitura de Marabá, inicia nesta quarta-fera, 23, na escola Rufina do Nascimento Silva, no bairro Santa Rosa, a partir das 8 horas. 

O programa será realizado através de parceria entre as secretarias de Educação (Semed) e Saúde (SMS).
Serão ofertados os serviços de saúde bucal, palestras educativas e práticas, além de educação física.

PSDB lançará candidatura de Aécio dia 14 de junho

 

PSDB escolheu da data de 14 de junho para lançar, em convenção, a candidatura a presidente da República do senador Aécio Neves.

O palco será a cidade de São Paulo.

A decisão foi anunciada nesta terça-feira, ee,  em Brasília, durante encontro de representantes dos 27 diretórios regionais do partido.

Duas mortes de trânsito na Semana Santa

 

Durante período de 17 a 21 de abril,  foram registrados 54 acidentes de trânsito, em que 26 pessoas ficaram feridas e duas morreram.

Do total de acidentes, 36 ocorreram na rodovia BR-316, sendo 18 nos primeiros 20 quilômetros, no trecho entre o Entroncamento e Benevides.

28 acidentes foram causados pelo mau comportamento de motoristas, a maioria deles pela falta de atenção por não manter a distância de segurança e dirigir sob efeito do álcool.

Foram emitidos 1.403 autos de infração de trânsito, sendo que 81 veículos foram retidos por apresentarem irregularidades na documentação e nos equipamentos obrigatórios, 31 Carteiras Nacionais de Habilitação foram recolhidas por estarem vencidas há mais de 30 dias ou por apresentarem suspeitas de falsificação.

Informação é da Polícia Rodoviária Federal.

Projeto pode acabar com Reserva Biológica da Serra do Cachimbo

 

Em audiência pública na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado, autoridades locais e ambientalistas discutiram o Projeto de Lei do Senado (PLS) 258/2009 que divide e altera a categoria da Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo, localizada no sul do Pará. Pelo projeto, apresentado por um senador paraense, a reserva será dividida em duas partes, com a criação do Parque Nacional Nascentes da Serra do Cachimbo e da Área de Proteção Ambiental Vale do XV.

Diferentemente da reserva biológica, status atual da região paraense, que deve ter preservação integral, os parques nacionais podem receber visitação e ter destinação turística. No caso das áreas de proteção ambiental, é permitida a ocupação humana, com atividades econômicas ecologicamente sustentáveis e com proteção da diversidade biológica.

Segundo o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Roberto Vizentin, das 12 categorias de unidades de conservação, a reserva biológica é a mais restritiva e se justifica pela preservação da fauna e flora em ambientes frágeis, que é o caso da Serra do Cachimbo. “De 2005 para cá, revertemos aquela situação de desgovernança verificada em um período histórico em que estourou o processo de desmatamento, com violência e ocupação desordenada. Criou-se as unidades, com 8 milhões de hectares de área protegidas no oeste do Para, uma macrorregião de aproximadamente 30 milhões de hectares”.

O ICMBio se posiciona pela manutenção da reserva biológica, entretanto o presidente do instituto acha possível uma negociação. “Ao reconhecermos que houve um processo de cima pra baixo, porque a criação de reserva biológica não exige consulta, e que afetou as pessoas da região, a situação deve ser tratada com critério e base técnica, para não se perder uma das áreas mais importantes de conservação”, disse Vizentin.

A reserva foi criada em 2005, no âmbito de um plano de desenvolvimento sustentável para a área sob influência da BR-163, atualmente em implantação, mas para o presidente da Associação de Produtores do Vale do XV, Fábio Barbosa, a iniciativa serviu de moeda de troca para a regulamentação ambiental da rodovia. “Tínhamos o sonho da pavimentação mas ele virou pesadelo. O asfaltamento vai desenvolver o maior estado produtor de grãos, o Mato Grosso, e quem vai sofrer é a população do Pará”, disse o produtor.

A conclusão da BR-163 até o Porto de Miritituba, distrito de Itaituba, no Pará, vai permitir que o escoamento da produção de grãos da região norte de Mato Grosso seja feito pelas hidrovias da Bacia Amazônica, aliviando o tráfego em direção aos portos do Sul e Sudeste do Brasil.

Para o presidente da associação, a mudança de categoria na área de conservação do Pará vai permitir o trabalho dos produtores da região, que estariam limitados por unidades de conservação, reservas indígenas e uma área militar. “É um projeto de lei que viabiliza, na prática, o que todo mundo quer, que é preservar o que é floresta fechada, e nós produtores vamos produzir seguindo os critérios ambientais. Essa indefinição é que aumenta o desmatamento. É o produtor rural que está presente no dia a dia e que se dispõe a cuidar e coibir desmatamento”, garantiu Barbosa.

Presidida pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), autor do projeto, a audiência contou também com a participação do pesquisador Paulo Barreto, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), e do engenheiro florestal Ederson Zanetti. (Agência Brasil)

Madeira irregular é presa em Dom Eliseu

 

Informação vem da  Polícia Rodoviária Federal.

Na Belém-Brasília, uma equipe do órgão  apreendeu um caminhão que transportava quase 20  metros cúbicos de madeira serrada.

Partindo de  Dom Eliseu, mais precisamente no Km 20 da BR-010, o veículo foi interceptado, e o  motorista apresentou  documentação da  guia florestal irregular.

 

Mais uma morte em leito do Hospital Materno Infantil, é insuportável

 

A jovem Raiane Pereira da Silva, 22 anos de idade, sonhava em acolher seu bebê, tão logo o tivesse nos braços, após o parto que estava sendo feito no Hospital Materno Infantil.

A jovem mãe não sentiu a emoção de abraçar  seu sonho, sentir a pele do neném, respirar fundo a sensação de tornar-se mãe pela primeira vez.

Raiane morreu num leito da maternidade.

Mais um óbito recorrente nas dependências do HMM, iguais a tantos ocorridos ali nos últimos  dez anos.

Mais uma morte de mãe que choca a população, espalha indignação, mas fica por isso mesmo.

Apenas um dado a mais no cadastro de óbitos de uma unidade hospitalar.

Não basta apenas o prefeito municipal determinar abertura de investigação, só isso é pouco.

Precisa haver um freio de arrumação definitivo naquele matadouro de humanos.

As investigações processadas por corpo técnico envolvem uma série de senões, a começar pelo corporativismo.

Raramente descobre-se a real autoria de óbitos  como o que ocorreu mais uma vez nas dependências do Hospital Municipal.

O espírito de corpo  produz  ”relatórios”  recheados de explicações ininteligíveis, ou carregadas de senões quase sempre creditados a descuidos das mães durante o pré-natal.

Quando é a morte de bebês, como também já ocorreu mais de uma vez  ali naquela casa hospitalar, o problema é “amenizado”  com palavras de pouca criatividade:

“Calma, você é jovem e poderá ter outros filhos”;  ”Volte para casa e desmanche o quartinho”;  ”Foi melhor assim…”, são observações corriqueiras dirigidas às sentidas mães,  desesperadas com a perda  de seus sonhos.

Palavras ao vento, que nada traduzem de confortante diante daquelas  que não tiveram a oportunidade de vivenciar o suspiro do ente tão esperado. .

A morte de Raiane deve ser creditada a erro médico? Houve negligência do corpo técnico  que o atendia?

Respostas a essas  perguntas, depois da morte da jovem, podem ter significado moral, mas nada trará de novo ao objetivo principal da questão: acabar de vez com a sequencia de mortes no HMI.

Não basta o prefeito bater a mão à mesa, como fez hoje ao exigir profunda investigação para apurar responsabilidades.

O Hospital Materno Infantil precisa ser reinventado, rejuvenescido com pessoas realmente qualificadas.

E a decisão para que isso realmente aconteça, é  política.

Po-lí-ti-ca.

Ponte sobre o rio Igarapé-Miri já é realidade

 

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Quem passa de jetski em frente a cidade de Igarapé-Miri vê a intensa movimentação de pessoas, equipamentos e embarcações de todos os tamanhos, trabalhando em torno da construção  da  ponte de concreto armado na PA-151  sobre o rio Igarapé-Miri.

Centenas de pessoas trabalham para  a conclusão da obra de quasse 600 metros.

Pequenas embarcações portando bandeiras vermelhas se revezam na sinalização de um trecho de quase 300 metros, a montante e à jusante da obra, controlando velocidade de barcos e jets.

Uma parada à beira rio dá para perceber o quanto a obra está movimentado a cidade, dia e noite.

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Uma placa informa que o investimento do governo do Estado na ponte é da ordem de  R$ 60 milhões.

Dá para observar também a travessia de balsas em novo local, num desvio construído pela empreiteira responsável pela obra, havendo, inclusive, a edificação de novas  rampas .

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Sonho antigo dos moradores de Igarapé-Miri,  a ponte beneficiará, também, diretamente, quem mora nos municípios de Mocajuba, Cametá,  e Baião.

Previsão de entrega da ponte é para o mês de novembro.

 

De jetski, observando o Igarapé-Miri, agora com uma ponte para diminuir distâncias.

De jetski, observando o Igarapé-Miri, agora com uma ponte para diminuir distâncias….

 

.... ajudando a tirar comunidades ribeirinhas do isolamento

…. ajudando a tirar comunidades ribeirinhas do isolamento

 

Na praia do Atalaia, o terror pontifica

 

A amputação da perna de uma moça de 22 anos, vítima do choque do quadriciclo que ela dirigia com um automóvel, em plena praia do Atalaia, no feriado de Semana Santa,  em Salinópolis, revela, finalmente, uma tragédia anunciada.

Desde muitos anos, a “cultura” de trafegar motorizado pela praia do Atalaia é um hábito inaceitável.

Atalaia, talvez seja uma das raras praias onde carros e quadriciclos convivem ao meio de banhistas, sem que haja qualquer tipo de intervenção  contrária.

Carros e quadriciclos tiram a tranquilidade de banhistas, coloca em risco vida de crianças, além de agredir o meio ambiente.

Uma jovem de 22 anos perdeu uma perna, por falta de responsabilidade de governantes de uma cidade turística jogada às traças, e à sorte de seus moradores

Crescem suspeitas de que Joaquim Barbosa pretendia facilitar quebra de sigilo telefônico da Presidência da República

 

As suspeitas sobre Barbosa no episódio de espionagem

Luis Nassif

Como se sentiria um operador do direito se alguém afirmasse que há suspeitas de que a mais alta autoridade do Judiciário, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) usa mão de gato, pratica chicana, estupra os procedimentos à luz do dia e com as cortinas do palco escancaradas? E que, na condição de presidente do STF, sua imagem pessoal torna-se a imagem do Judiciário.

No episódio da tentativa de espionagem sobre o Palácio do Planalto, Barbosa agiu com mão de gato ou foi fundamentalmente displicente? O simples fato de existir essa dúvida mostra a desmoralização a que o STF está submetido com os atos de seu presidente, ao não se pronunciar sobre a tentativa do Ministério Público do Distrito Federal de espionar o Palácio do Planalto.

O assessor de Barbosa, Wellington Geraldo Silva, telefonou para Jânio para “uma exaltada cobrança telefônica”, sobre as suspeitas de que, por falta de qualquer reação, Barbosa endossara a tentativa de espionar o Planalto. Foi-lhe recomendado escrever para o Painel do Leitor.

Na carta enviada, o assessor alega que Barbosa tomou as providências regimentais quando recebeu o pedido de quebra de sigilo do seu parceiro, o juiz da Vara de Execuções Penais: sem ler, encaminhou o pedido para apreciação do Procurador Geral da República. Só depois do parecer da PGR, o presidente do STF manifestar-se-ia.

No entanto, quem analisar todos os passos da trama, terá muitos elementos para suspeitar que, ao remeter o pedido para o PGR sem nenhuma observação, ou ao não recusar o pedido liminarmente, o próprio Barbosa participou da trama  para espionar o Planalto – juntamente com a promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, o ex-juiz da Vara de Execuções de Brasília Bruno Ribeiro.

Relembrando:

  1. A promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, da Vara de Execuções de Brasilia, pede a quebra do sigilo telefônico de uma área que engloba o Palácio do Planalto.
  2. No seu último ato no cargo, o juiz Bruno Ribeiro, que assumiu a função na Vara de Execuções após a carga de Barbosa contra seu antecessor, recebe o pedido e envia para Barbosa sem nenhuma consideração a mais. É de conhecimento geral as afinidades criadas entre Barbosa e Ribeiro. Além da pressão contra seu antecessor, Barbosa acionou o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em defesa de Ribeiro.
  3. Era de conhecimento de Barbosa que, no mesmo dia em que enviou o processo, Ribeiro declarou-se impedido de continuar atuando na Vara de Execuções.
  4. O presidente do STF recebeu o pedido, não conferiu as coordenadas e enviou para a PGR. Se o PGR também não conferisse as coordenadas, Barbosa teria o álibi para quebrar o sigilo do Planalto.

As suposições acima são perfeitamente críveis, para um cargo em que não se admite sequer a dúvida sobre a conduta do titular. Ainda mais com todo o histórico de protelações de Barbosa sobre o episódio Dirceu.

É evidente que Barbosa sabia que o pedido de escuta referia-se a áreas sensíveis, ao Palácio do Planalto ou a outro poder, caso contrário o próprio juiz da Vara de Execuções poderia ter autorizado a quebra de sigilo.

Mas seguir procedimentos habituais em um caso absolutamente unusual – a quebra do sigilo da própria Presidência da República – é um contrassenso que só se explica pela vontade de postergar ao máximo a decisão sobre Dirceu, ou então, de criar um fato político mesmo.

A alegação do assessor, de que Barbosa só poderia se manifestar após parecer do PGR, em um tema que nada tem de usual, mereceu a resposta adequada de Jânio: aceitar isso seria acreditar que o presidente do STF comporta-se como um estafeta, recebendo processos e encaminhando sem ler para o PGR.

Passados vários dias, até agora a única manifestação de Barbosa foi essa nota do assessor, segundo a qual ele cumpriu o regimento, remetendo o pedido (sem ler) para o PGR.

É possível que o excesso de processos levasse Barbosa a ser descuidado com o pedido. Mas é possível – dada a visibilidade do episódio – que o descuido de Barbosa tivesse sido intencional. É possível que não atinasse para a extensão do pedido. Mas também é possível que agisse em sintonia com o juiz para criar uma crise política.

Agora, coloque-se no lugar de Joaquim Barbosa. Há uma investigação para conferir um telefonema de José Dirceu, que teria sido dada em um dia definido. Barbosa recebe um pedido de autorização de escuta por vários dias, em áreas variadas. Supondo que seja displicente nos seus pedidos, que seja burocrático no encaminhamento dos processos, alguém poderá supor que, ao receber o pedido de quebra de sigilo, não tivesse sequer a curiosidade de conferir as coordenadas definidas pela promotora?

É mais fácil um camelo passando no buraco de uma agulha.

Pergunto: é possível um presidente de STF conviver com tantas dúvidas e suspeitas acerca de sua conduta, em um episódio da mais alta gravidade?

Calixto Yaghi pode ter sido vítima de latrocínio e crime passional

 

 

10170695_10203539291874032_8560615695057204316_nA polícia já tem o nome do suspeito de ter matado o  odontólogo Calixto José Yaghi.

Ele seria um ex-namorado da vítima, que nos últimos tempos forçava uma relação com Calixto para obter vantagens financeiras.

O grau de extorsão chegou a tal ponto, segundo apontam as investigações iniciais, que o suposto criminoso teria chegado a espancar o odontólogo, além de adentrar na residência do mesmo,  pulando o muro de sua casa, na Folha 30, para forçar encontros amorosos.

O suspeito seria envolvido com drogas, e buscava a todo custo manter seu vício através de ameças e extorsão.

O corpo de Calixto Yaghi (foto)  foi encontrado no Km 35, mais precisamente na entrada da estrada que liga Vila Sororó ao PA Sapecado, numa cova rasa.

Calixto havia desaparecido desde quarta-feira, 16.

Na manhã de quinta, a família registrou ocorrência, comunicando seu desaparecimento, e a polícia abriu investigações.

Na manhã de Sexta-feira Santa, um cadáver foi encontrado no Km 35, colocado em cova rasa, com os dois pés para fora da terra.

Levado ao IML de Marabá, o corpo seria enterrado como indigente.

O arquiteto Márcio Yaghi, sobrinho de Calixto, ao saber que havia um cadáver não identificado no Instituto Médico Legal, resolveu ir ver o corpo, deparando-se com duas tatuagens que o tito cultuava havia anos.

Antes de morrer, Calixto sofreu diversas pancadas, ficando com deformações por  todo o corpo.

O carro da vítima, relógio e uma carteira, forma levados pelo assassino – ou assassinos.

O corpo está sendo velado na sede da Maçonaria da Velha Marabá, na praça Duque de Caxias.

Querido em Marabá, Calixto construiu um ciclo de amizade através de sua alegria, jeito humanitário e simplicidade.

A seguir, algumas mensagens repercutidas nas redes sociais:

 

Virginia Mattos A indignação manifestada nas mensagens acima ainda não traduzem toda a dor que sentimos ao saber de tanta selvageria de um ser “humano” contra outro. E a dor é aumentada por ser o Calixto a pessoa que todos conhecemos, bom caráter, educado, trabalhador, caridoso, amigo. Homem algum é uma ilha, por isso junta-se a tristeza imensa pela maldade ainda existir em tal grau, à dor da partida inesperada e cruel. Um abraço, Hiroshi.

Luci Kerkhoff · 32 amigos em comum

quando a morte e sentida de forma normal vc aceita entre aspas…mas dessa forma e muito cruel, uma pessoa do bem amiga …que tristeza!!!

Micheline Ferreira Que horror!!! Imagino a tristeza! Deus tenha misericórdia e acalente com muito amor a família enlutada.

Iracy Pereira Nossa que absurdo.

Tati Mendes Absurdo, muito triste.

Magda Gobira Misericórdia! Não assimilei ainda essa informação.

Wilson Mutran Soares Quanta maldade meu Deus… Um amigo da Secretaria de Saúde… Estou realmente abismado…, sem palavras e incrédulo com tanta crueldade…

Marcus Vinicius Amoury Ataide No seu texto vc traduziu o caráter do Calixto, não incomodava ninguém. Eu criança percebia esta característica nele. Que Deus o tenha.

Tonny Roma Perdemos um grande amigo

Rogeria Sabores Nao consigo acreditar! Meu Deus nao consigo acreditar! Que absurdo !

Beto Salame Meu Deus que absurdo!!

Estou chocado!!! Um fraterno abraco a tida a familia.

Vera Lopes que absurdo, não sabemos onde isso irá parar

Cileide Moussallem Rodrigues Meu Deus!

Raimunda Ribeiro Meu qurido e amado amigo sei que vc era uma pessoa adimiravel e q…tratava todos com muito respeito e tanbém agente ria muito quando nos se via conversavamos a eu godtava muit de falar com vc olha Deus é justo pra mim vc foi um otmo amigo e dentista que O pai selestial te ilumine meu amigo e de conprienção e calma para os seus que estão triste que eles possa entendê a sua partida 

Moises Herba Calixto quando o Auditorio da SMS era liberado para nossos eventos, (herbalife) ele cuidava pessoalmente e delegava a sua equipe que nos desse total apoio do inicio ao fim do evento.

Marcelo Luiz Salame Inacreditável e extremamente repugnante. Até quando hein!!!

Cicília Lôbo Mto triste!!!

Eloiza Verner mto culto e inteligente e tinha uma alegria sem igual sempre mto discreto em suas atitudes pessoais sabia entrar e sair e qqer lugar sempre cm mta classe e edcação nao fazia mal a ninguem mas infelimente isso encomodou alguem a ponto de fazer esta barbaridade mas a policia tem q apurar vamos cobrar da nossas autoridades meus sentimentos caro amiga Bogea pela perca do seu primo e extenda se a toda Familia

Izabel Cristina De Barros Rodrigues Sinto muito por essa trágica morte .Fomos trabalhadores na mesma empresa e guardo boas lembranças da nossa vivência na Escola MárioThomazelli .Momentos de muita tristeza para a família que ostenta com louvor o seu pioneirismo histórico na centenária Marabá , que transformou se num caos em violência e outros problemas sociais bem graves …

Meiry Monteiro pessoa querida , grande maldade..

Milton Nunes Nunes Quase Toda Semana Ele Vinha Aqui Na Loja!!

Keila Olegario Rattes Triste com tanta maldade.

Wilson Mutran Soares Aos familiares, meus sinceros sentimentos… e oxalá, a PM não se poupe para encontrar esses facínoras. É nessas horas que a gente sente a necessidade de mudanças urgentes no nosso já ultrapassado Código Penal Brasileiro; com penas que sejam cumpridas em toda sua extensão…. Chega….

Alcimar Maranhão Lamento muito, a família meus pêsames 

Tonny Roma Amigo Hiroche perdemos um grande Marabaense

José Soares Muito triste e preocupante.

Nilva Burjak perdemos um grande amigo,muito triste,

Alexsandra Lima Ele era uma pessoa do bem. Com suas cômicas criticas. Espero q seja feito justiça. Q Deus console sua família.

Marly Chaves Hiroshi Bogéa me lembro dele desde quando erámos crianças e éramos atendidos por ele no SESI da Praça Duque de Caxias…. sempre educado e cumprimentava à todos sem distinção. Meus pêsames à todos os familiares.

João Alves Primo Uma perda lamentável. Que DEUS conforte a família.

Hamilton Bezerra Muito triste meu amigo Hiroshi Bogéa,,, estamos realmente tristes, arrasados, inconformados com tamanha violência que ceifou prematuramente a vida de nosso amigo e seu primo Calixto. Soubemos hoje cedo através de nossa amiga Leda Bezerra Renzo, que ao telefone com Angela, nos contou os detalhes e tanto requinte de perversidade. Calixto era de dentro de nossa casa. Em minha gestão na PMM ele era Assessor da Primeira Dama que se teve sucesso, muito se deve a esse homem, humilde, competente e de uma lealdade incrível. Perdemos muito, nós um grande amigo e vc um amigo e um primo, portanto receba tbm nossas condolências. Que a Justiça dos homens seja feita meu amigo… porque a de Deus com certeza será. Ele reconhecerá o quão doce e agradável era sua alma, e seu espírito, que hoje está certamente na Casa do Senho… Super abraço.

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Atualização às 22:09

 

Prefeito João Salame acaba de emitir nota de pesar por falecimento de Calixto José Yaghi:

 

 

 

Nota Oficial de Pesar por Falecimento 

Calixto José Yaghi

O Prefeito de Marabá, João Salame Neto, manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de Calixto José Yaghi, odontólogo e servidor municipal.

Servidor exemplar e querido por seus muitos amigos, Calixto Yaghi deixa de forma brusca o convívio daqueles que o amam e que tiveram o privilégio de com ele conviver.

Para além da perda irreparável, urge acompanhar com atenção as investigações das circunstâncias que cercam sua morte e que apontam para um brutal latrocínio.

Neste momento de dor e tristeza, a par de pedir a Deus que console a família, é imperioso exigir das autoridades a apuração rigorosa dos fatos, que resulte na identificação e consequente punição dos culpados.

Marabá (Pa), 18 de abril de 2014

João Salame Neto

Prefeito de Marabá

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Atualização às 23:34
Testemunho de Ângela Bezerra, esposa do ex-prefeito de Marabá, Hamilton Bezerra, a quem  Calixto Yaghi serviu como assessor especial da ex-primeira dama:
Recebi agora com muita tristeza, a notícia do brutal assassinado de nosso amigo Calixto José Yaghi. Um de nossos mais sinceros e leais amigos de Marabá. Saiu de cena de maneira triste e melancólica e por isso estamos muito arrasados. Não tenho palavras para expressar tudo que meu coração sente, foram muitos e muitos anos de amizade sincera e verdadeira. Nos momentos tristes e alegres, ele era um dos primeiros que ao nosso lado estava. Resta-nos agora Calixto esperar, que aqui na terra a justiça seja feita. Vai em paz grande amigo e que Jesus te receba na sua glória. Essa foto foi a última que tiramos por ocasião dos meus 60 anos em Marabá. 

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Farsa: a história por trás do dinamarquês que teria desistido de cobrir a Copa no Brasil

 

É óbvio que você sabe da história do “jornalista dinamarquês” que resolveu ir embora do Brasil e deixar de cobrir a Copa do Mundo por se sentir chocado com a infinidade de problemas e injustiças sociais deste Brasil cada vez mais podre. A história deste sujeito e seu depoimento em texto foram reproduzidos por quase todos os portais de notícias e se disseminou pelas redes sociais com uma velocidade espantosa – aliás, como quase tudo que não presta nestes tempos. Sua foto rodou por todos os cantos da internet, todos os comentários foram todos solidários a ele…

Só tem  uma coisinha: esta história é um farsa!

Sim. É isto mesmo o que você leu. Uma farsa. Cascata. Mentira. Outra lorota em tempos de internet.

Como cheguei a esta conclusão? Fácil. Fiz o que todo jornalista sério deveria fazer: fui atrás da história!

Fiz isto porque, logo de cara, senti um cheiro de trapaça no ar. Não sei explicar – chame isto de “sexto sentido”, se quiser -, mas meu instinto jornalístico sempre disse que um profissional do ramo nunca “abandona” uma boa história. E foi justamente isto que este pateta fez. Deixou para trás tudo o que ele disse que presenciou em Fortaleza – a remoção de pessoas paupérrimas para ‘maquiar’ a cidade, o assassinato de crianças de rua quando flagradas dormindo em locais tradicionalmente frequentados por turistas, o encerramento de atividades de uma série de projetos sociais em favelas e muito mais – e voltou para a sua civilizada Dinamarca. E sem fazer uma única matéria a respeito disto? Sem publicar nada, sem dar qualquer satisfação para seus patrões? O cara ouve relatos de uma espécie de “limpeza social” e não vai apurar isto? Que raio de jornalista é este?

DinamarquesFoi então que descobri que não existe o “jornalista Mikkel Jensen” (foto). Basta uma simples pesquisa na internet para verificar que o único dinamarquês com este nome é um ex-jogador de futebol que jogou por um time profissional daquele país, o Brøndby IF, e que terminou a sua carreira em 2011 jogando pelo IF Brommapojkarna. Não vejo problema em um jornalista usar algum pseudônimo a não ser a covardia de não dar a cara para bater em seu trabalho, mas porque alguém usaria este tipo de artifício para… não escrever nada? Em lugar algum. Não há qualquer artigo do ‘jornalista Mikkel Jensen’ em qualquer publicação física ou digital.

Descobri então que o nome verdadeiro deste cidadão é Mikkel Keldorf. O relato de seu desencanto com o Brasil foi publicado apenas em um único local: o site do diário dinamarquês Politken (se souber ler em dinamarquês, veja aqui). Procuro outras matérias com o seu verdadeiro nome e só encontro uma outra matéria, desta vez a respeito de uma ação policial na favela da Maré, no Rio de Janeiro (tente ler aqui). Mais nada. Nem no You Tube. Tudo o que você leu a respeito deste cidadão foi retirado do próprio perfil deste sujeito – veja aqui).

Entendeu onde quero chegar?

Armou-se um estardalhaço absurdo nos meios jornalísticos digitais e nas redes sociais baseado unicamente em um troço sem qualquer tipo de comprovação! Ninguém teve sequer a decência de conversar com este sujeito antes de sair publicando por aí um monte de coisas que até acredito que sejam verdadeiras – governos de qualquer partido têm uma reputação tão manchada de lama que não duvido destas atrocidades -, mas que precisam ser provadas! E provadas por um jornalista de verdade e não por um aparente zé-mané que plantou uma história mentirosa na qual todo mundo caiu como pato otário.

O jornalismo e a capacidade de raciocínio da Humanidade já estiveram em um estágio mais elevado. Hoje, é esta desgraça que vemos a todo instante. Putz…

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Atualização às 14:02

O  jornalista Igor Natusch também investigou a origem do tal jornalista dinamarquês, chegando à seguinte conclusão, conforme conta o blog Pragmatismo Político :

 

Pragmatismo Político entrou em contato com Igor Natusch, que nos autorizou a reproduzir a íntegra de sua investigação. A pesquisa completa e reveladora você pode ler abaixo.

Por Igor Natusch | Sugerido pelo leitor Vinícius Lepore

Tanto falaram de Mikkel Jensen, o jornalista dinamarquês que desistiu de cobrir a Copa chocado com os dramas do Brasil, que resolvi pesquisar um pouco o cara. Não fui com uma tese pronta: apenas queria ver qual era. Achei infos que julgo interessantes, que postei no meu perfil do twitter e vou tentar (apesar do sono) compilar aqui. Se eu estiver errado em qualquer coisa, por favor me corrijam, já que não há nenhum AMOR PRÓPRIO meu envolvido. Nâo considero isso senão um levantamento divertido de fazer. Lá vai:

- Antes de mais nada: Mikkel Jensen não é o nome profissional dele. Será bem mais fácil achar referências sob o nome Mikkel Keldorf, que ele usa com bem mais frequência;

- Seu perfil no Facebook (https://www.facebook.com/mtkjensen) parece que não existia antes de fevereiro de 2013. Suas primeiras postagens, já críticas à Copa, são de 19 de novembro.

Antes, só likes. (que o perfil seja novo não é absurdo: muitos criam perfis em redes sociais para uso em viagens ou contato com pessoas em países distantes. Tenho amig@s nessa situação e pode perfeitamente ser o caso aqui. talvez não postasse porque não tinha o que dizer – usava apenas para falar no chat, sei lá);

 

- O curioso é que a pessoa creditada como sua namorada, Melanie Festersen Spile (https://www.facebook.com/melanie.spile), também não tinha perfil no Facebook antes de fev/2013. Ela viajou junto com ele? Criou perfil exclusivamente para conversar com o namorado que viajava? É possível;

 

- O único lugar onde é possível achar contribuições frequentes de Mikkel Keldorf é no Pladepressen (http://pladepressen.dk), que parece ser um site focado na cena musical da região. Mikkel escreveu uns artigos e tirou fotos para o veículo, que durou um ano ou um pouco mais. As últimas atualizações na página do Pladepressen no Facebook (https://www.facebook.com/Pladepressen) são de… Fevereiro de 2013. Ou seja, razoável deduzir que Mikkel Keldorf era um dos sócios do Pladepressen e desistiu da empreitada quando resolveu vir ao Brasil, no começo do ano passado (se quiserem ler uma edição do Pladepressen:http://pladepressen.dk/wp-content/uploads/2012/10/PladePressens-e-mag-oktober.pdf);

 

- Então Mikkel Keldorf – que tem material esparso publicado em alguns lugares desde 2012, incluindo viagem à China e inclusive uma reportagem sobre Ronaldinho (http://www.tipsbladet.dk/content/druk-og-damer-ronaldinhos-fede-fodboldferie), mas nada antes disso – vem ao Brasil. Edita, até onde consegui puxar, um único material jornalístico entre setembro de 2013 e abril de 2014: uma reportagem em vídeo para a TV2 dinamarquesa (http://nyhederne.tv2.dk/2014-03-31-reportage-sikkerheden-i-rio-vakler-forud-vm) sobre ações policiais na Favela da Maré, no Rio;

 

- Aí como sabemos, ele se revolta com coisas que descobre em Fortaleza e, ao invés de fazer um material jornalístico bombástico sobre o que achou, decide largar a cobertura da Copa de mão (seu sonho) e volta para casa. Sabe onde sua decisão é noticiada primeiro? Na Dinamarca, mais precisamente no dia 9 de abril: http://ekstrabladet.dk/sport/fodbold/landsholdsfodbold/vm2014/article2258090.ece

 

Até aí, ninguém noticiou nada a respeito dele no Brasil;

 

- Curiosamente, um vídeo de quase 40mins é publicado no canal de Mikkel Keldorf no Youtube no dia 12: https://www.youtube.com/watch?v=SjxWXjeOFc8 Esse vídeo é curiosíssimo e para mim, intrigante. Nele, o jornalista não faz matéria alguma: é entrevistado por figuras ocultas, que em nenhum momento se identificam – o vídeo, embora editado de forma competente, não tem créditos senão o do próprio Mikkel, aqui também Keldorf e não Jensen. Quem o entrevista? Por que esse material (uma boa história em potencial) só aparece na página do próprio Keldorf e não da(s) pessoa(s) responsável(is) pelo vídeo? Por enquanto, não se sabe;

 

- Finalmente, dois dias depois de postar o vídeo no YouTube, Mikkel faz um desabafo em sua conta no Facebook, que serviu de base para todas as matérias feitas até aqui. Ninguém parece saber que a história foi divulgada semana passada na Dinamarca, nem que um vídeo enorme foi publicado pelo próprio Mikkel no fim de semana. Ou seja, ninguém falou com Mikkel Keldorf Jansen ou foi além do post no facebook para escrever suas matérias.

 

Meu palpite (e é tudo palpite mesmo, nada além): Mikkel Keldorf é um jornalista eventual – um cara que viaja para lugares distantes como turista e oferece material a jornais dinamarqueses para ajudar a pagar as contas. Posso ter pesquisado mal, mas não achei nenhuma produção jornalística consistente de sua parte, a não ser no Pladepressen, uma pequena revista regional sobre música que parece ter sido projeto dele próprio. Ou seja, dizer que é jornalista é algo que refere-se a parte de suas atividades, talvez sua formação, mas não é exatamente a coisa que ele mais faz na vida. Confiram o perfil profissional dele:http://www.mikkelkeldorf.dk/category/resume/ Veio para o Brasil tentar cobrir a Copa e ganhar dinheiro, o que não conseguiu (vendeu uma só matéria, ao que parece). Acho razoável deduzir que volta à Dinamarca especialmente por isso, ainda que o choque com as mazelas do Brasil possa, é claro, ter influenciado sua decisão.

 

Antes de ir, alguém descobre sua história e faz o vídeo – pessoas das sombras, que não se identificaram e não fizeram menção de usar o material que fizeram ou jogá-lo na imprensa. Ninguém sabe nada dele além do Facebook – a própria versão que apresentam sobre sua carreira e sua preparação para cobrir a Copa é a que ele próprio oferece, sem nenhuma investigação por cima. E o vídeo – potencialmente bombástico, ainda que (frisemos) sem créditos – passa despercebido. Deduzo que alguém gravou o depoimento para uso futuro, mas não contava que o próprio Keldorf o publicasse – e talvez mais ainda, que os posts de Keldorf no Facebook chamassem atenção. O noticiário dinamarquês descobre o caso primeiro, de qualquer modo. Não é um cara com faro jornalístico – se fosse, tentaria vender sua história e iria atrás da pauta que descobriu, ao invés de voltar correndo para seu país natal.

 

Não: ele volta depois de vender uma só matéria televisiva, e após gravar um depoimento para pessoas misteriosas. Que acharam sua história ótima para um vídeo de 40mins, mas que perdem a exclusividade dela para um post no facebook – por acidente ou por plano, não sabemos. E que permitem (ou não impedem) que o próprio Mikkel Keldorf publique o vídeo em sua conta pessoal no YouTube.

 

Não acredito na história de Mikkel Keldorf. Para mim, ele voltou por falta de trabalho e romantizou a situação em benefício próprio, convencendo algumas pessoas no meio do caminho – que chegaram a gravar um vídeo, mas não o publicaram. Talvez por acharem que não valia a pena. Chamo a atenção para o fato de que o único trabalho que Keldorf comercializou aqui é… em vídeo. Editado por ele próprio. Talvez ele próprio tenha editado o vídeo, a partir de brutas que os autores originais não quiseram usar. Pode ser tudo um hoax razoavelmente bem elaborado, mas não creio nisso: acho que é apenas a tentativa de um jornalista meia-boca em tirar algo de bom de uma iniciativa profissional fracassada. E uma mostra de como, para ganhar cliques, nossa imprensa brasileira publica qualquer coisa. Inclusive longas matérias cuja única fonte é uma postagem de um desconhecido no Facebook.

 

É isso. Eu achei divertido. Espero que vocês também tenham achado! Para quem leu esse catatau, meu muito obrigado.