"Elefante branco" passa por cima

Publicado em 31 de maio de 2009

Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Cuiabá, Manaus, Fortaleza, Salvador, Recife e Natal. São essas as cidades sedes da Copa do Mundo de 2014, do jeitinho que o Ancelmo Góis antecipou 48 horas do anúncio oficial.

A escolha de Manaus, aliás, já é conhecido desde o mês passado, quando o jornalista Juca Kfoury deu o furo.

Os dois fatos provocaram reação irada de alguns paraenses, uns inclusive coleguinhas, desconsiderando a seriedade dos autores das noticias. Se pudessem sacrificá-los ao pé de uma fogueira, não pensariam duas vezes. Esqueceram a privilegiada posição adquirida ao longo dos anos por  gente do naipe de Juca e Ancelmo, com fontes seguras em todo canto deste país.

A escolha de Manaus, é verdade, vem a reboque daquilo que a FIFA mais respeita na hora de organizar uma Copa  do Mundo: atrair turistas endinheirados, ou não, do mundo inteiro. A marca Amazônia, uma das mais pronunciadas no Planeta, além da atração natural que suas florestas pontuam, é o que interessa aos especialistas em gerar dinheiro, dentro da Federação Internacional de Futebol.

Durante todos esses tempos em  que se debateu internamente a escolha ou não de Belém como a provável escolhida, falou-se muito na posição geográfica da nossa capital, tradição futebolística que a cidade possui graças ao amor da população por Remo e Paissandu, e na existência do estádio Mangueirão, como armas poderosas para abater as pretensões manauarenses. Esqueceram de que a FIFA busca isso, mas  preferencialmente só quer encher as sedes de turistas internacionais, aqueles que gastam mesmo numa Copa, sem dor na consciência.

No inicio deste mês terminando hoje, John Howkins,  consultor inglês de uma empresa terceirizada da  FIFA, deixou bem claro numa mesa redonda esportiva de uma TV paulista, da qual participou pelo telefone, o fascínio que o Estado do Amazonas estava contaminando os principais executivos da entidade internacional, chegando, inclusive, a considerar os jogos em Manaus tão competitivos quanto aqueles que ocorrerão na sede do Rio de Janeiro.

O consultor chegou a contestar um dos debatedores – se não me engano o ex-goleiro Raul, que jogou no Flamengo -, que citava as vantagens técnicas de Belém, falando das qualidades do Mangueirão, em contraponto a inexistência de estádio em Manaus. Ele disse que a FIFA já está acostumada a exigir construção de novos estádios em grande parte dos países onde se realizou mundiais, e que se a capital amazonense não possui uma praça de jogos à altura, passaria a ter, em quatro anos, após escolhida como sede.

Daquele noite do debate,  passei a não ter mais dúvidas da exclusão de Belém das pretensões da FIFA.

E não adianta agora ficar estribuchando.

Saída é arregaçar as mangas e tentar tirar proveito da condição, agora subalterna, de sermos o Estado vizinho de uma futura sede da Copa do Mundo de 2014, investindo no que for possível para Belém ganhar alguma coisa.

Manaus, um elefante branco no caminho

Publicado em 29 de maio de 2009

Michel Castellar e  Nelson Ayres, repórteres do Lance, jornal especializado em esportes de maior circulação do país, realizaram excelente trabalho sobre a escolha das sedes da Copa  do Mundo de 2014, inclusive publicando  custo-benefício de cada estádio projetado e as chances técnicas de cada um – caso a FIFA tenha escolhido as cidades dentro desse critério.

Manaus, na visão dos repórteres e de Amir Somoggi, consultor da empresa Casual Auditores, é fulminada de cabo a rabo. 

Belém aparece tecnicamente  factível.

Detalhe: há três quadros publicados ao lado das matérias do jornal, ilustrando, com números, as possibilidades reais de cada cidade, que não estão reproduzidos aqui no blog. Infelizmente, a reportagem não tem disponibilidade digital.

Artigos foram publicados na edição de 26 de maio.

 

 

Elefantes brancos da Copa

 

  Michel Castellar e  Nelson Ayres

 

No próximo domingo, a Fifa anuncia quais serão as cidades brasileiras que sediarão jogos da Copa do Mundo de 2014. Mas já se pode afirmar que muitos estádios projetados podem transformar-se em pesados elefantes brancos. Os investimentos propostos são bem maiores do que o retorno possível em algumas cidades.

Um exemplo é o estádio de Manaus, o mais caro da lista (R$ 580 milhões). Em um cálculo conservador, para se obter retorno aos investidores, seria preciso que rendesse R$ 38,8 milhões por ano (retorno de 1% ao mês). Hoje, o combalido futebol amazonense é capaz de gerar apenas R$ 2 milhões.

Para justificar o investimento, além da bilheteria, existem três caminhos neste momento: um grande projeto imobiliário, capaz de atenuar o impacto da obra do estádio; um centro comercial; e um programa de fidelidade de sócios. Não se pode contar com megashows de astros internacionais (do porte de uma Madonna) porque estes eventos são raros. No máximo, dois ou três por ano. E estes artistas fazem, no máximo, duas apresentações em cada país.

O valor baixo dos ingressos é um problema para o Brasil. Segundo estudo apresentado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, o valor médio dos gastos de um torcedor na Inglaterra é de 70 euros (R$ 198). Em Portugal, que sediou a Euro 2004, é de 35 euros (R$ 99). No Brasil, como pode ser visto no quadro ao lado, o ingresso médio varia entre R$ 7 e R$ 22 e não há bons serviços.

Também chama a atenção o custo dos estádios projetados para a Copa brasileira. Se compararmos com os alemães, veremos que o Brasil não foi nada modesto. Ao utilizarmos oito cidades praticamente certas (Rio, São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife e Fortaleza) e outras três candidaturas mais baratas, sem contar possíveis aumentos, encontraremos o número de R$ 3,529 bilhões. E o Mineirão ainda não tem números definidos. A Alemanha gastou quase o mesmo em 2006: R$ 3,941 bilhões.

Se consideramos  os valores projetados no quadro ao lado, vamos perceber que as cadidaturas das cidades mais desenvolvidas foram as mais bem trabalhadas.

O Maracanã  é um exemplo. Por sua simbologia e por investimentos na área de turismo, como o Museu do Futebol, já teria um acréscimo de retorno. Mas, se considerarmos a bilheteria de Flamengo e Fluminense, o estádio já seria viabilizado. Assim como o Serra Dourada, que tem tres equipes atuando frequentemente.

O São Paulo, apenas com a bilheteria, teria de aumentar a arrecadação do Morumbi em R$ 6 milhões anuais. Mas, com shows a patrocínios, o clube já arrecada atualmente mais do que este valor. Ou seja, se pagaria, sem pirotecnias. Assim, como a Arena da Baixada  e a Fonte Nova.

Beira-Rio, Mangueirão e Arena da Floresta são outros estádios com orçamento adequado ao retorno que poderão ter.

Na faixa intermediária, estão o Castelão e a Cidade da Copa, em Recife. Terão que investir pesado em turismo e áreas comerciais.

  

Infraestrutura é o desafio

No domingo, termina o sonho para cinco  cidade e começa trabalho intenso para as demais. E ser escolhida sede não significa  que a cidade está apta para receber as partidas da Copa. É apenas o primeiro passo. Se observarmos o quadro ao lado, perceberemos que as cidades pretendem investir pesado  em infra-estrutura. A Fida é rigorosa ao cobrar eficiência nos aeroportos, telecomunicações, saúde, sistemas elétricos, meios de transporte e vias de acesso.

Ao todo, são quase R$ 85 bilhões de investimentos projetados. Três cidades (inclusas aqui Belém, Brasília-DF e Porto Alegre)  ainda não fizeram ou não quiseram divulgar estes cálculos, deixando para se pronunciar  depois da escolha das sedes. E somente cinco dos 17 orçamentos  serão retirados  da conta final. Somente os quase R$ 4 bilhões de construção de estádios e você terá o valor do Mundial do Brasil.

Vale lembrar que falamos apenas em uma previsão inicial. Nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, o orçamento foi subestimado e teve aumento de 500%. Na África do Sul, já existe um aumento de quase 700% em relação ao orçamento inicial.

E a realidade para o torcedor da maioria das cidadessó mudará se elas forem escolhidas. Pelo planejamento divulgado pelos governos estaduais, somente em Florianópolis  haverá a construção de um novo estádio mesmo se a Copa não chegar. Ou seja, o Mundial  é a salvação para muita gente.   

 

O Engenhão é a nossa referência

 

               Amir Sonoggi, Consultor da Casual Auditores

 

O Brasil não pode  sair construindo estádio de R$ 400 milhões. E a nossa referência é o Engenhão.  Em estudos que fizemos, ele renderá R$ 40 milhões/ano se for bem explorado. É mais interessante investir R$ 430 milhões no Maracanã do que R$ 350 milhões no Engenhão. A mesma coisa vale para Mineirão e Morumbi. Outro detalhe é o efeito na sociedade. Na Alemanha, o governo investiu em dois estádios do lado oriental para gerar benefícios fora do futebol. Seria interessante ter Manaus como sede da Copa. Ótima estratégia de marketing. Mas não entendo os motivos de ter Campo Grande ou Cuiabá. Além disso, a FIFA é  uma entidade de futebol. E deve pensar onde existe futebol. Em Belém, existe futebol e o torcedor comparece.

Às favas, a toga

Publicado em 27 de maio de 2009

O Supremo Tribunal Federal (STF) pagou ao presidente da Casa, Gilmar Mendes, R$ 114.205,93 em diárias de viagem nos 13 meses de sua gestão. Isso significa que, passado um mês da metade de seu mandato, Gilmar recebeu praticamente quatro vezes o total acumulado por sua antecessora, a ministra Ellen Gracie, nos 24 meses em que ela dirigiu a corte. Em dois anos, o STF gastou R$ 31.159,90 com despesas de hospedagem, locomoção e alimentação em viagens nacionais e internacionais da ministra. 

Mais aqui.
Mãe-Joana enraivecida

Publicado em 27 de maio de 2009

Não tem jeito. A Democracia Socialista de Marabá é um barraco só.

Dizendo-se preocupada com a reeleição de Ana Júlia, é essa tendência quem se reúne para discutir “táticas eleitorais” -, e baixa o pau. Nos próprios colegas da corrente.

Cada um quer ter o ser naco pessoal, seu terreno delimitado, sua reserva de mercado, como se a DS fosse, una,  o próprio Governo do Estado.

O fato a seguir é contado por comentarista conhecedor da arruaça ocorrida semana passada, durante encontro da tendência.

 

No encontro da DS de Marabá realizado final de semana passada o pau quebrou. Metade da Plenária não queria o Ferreirinha como delegado para o encontro estadual, que vai definir quem são os candidatos a deputado. A turma do Ronaldo Giusti e da Eva Abreu comandou o repúdio ao ex-vereador. Dos quatro delegados três eram consenso. O ferreirinha não. Na primeira votação foi anunciada a derrota dele por dois votos. Pediram recontagem. Eva e Ronaldo, aos gritos, diziam que era golpe e se retiraram do Plenário. Essa é a DS, minúscula, que ainda põe dificuldades para a entrada de uma liderança que tem votos, como o Ferreirinha, e condições de dar musculatura para a tendência enfrentar a sempre fraticida luta interna do partido. Entrou numa fria o Ferreirinha. E não foi por falta de aviso dos amigos.

Sucupira não merece

Publicado em 27 de maio de 2009

Acredite quem quiser.

A Câmara Municipal de Rondon do Pará encaminhou ofício ao poster requerendo “o envio o mais breve possível, do material recebido por Vossa Senhoria, para que possamos acompanhar a apuração da verdade real dos fatos”
É risível, indisfarçadamente gracioso e  um verdadeira chiste, o documento assinado pelo 1o Secretário, vereador Josimar Feitosa da Silva, pedindo cópias dos eMails enviados a este jornalista por cidadãos e entidades do município denunciando o vereador Paulo Sérgio de Lima Batista por prática de atos danosos a ética e aos costumes republicanos – conforme notas publicadas dias atrás na coluna do Diário do Pará.
Os caprichosos representaes do povo de Rondon sustentam estar dispostos a apurar tudo. Só que, até agora, segundo  ofício, “esta Casa de Leis não tem conhecimento de nada contra o mesmo (Paulo Sérgio), e nenhuma providência seria tomada antes do Inquérito Criminal que está sendo instaurado para apuraçào da verdade”.
Ou seja, só podem iniciar a apuração dos fatos se tiverem cópias dos eMails de fontes do blog. A denúncia retratada na coluna reproduzindo o que dizem comunitários, não serve. Eles querem os nomes de quem está no município fiscalizando suas incelências.  Como se os intrépidos e referenciais veredores fossem, verdadeiramente, investigar o presidente da Câmara, no caso Paulo Sérgio, filiado ao Partido dos Trabalhadores.
De que Paulo Sérgio está sendo acusado? Da prática de pressionar os dirigentes locais de alguns orgãos estaduais para o atendimento de favores pessoais, ameçando-os de perda do cargo caso rejeitem os pedidos do bacurau. Naquela base do “sabe com quem está falando?”
Duas coisas, fiquem bem claras, intrépidos vereadores de Rondon.
Primeiro, não! Nenhuma cópia do que lá seja. Nem na Justiça. Os colaboradores sérios deste jornalista são figuras intocáveis.
Segundo, vão vender a mercadoria de vocês em outro terreiro. Espaço para  o presidente de suas incelências se defender, aqui e na coluna do Diário do Pará, sempre esteve garantido. Isso foi dito ao advogado de Paulo Sérgio, que até hoje não enviou a versão do acusado.
E, finalmente, cada vez que mudarem o rumo dos fatos, mais peia levam. 
Aqui e alhures.