O telefonema de William Bonner para Gilmar Mendes

Publicado em 31 de março de 2016

O texto abaixo leva a assinatura do jornalista investigativo Paulo Nogueira, retratando a relação promíscua de setores da mídia com autoridades brasileiras, especificamente contando o diálogo do editor do Jornal Nacional com o ministro do STG, Gilmar Mendes.

Só a blogosfera para esmiuçar essas safadezas que, sem ela, fatos dessa natureza jamais chegariam ao conhecimento do público:

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“Vou dar um exemplo que me chocou. Fui a uma reunião de pauta do Jornal Nacional, e o William Bonner liga para o Gilmar Mendes, no celular, e pergunta. ‘Vai decidir alguma coisa de importante hoje? Mando ou não mando o repórter?’. ‘Depende. Se você mandar o repórter, eu decido alguma coisa importante.’”

É um trecho de um livro de um professor da USP, Clóvis de Barros Filho. O nome é Devaneios sobre a atualidade do Capital.

Barros fez parte de um grupo de acadêmicos convidados a presenciar, uns anos atrás, uma reunião de pauta do JN. A parte do livro em que ele descreve o diálogo jornalística e juridicamente criminoso narra o que, segundo ele, são as relações espúrias entre braços diversos da plutocracia nacional para a manutenção de mamatas e privilégios de uns poucos.

Candidamente, Barros Filho se declara “chocado”.

Bonner

O que mais me chama a atenção é que Bonner não tenha se dado conta da monstruosidade que estava cometendo na frente de testemunhas.

É uma demonstração do tipo de jornalista que a Globo criou ao longo dos anos.

O pior pecado depois do pecado é a publicação do pecado, escreveu Machado. Bonner cometeu o pecado e o publicou sem pudor.

Note que a missão do JN estabelece que se deve publicar o que de mais relevante aconteceu no dia, no Brasil e no mundo, com isenção.

Isenção, nos Planetas Bonner e Globo, é telefonar para um juiz visceralmente comprometido politicamente e combinar o que será ou não será notícia para milhões de desavisados que, em sua ingenuidade obtusa, acreditam que o Jornal Nacional publica verdades.

Penso em Bonner e lembro de Johnson, presidente americano que não hesitava em chamar subordinados para despachar quando estava na privada. Agia como se estivesse no Salão Oval, ou coisa parecida.

Figurativamente, Bonner estava na privada quando, diante de acadêmicos, ligou para Gilmar para combinar o que seria, ou não, assunto para o Jornal Nacional.

Se o despudor e a falta de noção de Bonner podem surpreender, de Gilmar não se espera nada de decente.

É um juiz vergonhoso. É uma infâmia vestida de toga. É um homem sem caráter que não hesita em levar sua militância política para a corte mais alta do Brasil.

Na linguagem do futebol, Gilmar seria aquele juiz tão canalha que, numa partida, não se contentaria somente em apitar para o seu time. Vibraria, também, a cada gol marcado.

O futebol se livrou de juízes como Gilmar.

Quando o Brasil se livrará, em suas cortes, de militantes políticos que desmoralizam a Justiça e colocam em risco o próprio sentido da democracia e do Estado de Direito?

Gilmar, nestes dias, foi conspirar abertamente pelo golpe em Portugal, junto com seu miquinho amestrado Toffoli.

Ninguém fala nada?

Colegas seus do STF, sabe-se, manifestaram seu agrado. Mas aos sussurros, e não aos berros, como o episódio demandava.

O que bons juízes como Teori e Barroso parecem não perceber é que se omitir diante de Gilmar é dar-lhe força e contribuir para a tenebrosa imagem da Justiça brasileira.

Há muitos anos Gilmar, cria de FHC, deveria ter sofrido impeachment. Que, ainda que com formidável atraso, isso ocorra no futuro próximo, ou teremos a mais boliviana das Justiças do mundo.

Que as ditaduras estejam sempre sepultadas

Publicado em 31 de março de 2016

HildeteNa manhã desta  quinta-feira, a professora Hildete Pereira dos Anjos, que já atuou como Coordenadora do Campus de Marabá da então Universidade Federal do Pará, postou em sua rede social texto que ela havia postado em sua rede social dois anos atrás, por ocasião de seu aniversário de 50 anos.

Sensível ao momento político delicado pelo qual estamos passando, Hildete faz um esforço maravilhoso para acelerar nos corações de quem tem fé na democracia, a necessidade de cada um aflorar sentimentos condenando qualquer tentativa de retrocesso  das liberdades e de desrespeito à Constituição.

O blogueiro faz questão de trazer à boca do palco o texto da professora Hildete

 

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Escrevi essa nota dois anos atrás, ao completar cinquenta anos. Como parece que está mais atual do que naquela data, reproduzo aqui:

Nasci num primeiro de abril. Não qualquer um, aquele, o day after: o de sessenta e quatro. Nasci numa ditadura, no momento mesmo em que ela teve início. Por felicidade, nasci na periferia do mapa do poder. De modo que a consciência de que estava numa ditadura só chegou de fato lá pros doze, treze anos. Que é também a idade em que a gente começa a pensar pra além do umbigo…e aí eu vi que os livros que eu queria ler tinham que vir encapados, pra não chamar a atenção. Que as letras do Chico tinham um texto subjacente. Que pra conversar sobre politica (que não fosse a disputa circense entre Arena 1 e Arena 2) tinha que ser em reuniões disfarçadas de catequese. Ou de grupo cultural… Foi divertido descobrir que a sombra de Lampião e da Coluna Prestes ainda assombrava as noites de nossos avós. Foi interessante descobrir o medo difuso que organizava a vida dos adultos, rebelar-me contra isso, descobrir a resistência organizada ou não, inventar minha participação no mundo a partir daí. Faço cinquenta anos neste primeiro de abril. Minha geração viu nascer e ajudou a matar uma ditadura. Que ela continue morta. Que sejam sepultadas todas as ditaduras. Definitivamente. Para todo o sempre. É meu desejo dos cinquenta anos.
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Agora, é o meu desejo dos cinquenta e dois!!

Troca-troca de partidos movimentou o país

Publicado em 31 de março de 2016

partidoFoi frenética a corrida para a troca de partidos, durante a quarta-feira, 30, à véspera de vencimento do prazo limite para a migração de uma legenda a outra.

Não apenas em Marabá,

Em todos os municípios, o corre-corre de políticos varou noite e madrugada adentro, fazendo  acertos.

Um vai e volta danado.

Além de vergonhoso, virou piada essa janela de troca-troca de partidos.

Se ela fosse apenas à busca de alguém se firmar, de encontrar um grupamento partidário que lhe desse uma melhor condição de trabalhar, de implementar projeto, seria parte do jogo democrático.

Mas o babado não passa por aí.

Nem sei quantos partidos ao certo temos atualmente no país.

Quase quarenta, por aí.

Para toda essa gororoba, o  orçamento da União de 2016 garante repasse de de R$ 819 milhões para o fundo partidário.

O fundo partidário é um repasse da União para as legendas políticas, e de  acordo com as regras eleitorais, 5% do total são distribuídos, em partes iguais, a todos os partidos que tenham seus estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral.

Os outros 95% do bolo são distribuídos às siglas na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados.

Quase 40 partidos políticos e o país vivendo uma crise de representação na democracia brasileira.

Se a  atividade política no Brasil fosse  exercida com ética e honestidade, tudo isso faria um bem danado à nação.

Mas não é.

Governador do Maranhão aciona Dnit na Justiça pedindo recuperação de rodovia

Publicado em 31 de março de 2016

Enquanto no Pará a população vai à rodovia BR-155 bloqueá-la como forma de pressionar o governo a realizar obras de asfaltamento do trecho Eldorado-Xinguara, o governador do Maranhão foi direto à Justiça.

E quem informa o babado é o jornalista Coriolano Filho, Editor-Chefe de O Progresso, sempre antenado lá em Imperatriz.

O que diz Coriolano:

 

Na justiça

Como já havia anunciado o governador Flávio Dino, ontem a Procuradoria Geral do Estado ingressou na Justiça pedindo que o DNIT recupere imediatamente a BR 135, única via de acesso à capital do Maranhão.  O governador observa que há muitos meses vem pedindo a recuperação emergencial da estrada, além da retomada da obra de duplicação. “Nada foi feito, infelizmente. Venho alertando o Governo Federal para as tragédias que ali se verificam. Infelizmente, o DNIT há meses permanece inerte. Com a responsabilidade que me cabe, nesta segunda-feira o Estado do Maranhão ingressará na Justiça contra o Governo Federal”, afirmou Flávio Dino. O pedido é que o Governo do Maranhão seja autorizado pela Justiça a efetuar recuperação emergencial BR 135, cobrando ressarcimento do Governo Federal. Ele destacou que “sou cobrado pelas estradas estaduais. Justo. Tenho ajudado municípios com suas ruas, que cabem a eles, via ?Programa Mais Asfalto?. Compreendo e sou solidário com problemas do Governo Federal. Mas não posso compactuar com um ano de negligência do DNIT, no único acesso a São Luís. Legalmente não posso cuidar de obras federais. Por isso, espero que Justiça me autorize, para que possa resolver e cobre gastos do Governo Federal”.

Quem quiser ler a coluna do Coriolano, diariamente, acesse AQUI.

Pará vai receber em parcelas R$ 157 milhões por perdas oriundas da Lei Kandir

Publicado em 31 de março de 2016

Belém

 

 

 

Quem informa é a jornalista Ana Marcia  Pantoja:

 

O Pará vai receber da União R$ 156,5 milhões, em três parcelas, referentes a repasses de perdas provocadas pela Lei Kandir em 2015. Municípios paraenses receberão R$ 52 milhões. A decisão do governo federal foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (30), na Medida Provisória 720, que regulamenta os repasses da Lei Kandir aos estados, em função das perdas no ano passado. De acordo com a MP, o montante total a ser repassado é de R$ 1,95 bilhão, em três parcelas iguais, nos meses de abril, maio e junho.

Segundo estudo da Diretoria de Arrecadação e Informações Fazendárias da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), as perdas acumuladas com a Lei Kandir desde 1996 somam R$ 29,6 bilhões, quando atualizadas pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). No ano passado, as perdas do Pará somaram R$ 2,4 bilhões.

“Os repasses da União não repõem as perdas do Estado, sofrem atraso e impactam o equilíbrio das contas públicas”, afirmou o secretário da Fazenda Nilo Rendeiro de Noronha, auditor de receitas estaduais.

A Lei Kandir desonerou as exportações do pagamento do ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação), representando perda da receita para o Erário estadual. Há previsão legal para que a União compense os estados pelas perdas.

O repasse dos recursos para estados e municípios foi feito de acordo com critérios definidos pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), constantes do anexo da MP.