Que as ditaduras estejam sempre sepultadas

HildeteNa manhã desta  quinta-feira, a professora Hildete Pereira dos Anjos, que já atuou como Coordenadora do Campus de Marabá da então Universidade Federal do Pará, postou em sua rede social texto que ela havia postado em sua rede social dois anos atrás, por ocasião de seu aniversário de 50 anos.

Sensível ao momento político delicado pelo qual estamos passando, Hildete faz um esforço maravilhoso para acelerar nos corações de quem tem fé na democracia, a necessidade de cada um aflorar sentimentos condenando qualquer tentativa de retrocesso  das liberdades e de desrespeito à Constituição.

O blogueiro faz questão de trazer à boca do palco o texto da professora Hildete

 

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Escrevi essa nota dois anos atrás, ao completar cinquenta anos. Como parece que está mais atual do que naquela data, reproduzo aqui:

Nasci num primeiro de abril. Não qualquer um, aquele, o day after: o de sessenta e quatro. Nasci numa ditadura, no momento mesmo em que ela teve início. Por felicidade, nasci na periferia do mapa do poder. De modo que a consciência de que estava numa ditadura só chegou de fato lá pros doze, treze anos. Que é também a idade em que a gente começa a pensar pra além do umbigo…e aí eu vi que os livros que eu queria ler tinham que vir encapados, pra não chamar a atenção. Que as letras do Chico tinham um texto subjacente. Que pra conversar sobre politica (que não fosse a disputa circense entre Arena 1 e Arena 2) tinha que ser em reuniões disfarçadas de catequese. Ou de grupo cultural… Foi divertido descobrir que a sombra de Lampião e da Coluna Prestes ainda assombrava as noites de nossos avós. Foi interessante descobrir o medo difuso que organizava a vida dos adultos, rebelar-me contra isso, descobrir a resistência organizada ou não, inventar minha participação no mundo a partir daí. Faço cinquenta anos neste primeiro de abril. Minha geração viu nascer e ajudou a matar uma ditadura. Que ela continue morta. Que sejam sepultadas todas as ditaduras. Definitivamente. Para todo o sempre. É meu desejo dos cinquenta anos.
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Agora, é o meu desejo dos cinquenta e dois!!