Badalos do tempo

Publicado em 31 de dezembro de 2008

São 18h25

Do alto do apartamento, olho Belém.

Lá embaixo, quieta a cidade, poucos carros transitam pelos bairros do Reduto e Umarizal, nem parecendo estarmos em plena quarta-feira.

Do quarto, sacando a calmaria urbana, eis que me vejo, também, de pé entre dois calendários, vigia, sentinela ou outra coisa assim…

Nem viro mais a folha que marca 31 de Dezembro, ela é a última da escalada.

Outro calendário, aberto ao lado do velho, marca de vermelho 1º de Janeiro de 2009.

O ano de 2008 está indo embora.

Falta menos de seis horas para ele eclodir temporão. Indo embora como uma cicatriz indelével gravada a fogo no dorso do tempo.

De repente, me flagro imaginando se realmente o Ano está acabando. E se ninguém poderá arrancá-lo da nossa maneira de estar aqui.

Ninguém o apagará da sebenta da História, porque ele fica encravado, artesanalmente esculpido numa forma qualquer.

Não há herói capaz de torcer o seu percurso a não ser os minutos que ainda faltam.

Me flagro, assim, de pé, vigilante, abrindo a janela de par em par, dando entrada ao temporal de minutos que arrasta, em turbilhão, o Ano Novo.

Por isso aqui estou de mãos abertas, querendo atá-las a outras mãos, tantas que cheguem para acalentar o Ano-Menino que de nós virá.Por isso, de pé, juramos, em nome do Novo Ano, que o Sol nascerá sempre ao fim de cada noite.

Ano Novo
(Chico Buarque)

O rei chegou e já mandou tocar os sinos
Na cidade inteira
É pra cantar os hinos
Hastear bandeiras
E eu que sou menino muito obediente
Estava indiferente
Logo me comovo
Pra ficar contente
Porque é Ano Novo
Há muito tempo que essa minha gente
Vai vivendo a muque
É o mesmo batente, é o mesmo batuque
Já ficou descrente
É sempre o mesmo truque
E quem já viu de pé
O mesmo velho ovo
Hoje fica contente porque é Ano Novo
A minha nega me pediu um vestido novo e colorido
Pra comemorar eu disse:
– Finja que não está descalça
Dance alguma valsa
Quero ser seu par
E ao meu amigo que não vê mais graça
Todo ano que passa
Só lhe faz chorar
Eu disse:
– Homem, tenha seu orgulho
Não faça barulho
O rei não vai gostar
E quem for cego veja de repente
Todo o azul da vida
Quem estiver doente
Saia na corrida
Quem tiver presente
Traga o mais vistoso
Quem tiver juízo
Fique bem ditoso
Quem tiver sorriso
Fique lá na frente
Pois vendo valente e tão leal seu povo
O rei fica contente
Porque é Ano Novo

Os sete cavaleiros do apocalipse

Publicado em 31 de dezembro de 2008

O post reproduz a cena conforme contada por fonte confiável.

Passava de uma hora da madrugada desta quarta-feira, 31, quando o prefeito diplomado Maurino Magalhães (PR) foi chamado à residência do médico Nagib Mutran, eleito vereador de Marabá pelo PMDB, para ser comunicado de decisão acordada minutos antes pelos futuros vereadores integrante do denominado “Grupo dos 7”, segundo a qual o candidato a presidente da Câmara sairia mesmo dali – em oposição ao objetivo de Maurino eleger um candidato de sua preferência: Miguelito Gomes (PP), Ronaldo da Yara (PTB) ou Irismar Nascimento (PR).

Parênteses aberto

A Câmara Municipal de Marabá elegeu 13 vereadores, dos quais apenas seis estariam fechados com as pretensões do prefeito diplomado eleger a mesa diretora de sua confiança.

Fecha parênteses

Ao chegar à casa do médico, Maurino foi logo cumprimentado pelo vereador diplomado Antonio da “Ótica”, filiado ao mesmo partido do prefeito, o PR.

Tudo bem, prefeito?

Não, não está bem, não! -, respondeu Magalhães, demonstrando de cara seu aborrecimento com a estratégia do grupo de se opor à sua orientação.

A partir daí, rolou de tudo. Até ameaça de cassação.

Maurino Magalhães ouviu o que não queria ouvir, e desabafou à mesma altura, lembrando de forma clara e direta, o poder da caneta do Executivo para canalizar ações de interesse ou não de cada membro do Grupo dos 7.

Momento de maior rispidez foi quando o prefeito, a poucas horas de ser empossado, travou dura discussão com Antonio da “ Ótica”. Maurino lembrou o risco que ele corre de cassação de mandato, caso mantenha a posição de não seguir orientação do PR, controlado na região pelo prefeito.

Trocando em miúdos, os desdobramentos da madrugada na casa de Nagib Mutran ainda renderão muitas prosas na política de Marabá.

Maurino, catimbeiro andarilho da política, sabe das intenções tenebrosas do “Grupo dos 7”. Na melhor das levadas, nem ele e nem seus assessores têm dúvidas de que será muito cara a fatura da atual manobra.

A eleição da mesa diretora da Câmara de Marabá está marcada para as16 horas desta quinta-feira, 1º.

O “Grupo dos 7” é constituído pelos seguintes vereadores:

Nagib Mutran Neto (PMDB) 2.537 votos
Antonio Hilário Ribeiro “Ótica” (PR) 2.019 votos
Ronaldo da 33 (DEM) 1.927 votos
Alécio da Palmiteira (PSB) 1.602 votos
Gerson Augusto dos Santos Varela (PHS) 1.474 votos
Antonia Carvalho de Araújo Albuquerque – “Toinha” (PT) 1.446 votos
Julia Rosa (PDT) 1.163 votos

“Grupo dos 6”, fiel à orientação de Maurino Magalhaães:

Miguelito Gomes (PP) 2.681 votos
Ronaldo da Yara (PTB) 2.098 votos
Ismaelka Queiroz Tavares (PTB) 2.064 votos
Vanda Régia Américo Gomes (PV) 1.361 votos
Edivaldo Santos (PPS) 1.208 votos
Irismar Nascimento Araújo Sampaio (PR) 1.053 votos

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Correção:

1- Júlia Rosa obteve 1.663 votos. Esqueçam os 1.163 digitados erroneamente acima.

2- Alterem a composição dos grupos de vereadores antagônicos. Ronaldo da 33 (DEM) não faz parte do G-7, e sim Edivaldo Santos (PPS).

Em liberdade, matadores de Tim Lopes

Publicado em 31 de dezembro de 2008

A “boa” última decisão tomada ao apagar de 2008:

Seis anos após o assassinato do jornalista Tim Lopes, dois acusados pelo crime conseguiram o benefício de cumprir a pena em regime semi-aberto.

Claudino dos Santos Coelho, o Xuxa, e Cláudio Orlando do Nascimento, o Ratinho, condenados a 23 anos e 6 meses de prisão, por decisão da Justiça, conseguiram a chamada Progressão de Regime porque já cumpriram um sexto da pena.

Cláudio e Claudino também passaram por avaliações psicológicas e foram considerados presos de bom comportamento. Com o benefício, os dois têm o direito de pedir autorização para deixar a cadeia durante o dia para trabalhar. Em julho de 2007, um outro condenado pela morte de Tim Lopes ganhou o direito de visitar a família periodicamente. Elizeu Felício de Souza, o Zeu, aproveitou o benefício para fugir.

O traficante Elias Maluco também ganhou o benefício antes de comandar o crime. Ele cumpria pena por seqüestro. Solto, ele teve tempo de matar o jornalista.

Tim foi torturado e morto quando fazia uma reportagem sobre exploração sexual infantil na favela da Grota, em Vila Cruzeiro, na Penha.

Enquanto Ele brilhar….

Mas, enquanto houver sol – como nos ensina Sérgio Brito, na canção gravada pelos Titãs -, ainda haveremos de acreditar, um dia, na força da Justiça.

Na Justiça dos homens, bem claro fique.

A Justiça de Deus, para quê?

Não ocupemos Ele com coisas imprestáveis. Isso deve ficar para nós, aqui na Terra.

Um dia, enquanto houver Sol espraiando-se sobre consciências, a Justiça, mesmo tarde, desdobrará imenso sorriso no rosto deste país que tanto amamos.

Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida…

Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós
Algo de uma criança…

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá …

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando
Que se faz o caminho…

Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós
Aonde Deus colocou…

No Ano Novo, a reforma ortográfica

Publicado em 30 de dezembro de 2008

Você é um daqueles que têm dificuldade para utilizar o trema, não sabe onde e quando colocar um hífen, nunca ouviu falar em hiato, homógrafas abertas e acento diferencial? Se for o caso, não desanime, afinal, você faz parte da imensa maioria da população brasileira que não domina a própria língua falada, quanto mais a escrita.

Como diria um reclame das Organizações Tabajara “Seus problemas acabaram! Vem aí a reforma ortográfica para cumprir a missão de alterar boa parte de tudo aquilo que você ainda não aprendeu totalmente!”

Todo mundo – ou a grande maioria das pessoas – já está sabendo que tudo isso é conseqüência (êpa, consequencia, a partir da próxima quinta-feira, não leva mais trema!) de anos e anos de discussão dos integrantes da chamada Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), defendendo a unificação das ortografias do idioma pátrio. Salvo engano, a transação vem desde 1980, quando as Academias de Letras do Brasil e Portugal começaram a trabalhar em torno do assunto.

Foram 28 anos de idas e vindas, até que Lisboa aprovou as mudanças, ano passado. Lula, pelo Brasil, assinou o decreto para a implantação do novo acordo em setembro último, dia do centenário do escritor Machado de Assis.

O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, elaborado para uniformizar a grafia das palavras dos países lusófonos, ou seja, os que têm o português como língua oficial, entrará em vigor dia 1º. de janeiro de 2009. Quinta-feira!

Os objetivos das mudanças visam facilitar o intercâmbio de informações, aproximar as oito nações da CPLP (Portugal, Brasil, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor Leste e Cabo Verde), reduzir os custos de produção e adaptação de livros e facilitar a difusão bibliográfica de novas tecnologias, bem como simplificar algumas regras (que suscitam dúvidas até entre especialistas).

O português, fluído por algo em torno de 210 milhões de pessoas, é a quinta língua mais falada no mundo. Como tem duas grafias oficiais, seu estabelecimento como um dos idiomas da ONU fica dificultado.

Com as alterações adotadas, a lógica pressupõe facilitar o intercâmbio cultural entre os países que falam português. Livros, inclusive os científicos, e materiais didáticos poderão circular livremente entre os países, sem necessidade de revisão, como já acontece em países que falam espanhol. Além disso, haverá padronização do ensino de português ao redor do mundo.

Um dos principais problemas que as novas regras vão acarretar, no entanto, será o custo da reimpressão de livros.

Além da unificação da grafia, o acordo propõe simplificar o idioma, no mesmo espírito do que ocorreu na década de 1910, quando uma reforma semelhante alterou o modo de escrever palavras como pharmacia e christallino (para farmácia e cristalino, sem o ph, o ch e o ll). Na época, porém, as mudanças foram encabeçadas por Portugal, que não consultou o Brasil e acabou aprofundando algumas diferenças ortográficas. Aqui no Brasil, a última grande reforma do idioma foi realizada em 1971, a fim de aproximar mais nosso jeito de escrever do de Portugal

Se a proposta do MEC for cumprida, todos os textos produzidos a partir de 2009 terão de ser impressos segundo as novas regras lingüísticas. Os brasileiros teremos quatro anos para dominar as novas regras. Durante esse tempo, tanto a grafia hoje vigente como a nova serão aceitas oficialmente.

A partir de 2010 os alunos de 1º a 5º ano do Ensino Fundamental receberão os livros dentro da nova norma – o que deve ocorrer com as turmas de 6º a 9º ano e de Ensino Médio, respectivamente, em 2011 e 2012.

Vestibulares, concursos e avaliações poderão aceitar as duas grafias como corretas até 31 de dezembro de 2011. Quanto aos livros didáticos, deve haver um escalonamento. A partir de 1º. de janeiro de 2013, a grafia correta da língua portuguesa será a prevista no Novo Acordo.

Nós que vivemos pendurados ao computador, cabe a pergunta: o que vai acontecer com o corretor ortográfico dos programas de textos? Os fabricantes já estão pensando no problema. A Microsoft, por exemplo, trabalha para adequar o corretor ortográfico do Pacote Office às novas regras. Segundo a empresa, os usuários não terão de pagar nada a mais por isso, pois a atualização poderá ser “baixada” pela internet. E o que acontecerá com os dicionários? As editoras que publicam os principais dicionários da Língua Portuguesa no Brasil já lançaram edições reduzidas de seus livros com a nova ortografia.

O acordo prevê simplificações, mas tem inúmeros pontos obscuros, que só serão esclarecidos com o lançamento de gramáticas atualizadas e um novo Vocabulário Ortográfico oficial (tarefa a cargo da Academia Brasileira de Letras). O professor Pasquale Cipro Neto é um dos que se manifestaram contra o documento. “Ele não se limita a uniformizar a grafia: estabelece outras alterações no sistema ortográfico, várias delas para pior.”

Polêmicas à parte, o que muda, afinal?

Para nós, brasileiros, muito pouco em relação aos nossos patrícios de além-mar.

Aqui vai um resumo das principais mudanças para os brasileiros:

Fim do trema – para quem nunca reparou são aqueles dois pontinhos que ficam sobre o 6 no teclado do computador.

Antes: lingüiça, tranqüilo, cinqüenta.

Agora: linguiça, tranquilo, cinquenta.

Hífen do esquecimento – aquele que quase ninguém sabe quando utilizar em palavras compostas. Ele some em palavras que o falante percebe como uma só.

Antes: pára-quedas, pára-raio, manda-chuva.

Agora: paraquedas, pararraio, mandachuva.

Agora iguais – caíram alguns acentos que diferenciavam palavras com a mesma grafia.

Antes: pára (verbo)
Agora: para

Antes: pêlo (substantivo)
Agora: pelo

Degola pelo alto – várias paroxítonas vão perder seu acento.

Antes: idéia, jibóia – crêem, lêem – enjôos, vôos.

Agora: ideia, jiboia – creem, leem – enjoos, voos.

Simples, não? Antes fosse! Quase ninguém ainda tem idéia de quanto isso vai mexer com a cabeça dos brasileiros e, pior ainda, com a dos portugueses, a ponto de fazer dilatar o olho cego de Camões! Felizmente, línguas são metamorfoses ambulantes, moldadas pelas necessidades dos usuários – não pelas regras gramaticais. Brasileiros de hoje dificilmente se entenderiam com os do ano 2500 – ou com os portugueses de 1500. Palavras nascem, crescem ou se encurtam, se combinam, mudam de sentido e de pronúncia e, um dia, morrem.

Indicamos as seguintes fontes, para quem quiser se aprofundar no assunto:

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http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/Esp_021/aberto/novo-jeito-escrever-306810.shtml

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/novas-regras-lingua-portuguesa-349895.shtml?print

http://www.abril.com.br/reforma-ortografica/index.shtml

Vale nega pré temporada ao Águia

Publicado em 30 de dezembro de 2008

A crise econômica e financeira internacional atingiu o Águia de Marabá.

O período de pré-temporada programado pelo clube, de 5 a 15 de janeiro, não poderá ser realizado na Serra dos Carajás, como ocorreu em janeiro de 2008. A Vale refugou o apoio alegando o “atual momento internacional que está afetando o cotidiano de todas as empresas , governos, e cidadãos, provocando a necessidade de adequação de seus processos e planejamentos futuros”.

Sebastião Ferreira, presidente do clube, reunirá a diretoria para buscar alternativas.