2008 chegou

Publicado em 31 de janeiro de 2007

Definidos os cargos regionais nos municípios paraenses, será dada a largada para a disputa da eleição municipal em todos os quadrantes. Em Marabá, a sucessão de Sebastião Miranda (PTB) envolve uma série de fatores devido ao contingente maior de pretendentes, a começar pelo próprio prefeito que não pretende entregar seu poderoso patrimônio eleitoral nas mãos de “um qualquer” -, como definiu amigo de Tião.
De sua reserva pessoal de amizade, até o presente momento não se conhece nenhum nome que esteja sendo trabalhado para brevemente ser jogado no processo pelo atual prefeito. Nem mesmo entre seus secretários despontaria alguém que imprimisse em Tião, primeiro, a confiança-, e a certeza de que o ungido seria mesmo capaz de levar à frente o tipo de administração tocada até agora por ele.
Intramuros, às vezes aparece o nome da vereadora Vanda Américo (PV), que havia anos mantém profundos laços de amizade com o prefeito, mas parentes de Miranda garantem de mãos contritas não haver nenhuma possibilidade dessa opção ser concretizada em decorrência do perfil passional da aguerrida parlamentar.

Negociação

Publicado em 31 de janeiro de 2007

O que se tem comentado ultimamente, sem, no entanto, essa versão ter sido ouvida do próprio prefeito de Marabá – pessoa de personalidade forte e introspectiva -, é a possibilidade de Sebastião Miranda negociar sua futura candidatura a deputado federal ancorada no apoio ao nome de Asdrúbal Bentes (PMDB), de todos os atuais pretendentes ao cargo, àquele com maior simpatia popular nas pesquisas de opinião. Lenda ou não, a verdade é que nos últimos tempos Tião e Asdrúbal exercitam sadia relação nos bastidores e em público – após dura batalha jurídica travada pelos dois nos tribunais questionando o resultado da eleição de 2004, disputada por ambos e na qual Tião saiu vencedor.
Como ilustração: em recente inauguração de obras, o prefeito fez questão de convidar Asdrúbal para participar das solenidades, com direito a discursos e elogios trocados.

Amarrando a proa

Publicado em 31 de janeiro de 2007

Com ou sem apoio de Sebastião Miranda, o deputado federal do PMDB já está em plena campanha. Aos 65 anos, Asdrúbal sabe que esse é o momento de tentar realizar seu maior sonho político escorado na aglutinação de forças que tem conseguido e o crescimento eleitoral de seu nome no município. Pesquisa qualitativa a qual o poster teve acesso mostra uma consolidação importante do eleitorado de Asdrúbal: dos quase 30 mil votos obtidos em Marabá para deputado federal, 85% são votos dele próprio.
Outro detalhe é que desde quando passou a ser votado no município, a cada pleito Asdrúbal aumenta em 50% a leva de simpatizantes. Números que não podem jamais ser desconsiderados. Além disso, o parlamentar construiu na região estilo de político carismático, de vida simples identificada com as pessoas menos favorecidas – sem no entanto cair para o clientelismo que tanto marca a carreira de Elza Miranda, cujo mandato de deputada estadual termina nesta quinta-feira (31).
Existe a possibilidade – remota, mas existe – de Asdrúbal repetir a dobradinha fechada na eleição de 2004 com o Partido dos Trabalhadores. Só que para esse acordo ser formalizado, haveria de ter aí pelo meio a junção de interesses da governadora Ana Júlia e do deputado Jader Barbalho. Ninguém sabe como a relação dos dois estará daqui a dois anos e se haverá interesse das tendências locais do PT abdicar de candidatura própria.

Dois bicudos

Publicado em 31 de janeiro de 2007

Ademir Martins, coordenador regional da Democracia Socialista, ligada a Ana Julia, agora à frente de uma diretoria da Secretaria de Integração Regional, tem sinalizado nas entrevistas à imprensa local de que o PT deverá ter candidatura própria em 2008, logicamente desde que o nome não seja o da deputada estadual Bernadete ten Caten (PT), com quem ele disputa o controle do partido.
Por seu turno, nos próximos dois anos, Bernadete tentará se projetar no exercício de seu mandato com intuito de se fortalecer politicamente para viabilizar sua candidatura dentro e fora do PT. Estrategista, ela sabe que o apoio do governo abastece de sustança qualquer nome, principalmente num município onde o empresariado se mantém à distância do processo sempre que sente a mão do Estado abençoando algum preferido.
Se o partido decidir pelo lançamento de candidatura própria, eleitoralmente o nome de Bernadete é o que se mostra mais vigoroso. Na eleição para a Assembléia Legislativa, a ex-superintendente do Incra no Sul do Pará foi a mais votada do PT no estado, superando 38 mil votos.
Ademir Martins, paralelamente, tentará ocupar espaços num governo majoritariamente gerenciado pela DS, tentando emplacar ações de caráter social que o projetem como pessoa realizadora e capaz de administrar o município. Afora esses movimentos, ele conta com o apoio e estímulo de muita gente forte da atual gestão.

À espreita

Publicado em 31 de janeiro de 2007

Correndo por fora, persistente e com tremenda vocação para buscar apoios onde considerar viáveis e inviáveis, o deputado João Salame (PPS) aposta em seu discurso e no poder de convencimento que lhe é peculiar. Mantém-se até agora calado, quando o tema é eleição municipal -, sem, no entanto, descuidar-se de fazer costuras que levem em futuro próximo a viabilizá-lo candidato à sucessão de Sebastião Miranda. No fundo, Salame quer ser o candidato oficial de Miranda.
Amigo do prefeito de Marabá, o deputado estadual sabe das dificuldades que ele terá para viabilizar um nome facilitador da própria sucessão. Diante disso, se coloca nesse vácuo em busca de movimento gravitacional que lhe apresente resultados positivos na hora certa -, jogando e trabalhando com extrema habilidade a conquista da confiança de Miranda.
Vai dar certo? Há controvérsias. Sebastião Miranda – dizem os mais chegados -, só confia nele mesmo, e às vezes com doses de dúvidas.