Boa idéia

Publicado em 29 de dezembro de 2006

Kenzo Jucá discorre sobre projeto de lei do senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) aprovado no Congresso Nacional instituindo a Escola Técnica Federal de Construção Naval de Cruzeiro do Sul. Ao que ele diz:

Nesse Congresso Nacional que todos conhecem, existem raros lampejos de boas ações e notícias para a Amazônia e o Brasil.

Foi aprovado no Senado Federal e remetido à Câmara dos Deputados o PLS 00241/2006 do Senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC), para criação da primeira escola técnica federal do Brasil especializada na formação de técnicos em construção naval artesanal. Formará técnicos especialistas em engenharia naval, atividade essencial para a economia e transporte da região amazônica (como diria Ruy Barata: esse rio é minha rua…).

A criação da Escola Técnica Federal de Construção Naval de Cruzeiro do Sul, no Estado do Acre, é uma importante iniciativa para valorização e resgate dessa atividade econômica tradicional das populações ribeirinhas amazônicas, geradora de renda familiar e trabalho especializado em perfeito equilíbrio com o meio ambiente. O Vale do Rio Juruá, município de Cruzeiro do Sul-AC, onde será construída a escola, possui forte tradição nessa atividade e será referência para a construção naval do Brasil. O projeto traz à tona o debate sobre modelo de desenvolvimento, diretrizes conceituais e atividades econômicas e investimentos prioritários ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.

O Estado do Pará possui forte tradição na construção naval artesanal e (em menor medida) industrial. Principalmente o baixo Tocantins e a região Oeste, que são pólos macro-regionais da atividade e poderiam abrigar perfeitamente uma Escola Técnica Federal com essa concepção de preservação dessa atividade artesanal, codificação científica do conhecimento tradicional, geração de alternativas sustentáveis de renda, combinada ao ensino médio e educação profissional e tecnológica. Abaetetuba, Igarapé-Miri e Santarém são fortes candidatas a abrigar a escola e replicar essa bela experiência.

O Senador Geraldo Mesquita é Procurador da Fazenda Nacional e foi eleito em 2002 pelo PSB em aliança com o PT, rompeu logo depois junto com os radicais Heloísa Helena, Babá e Luciana Genro e ajudou a fundar o PSOL, ameaçando assim a hegemonia da família Vianna no Acre e constituindo-se como referência na esquerda amazônica – que com o sumiço de Paulo Rocha (PT-PA), possui agora apenas Marina Silva e Jorge Vianna (PT-AC), Capiberibe (PSB-AP) e Jefferson Peres (PDT-AM), como expressões políticas nacionais da discussão ambiental amazônica. Quando Geraldo Mesquita ensaiava figurar nesse grupo seleto, um ex-assessor seu ligado ao PT do Acre o acusou de cobrar parte de seu salário para uso pessoal, denúncia confusa que acabou gerando sua saída do PSOL e sua posterior entrada no PMDB, como estratégia de sobrevivência política. Geraldinho (como é conhecido no Acre), defende no Senado posições sobre a Amazônia e o desenvolvimento do Brasil bem mais avançadas que o Governo Lula e Governo petista do Acre – vide a Lei de Gestão de Florestas, que é a privatização lenta da floresta.

Kenzo Jucá – sociólogo.

Vida ribeirinha

Publicado em 29 de dezembro de 2006

A manifestação do Kenzo Jucá mostra o quanto falta no Estado do Pará personagens do setor político sensíveis às causas simples mas geradoras de benefícios sociais e capazes de transformar a vida das pessoas. Pegando apenas um braço do Tocantins, a construção artesanal naval sempre teve atuação forte nos municípios de Baião, Mocajuba, Cametá, Tucuruí e Marabá, sem precisar esticar muito essa predominância.
O transporte fluvial, desde os tempos áureos da passagem de franceses, portugueses e holandeses pela foz do rio (sim, eles estiveram também ao largo do Tocantins!), foi uma tradição entre as comunidades ribeirinhas. Ao longo dos anos, com o advento da Rodovia Transamazônica, mudou-se a rota de prioridades, com o transporte rodoviário de péssima qualidade ocupando seu espaço.
Ainda hoje sobrevive no beiradão, nomes de famosos construtores artesanais que fizeram escola entre seus filhos e netos, atualmente apegados mais à construção de canoas e pequenas embarcações já que o movimento dos grandes barcos perdeu sentido com a mudança dos ventos.

Festa nas ribanceiras

Publicado em 29 de dezembro de 2006

Barcos denominados de “Tapitariquara”, “Juarez Botelo”, “Alkindar Contente” fizeram história. As ruas à beira do rio eram movimentadas avenidas com seus costumes e tradições, farra alegre e contagiante – como tudo envolvendo comunidades que afloram de cara para rios e igarapés. Os povos nascidos nas ribanceiras são bem humorados, brilham como o sol a iluminar suas vidas o ano inteiro.
O vai e vem das embarcações do Tocantins perdurou até a metade dos anos 70. A partir daí, até hoje se tem apenas o sepulcral silêncio de vidas tristes -, despertado vez ou outra pelo barulho insosso das rabetas e dos pu-pu-pu descompromissados da vida produtiva.

Por que não?

Publicado em 29 de dezembro de 2006

Quem conhece os benefícios do transporte fluvial tem consciência de que uma política de governo voltada para estimular o setor, quem sabe criando-se também escola técnica de construção naval no Pará, mudaria a vida de milhares de ribeirinhos, revelando-se talentos da carpintaria fluvial e reativando a vida dos rios com a interligação de linhas de barcos nas pequenas distancias que separam algumas cidades. O tema merece ser discutido a partir do exemplo que a classe política do Acre oferece aos demais brasileiros.

Para que o Banzo não mate

Publicado em 22 de dezembro de 2006

O clima de Natal, inevitavelmente, bate nossas portas, numa imitação de gestos, palavras, consumismo, negro estágio da mediocridade repetitiva a embalar de vulgaridade o comum das pessoas.
Para que a gente não se angustie mais ainda com tanta falta de criatividade -, localizei, no fundo do baú, texto maravilhoso do poeta, cronista e compositor pernambucano Antonio Maria, autor de “A Noite do Meu Bem”, música consagrada na voz de Dolores Duran, num tempo em que os Natais eram diferentes e nos faziam Bem.
Como sugestão, leiam “Canção de Fim de Ano” ouvindo algum sonzinho legal, regado a vinho de sua preferência.