Paciência de Jó

Ana Júlia, revela fonte próxima a governadora eleita, vem exercitando extrema paciência para receber de todos os lados pressões naturais na fase de pré-escolha da estrutura administrativa que gerenciará o Pará, a partir de 1º de janeiro. Nesse jogo pesado pela ocupação de espaços, a futura governanta tem procurado ouvir muito, sem deixar escapar qualquer tipo de compromisso aos nomes sugeridos pelos diversos segmentos político-partidários.
Internamente, estaria definido apenas que a secretaria Executiva de Educação ficará para uma das três correntes do PT, com seus nomes postos à mesa: historiadora Edilza Fontes (DS), deputada estadual eleita Bernadete ten Caten (PT Pra Valer) e Miriquinho Batista (Unidade na Luta).

Chuva de verão

Sempre bem informado, de Brasília, Val André aconselha o poster a desconsiderar a denominação Mobilização Democrática e valorizar as siglas PCB ou PPS. Segundo ele, dia 7 de dezembro “essa fusão pode cair, da mesma forma como castelos de cartas caem ao vento”. A notinha de Val está em comentário contido no post Jordy e a carta. A conferir.

Política Indígena

Reparando bem a Companhia Vale do Rio Doce tem toda razão quando decide denunciar o Brasil aos organismos internacionais pelo fato do país não ter uma política definida para atendimentos dos povos indígenas. É deprimente ler nos jornais os detalhes de uma reunião realizada entre a CVRD, Funai e lideranças dos Gaviões, da aldeia Parkatêjê, localizada a 30km de Marabá, na Br-222, em que as demandas maiores dos silvícolas – conforme disse um de seus caciques -, são dívidas contraídas junto a fornecedores.
Para quem conhece o cotidiano da aldeia e sabe que seus representantes mais conhecidos não saem de concessionárias de veículos e de outras lojas com densidade de propagar forte atração de consumo, esbanjando queima de grana, não fica surpreso em deparar com seus povos passando dificuldades financeiras resultantes de dívidas impagáveis. Está configurada aí clara incapacidade de suas lideranças gerenciar recursos, e onde aparece a figura do governo alheia a um questão fundamental, também, à sobrevivência da civilização indígena: treinar suas mais desenvolvidas cabeças a noções básicas de gestão.

Questão de lógica

Nenhuma empresa privada pode se tornar vítima de estimuladas chantagens simplesmente para atender exigências cíclicas ou abonar com mais ou menos dinheiro o cofre de quem o esvaziou por gastar mais do que recebe. E que se entenda não haver aqui nenhuma intenção de defesa da mineradora.
Na reunião entre os índios e a Vale ficou provado que esta vem cumprindo fielmente convênios assinados com a Parkatêjê na área social. Fato tão evidente que, ao final do encontro, o representante dos Gaviões, diante da posição inalterada da CVRD de ceder às pressões para reajustar o valor da parceria, para não sair de mãos (e bolsos) abanando, pediu que a empresa,”pelo menos pagasse as contas que a aldeia deve aos comerciantes da região”.

As vantagens da vantagem

A Constituição reconhece a pluralidade étnica e cultural do país, assegurando aos índios o direito à alteridade, ou seja, direito de serem diferentes e tratados como tais direito. Só que emerge ultrapassada e incorreta qualquer interpretação que trate os índios como inimputáveis ou semi-imputáveis em virtude da diferença étnica.
Já foi dito por gente que entende do traçado que os índios brasileiros estão em diferentes estágios em relação ao conhecimento dos hábitos da sociedade nacional, existindo índios com cursos universitários e índios que sequer falam o português. Como existem índios que estão no meio do caminho. Ou seja, situações diferenciadas e que merecem ser consideradas distintamente. O índio é mentalmente normal, o que ele tem é cultura diferente, e por vezes não entende o significado de determinada regra, como um estrangeiro pode também não entender.
Só que os queridos Gaviões são mais espertos do que imagina nossa vã filosofia tupininquim. Essa verdade é tão cristalizada que a aldeia Parkatêjê já foi considerada um das mais ricas do país durante longo período em que suas lideranças sabiam distinguir entre uma fatura e nota promissória, o que os faziam aplicar severa linha fiscal em suas contas. Nos últimos anos, esse quadro se alterou com o surgimento de estado de insolvência.