No Pará, Helder libera quase tudo para retomada da economia. Até shoppings e Igrejas.

Publicado em 29 de maio de 2020

O decreto de Helder, no entanto, deixa Marabá e Parauapebas ainda de fora da retomada

das atividades abaixo relacionadas, inclusive Shoppings.

Além de Marabá e Parauapebas, outros 15 municípios integrantes da Região Carajás, n

não foram contemplados pela  medida.

O governador Helder Barbalho apresentou, nesta sexta-feira (29), o projeto de retomada econômica no Pará, chamado Retomapará. Ele anunciou a reabertura com protocolo de higiene e medidas de distanciamento, de 36 segmentos, entre eles shoppings centers, salões de beleza e igrejas, a partir da próxima segunda-feira (1º), na Região Metropolitana de Belém, Marajó Oriental, Baixo Tocantins e Região do Araguaia.

Segundo Barbalho, os protocolos de higiene vão ser publicados em edição extra do Diário Oficial ainda nesta sexta. Cada município terá jurisdição em suas cidades e todas as atividades vão ter que seguir protocolos de higiene. O programa, de acordo com o governo, vai levar de maneira gradativa a retomada das atividades, levando em consideração as peculiaridades de cada região do Estado.

“Não podemos relacionar a retomada gradativa com o relaxamento, apesar de todos os dados estatísticos mostrarem a redução de casos. Precisamos evitar sair quando não for necessário e, quando sair, usar máscaras, que é parte de uma obrigação prevista em decreto estadual. O cidadão também tem de atentar à questão de higiene”, alerta Barbalho.

Segundo o governo, as igrejas com capacidade de 100 pessoas, por exemplo, só podem fazer reuniões com no máximo 15; em templos com capacidade de 5 mil pessoas, só podem entrar 100. Nos shoppings, as praças de alimentação não voltarão a funcionar.

Veja a lista de segmentos que poderão voltar a funcionar:

1. Agências Bancárias e Casas Lotéricas
2. Alimentação: Produção e Delivery
3. Comércio Varejista
4. Comércio Atacadista
5. Lojas de Conveniência
6. Comércio de Materiais de Construção
7. Comércio de Veículos, Oficinas e Auto-Peças
8. Lojas de Conveniência fora dos Postos de Gasolina
9. Empregados Domésticos
10. Lojas de Conveniência
11. Feiras, Aviários, Açougues, Peixarias e Hortifrútis
12. Comércio de Rua
13. Supermercados
14. Lavanderias
15. Comércio de Gás – GPL
16. Informação e Comunicação
17. Serviços para Edifícios e Atividades Paisagísticas
18. Atividades Imobiliárias
19. Agências de Viagens, Operadores Turísticos e Serviços de Reserva
20. Estética: Salões de Beleza, Barbearia e afins
21. Postos de Combustíveis
22. Farmácias e Drogarias
23. Hipermercados, Supermercados, Mercados e Mercearias
24. Construção Civil
25. Indústria de Transformação e similares
26. Depósitos e Distribuidoras
27. Correios
28. Locadoras de Veículos
29. Clinicas e Laboratórios
30. Clínicas Odontológicas
31. Rede Hoteleira
32. Igrejas
33. Serviços de Transporte de Carga Estadual e Municipal
34. Serviço Público e Privado de Transportes
35. Pet Shops, Produtos para Animais, Medicamentos Vet. e Comércios de Insumos Agrícolas
36. Serviços de Escritório, de Apoio Administrativo, Serviços Financeiros, Serviços de Seguros e outros serviços prestados – escritórios e profissionais liberais.

Ainda de acordo com o governo, os protocolos de higiene obrigatórios incluem: promover boa higiene das mãos, afastar trabalhadores do grupo de risco, adiar viagens a negócios, estimular o trabalho remoto; higienizar ambientes, equipamentos e superfícies; limitar a entrada de visitantes, abrir janelas e desligar o ar condicionado, além de afastamento de trabalhadores com sintomas.

Informação

O chefe do Executivo garantiu que a população, ao longo dos próximos dias, com a retomada da economia, será informada. “Toda sexta-feira vamos dar à sociedade dados sobre a doença no Estado. Se cada semana demostrar a segurança, vamos avançar. Caso contrário, vamos retrocedendo”, adiantou Helder.

O programa estará pautado em três pilares: economia, saúde e protocolos. Na saúde, serão avaliados a evolução da doença, como o crescimento dos casos, impacto em grupos de riscos. Também serão avaliados a capacidade do sistema de saúde, com disponibilidade de leitos e testagem e monitoramento da transmissão.

Sobre os protocolos e vulnerabilidade econômica, o plano exigirá questões de higiene nos locais de trabalho, considerando a vulnerabilidade de cada setor. O plano também pede o engajamento do cidadão, com a adesão da população às restrições e conhecimentos sobres as medidas de higiene.

Ainda durante a pandemia, o governador informou que houve 10% de desaceleração na economia do Estado e queda de 20% de arrecadação durante a pandemia, mas disse que os setores da mineração e do agronegócio foram positivos. O governo garante que foram investidos R$ 500 milhões este ano, em meio à crise do novo coronavírus.

Além de Barbalho, participaram da coletiva o secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame; o presidente da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), José Conrado; Procurador-Geral do Estado, Ricardo Sefer; e o reitor da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) Marcel do Nascimento Botelho.

Marcel Botelho disse que Belem tem uma grande influência na curva de todo o Estado. “Na Região Metropolitana, temos certeza, e a curva alerta isso, de que estamos em estágio decrecente. Dessa forma, temos certeza que fazer a retomada está segura, mostrando a tendência. Mas, se houver qualquer alteração, vamos tomar as medidas necessárias para que o pilar da saúde seja preservado”.  (Liberal)

Nova placa é colocada na nova Praça São Francisco

Publicado em 29 de maio de 2020

A Secretaria de Obras de Marabá fez a mudança da placa de reinauguração da praça São Francisco.

Alertado por um leitor do blog Hiroshi Bogéa On Line, o prefeito Tião Miranda determinou a atualização da placa, incluindo dados sobre a inauguração do logradouro, ocorrida em 1999.

As informações com citações corretas já forma providenciadas.

Nesta sexta-feira, 29, a nova placa foi afixada na praça São Francisco, com a inclusão do nome do ex-prefeito Geraldo Veloso.

Na crise do coronavírus, o que o Brasil pode aprender com a África do Sul

Publicado em 29 de maio de 2020

A jornalista Waleiska Fernandes, atualmente residindo na África do Sul, conta sobre as lições que  o país africano pode oferecer ao Brasil.

 

Desde o início da pandemia, a África do Sul vem se destacando pelo rigor adotado nas políticas de enfrentamento ao coronavírus. Menos de um mês após o primeiro registro da doença no país, que ocorreu em 05/03, o governo decretou estado de desastre nacional, com um severo lockdown que iniciou em 26/03. Agora, após dois meses do fechamento total do país, os sul-africanos se preparam para retomar sua rotina. A partir de 1/6, a África do Sul passa para o estágio 3 do confinamento e quase todas as atividades serão reabertas.

Enquanto isso, o Brasil se aproxima cada vez mais da posição de epicentro da pandemia. Mas o que explica que países com tanta similaridade socioeconômica apresentem números tão diferentes com relação ao coronavírus?

Até esta quinta-feira (28/05) a África do Sul registrou 27.610 casos com 580 mortes por Covid-19, enquanto o Brasil tem 418.608 casos com 25.935 mortes. Quando levamos os números para a proporção da população, fica mais fácil mensurar a diferença: a África do Sul tem 484 casos por milhão de habitantes, enquanto o Brasil tem 2.006 casos a cada milhão.

A proporção de mortes por Covid-19 também é muito maior no Brasil: 124,1 mortes por milhão de habitantes, enquanto na África do Sul é de 10,2 por milhão.

Unidade na mensagem – Desde o surgimento do coronavírus em solo sul-africano, o presidente da República, Cyril Ramaphosa, passou a liderar pessoalmente os esforços para o enfrentamento da pandemia. As primeiras medidas foram anunciadas por ele em cadeia nacional duas semanas após o primeiro registro da doença. Escolas, faculdades e espaços de lazer e turismo foram fechados, suspensão da entrada de vôos oriundos da Europa e proibição de aglomerações de mais de 50 pessoas foram algumas das medidas anunciadas em 15/03, quando o país ainda registrava 54 casos de coronavírus e apenas 2 mortes.

Também foi o próprio presidente que dias depois veio a público anunciar que o país entraria em lockdown por três semanas a partir de 26/3. Foram fechados fronteiras, portos e aeroportos e houve a suspensão das atividades econômicas, com exceção da venda de alimentos, produtos de limpeza, medicamentos e combustível. Ao final desse período, Ramaphosa voltou a usar a cadeia nacional de televisão para informar a prorrogação das medidas por mais duas semanas.

Ninguém escapou da rigidez do lockdown. Em abril, ele chegou a suspender por dois meses a ministra de Comunicações e Tecnologias Digitais, Stella Ndabeni-Abrahams, por desobediência ao decreto de isolamento social, após o vazamento de fotos dela em um jantar festivo na casa de um amigo. Ramaphosa declarou que a atitude da ministra desrespeitou todo o povo sul-africano e que ninguém de seu governo poderia agir para desencorajar a população a seguir fazendo a sua parte no combate à pandemia.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro não assumiu a liderança no enfrentamento ao coronavírus em nenhum momento. Ao contrário, desde o início ele minimizou a gravidade e vem brigando com governadores que tentam agir com firmeza em seus estados para evitar a proliferação do vírus. O presidente brasileiro não hesitou em trocar o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, porque este insistia na defesa do isolamento social. A guerra de braço entre Bolsonaro e governadores (muitos deles aliados do presidente até então) só atrapalha na mensagem a ser passada pela população. Enquanto na África do Sul a determinação de ficar em casa é uníssona, no Brasil, cada agente público fala uma coisa diferente.

A valorização da ciência – Ninguém no mundo imaginou que viveríamos uma pandemia em 2020, mas o governo sul-africano desde o início de março afirmou ser possível tirar lições da experiência de países que já sofriam o caos pelo coronavírus. Por isso, as recomendações das autoridades médicas desses países e da Organização Mundial de Saúde foram levadas ao pé da letra por aqui. A proibição da venda bebidas alcóolicas, por exemplo, é uma recomendação da OMS para evitar que as pessoas relaxem na prevenção. A suspensão está tão rigorosa que, segundo dados oficiais, 60% das prisões realizadas durante o locwdown foram de pessoas tentaram transgredir essa regra.

No Brasil, o presidente da República se recusa a ouvir a OMS e chegou a adotar o uso de um medicamento retirado da lista de indicações para tratamento da Covid-19, a cloroquina, como protocolo a ser adotado no SUS mesmo para casos leves da doença. A saída do segundo ministro da Saúde de Bolsonaro, Nelson Teich, aconteceu porque este defendia que os protocolos internacionais precisavam ser respeitados e se recusou a assinar a determinação do uso indiscriminado do medicamento.

Parceiros internacionais – Outra questão fundamental foi a busca por ajuda de parceiros internacionais, como China, Estados Unidos e Cuba, que auxiliaram com equipamentos e profissionais. Os EUA e a China doaram equipamentos, enquanto Cuba cedeu médicos e técnicos que já possuem experiência com doenças da rápida contaminação, como o ebola.

No Brasil, o governo tem entrado em sucessivas rotas de coalisão com o governo chinês, fazendo com que a Embaixada da China no Brasil já tenha emitido notas exigindo retratação pública do Palácio do Planalto. Além disso, a expertise dos médicos cubanos em situações de crise não pode ser usada no Brasil porque o presidente Jair Bolsonaro se orgulha de ter acabado com o programa Mais Médicos, que garantia que esses profissionais atuassem no país, além do fato de seu governo não realizar a prova de revalidação de diploma dos médicos que ficaram no Brasil mesmo com o fim do programa federal.

Nesta quinta-feira (28), o presidente Bolsonaro anunciou que os EUA vão doar dois milhões de comprimidos de cloroquina para o SUS, mesmo sem comprovação da eficácia do medicamento pela OMS. Para a África do Sul, Donald Trump doou 1.000 respiradores.

A preocupação com o sistema de saúde – O governo sul-africano sempre bateu na tecla de que era preciso empurrar o pico das contaminações para frente para que o país pudesse se preparar para lidar com a doença. A tentativa parece ter dado certo. Enquanto a curva não crescia de forma exponencial, o governo conseguiu preparar hospitais de campanha que pudessem receber os infectados. Ao todo, 25 mil novos leitos foram colocados à disposição da rede pública de saúde exclusivamente para casos de Covid-19.

A rede privada também aproveitou o tempo para se preparar. Áreas inteiras foram isoladas dentro de hospitais apenas para atender suspeitos da doença. Alguns chegaram a armar contêineres nas calçadas para fazer os atendimentos iniciais. Graças a todas essas medidas, o sistema de saúde da África do Sul ainda está longe de entrar em colapso.

No Brasil, cinco estados já figuram entre as manchetes de jornal por causa da falta de leito nas redes pública e privada para  atender os pacientes de coronavírus: São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Amazonas e Amapá. Mesmo assim, o governo federal segue sua campanha contra o isolamento social.

A vida à frente da economia – Mesmo enfrentando problemas econômicos anteriores à pandemia, com um índice de desemprego de 29% no país, o governo sul-africano apostou tudo do isolamento social para evitar o crescimento acelerado da curva de contágio por coronavírus. O governo dividiu o lockdown em cinco estágios. No 5, vivido de 26/03 a 30/04, todo o país parou com exceção dos atendimentos médicos e da venda de alimentos, produtos de limpeza, medicamentos e combustível. Em 01/05, o país passou para o estágio 4, sendo liberadas também a venda de roupas de criança, roupas de frio, artigos para casa, atividade agropecuária e algumas áreas da indústria.

A continuidade da suspensão de várias atividades comerciais e da venda de cigarros e bebidas alcoólicas no estágio 4 rendeu muitas críticas ao governo. A estimativa do Banco Central é de que economia sul-africana encolha 7% este ano. Grupos empresariais alertam para uma contração ainda maior com a perda de milhões de empregos e, por isso, vários setores vinham pressionando o governo para a reabertura do país.

Ramaphosa, porém, segurou o fechamento por dois meses sustentando que a preservação da vida precisava se sobrepor à economia. A abertura para o estágio 3 do lockdown a partir de 01/06 acontece durante uma crescente no número de casos de Covid-19 na África do Sul. No entanto, segundo o presidente, a preparação básica do país para lidar com a pandemia foi possível de ser feita. “Sabíamos o tempo todo que o bloqueio atrasaria apenas a propagação do vírus, mas não seria capaz de detê-lo”, disse Ramaphosa em pronunciamento no último dia 23.  “Embora o bloqueio nacional tenha sido eficaz, ele não pode ser sustentado indefinidamente”, justificou.

No Brasil, a preocupação em proteger a economia sempre pautou as ações do presidente da República. Várias foram as declarações nesse sentido. Acompanhado de vários empresários, Jair Bolsonaro chegou a fazer uma visita surpresa ao Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de persuadir a suprema corte a mudar seu posicionamento quanto à prevalência de direitos dos estados de impor medidas de isolamento social em contrariedade às determinações do governo federal, que sempre defendeu abertura total do país.

Mas nem tudo são flores na África do Sul

Apesar dos  inúmeros acertos do governo sul-africano no enfrentamento à pandemia, é impossível não citar os exageros. Um deles está na militarização do lockdown. Polícia e Exército foram usados para fazer valer o confinamento e muitas foram as denúncias de violência policial, principalmente, nas periferias, onde a população tem mais dificuldade em cumprir o isolamento. Além de moradias precárias, a busca por água, por comida e por donativos estão entre os principais motivos para o descumprimento por parte das pessoas de baixa renda.

Outro ponto frágil está na insistência da proibição do tabaco mesmo no nível 3. A alegação do governo é de que o hábito de fumar aumenta as chances de contágio e que, por isso, o banimento de cigarros ainda é necessário por tempo indeterminado. O problema é que as pessoas não pararam de fumar, apenas estão comprando o cigarro de forma ilegal. Pesquisa realizada pela Universidade de Cape Town (UCT) apontou que 90% dos fumantes conseguiram obter o produto de alguma forma, e pagando bem mais caro.  Um maço de cigarro que vale normalmente 35 rands, agora, está valendo cerca de 120 rands no mercado clandestino.

A associação que representa a indústria do tabaco  na África do Sul levou a suspensão das vendas à justiça, alegando que o governo está perdendo milhões em arrecadação de impostos e que apenas o tráfico está ganhando com a proibição. O julgamento do caso está marcado para 09/06. (Por Waleiska Fernandes, da Cidade do Cabo | Foto: GCIS )

 

Para enfrentar Covid-19, indígenas e ribeirinhos usam do rádio à internet para se comunicarem

Publicado em 29 de maio de 2020

Não há nenhuma novidade no uso de ferramentas de comunicação nas aldeias e comunidades tradicionais.

A jovem liderança Kayapó Maial Paiakan conta que na década de 1980, o rádio, entre outros meios, foi um grande aliado na luta contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, na época conhecida como “Kararaô”, e nos debates sobre a Constituinte.

Mas hoje, no Xingu, são plataformas como o Whatsapp, o Facebook e o Instagram que conectam indígenas e ribeirinhos às notícias da pandemia de Covid-19 que se espalha pelo país.

“Usamos essa ferramenta do kuben (branco), não apenas para mostrar nossa cultura, mas para fazer nossas vozes ecoarem pelo mundo,” conta Maial, que tem participado da produção de áudios informativos em sua língua materna.

“Fazemos denúncia e estamos informando por meio de podcasts e informativos, para que as lideranças e a comunidade possam ouvir e ler na própria língua todas as informações do que está acontecendo.”

É o que também conta Roiti Metuktire, em áudio enviado da aldeia Piaraçu, Terra Indígena Capoto Jarina, no Mato Grosso, para quem o uso da internet facilita o trabalho de comunicação, já que assim ele não precisa ir até a cidade para acessar dados atualizados sobre a Covid-19.

A ferramenta, que já é usada há cerca de cinco anos na TI Capoto Jarina, também permite mais rapidez na hora de repassar as informações para os demais moradores. “Daqui mesmo a gente consegue baixar as informações, comunicar com o pessoal, com nossos parceiros, com o próprio Ministério da Saúde e a Funai,” diz.

Papre Metuktire entrevista Bedjai Txucarramãe sobre receio da chegada da Covid na TI Capoto Jarina|Roiti Metuktire

 

Desde meados de março, antes até da confirmação do primeiro caso de Covid-19 em um indígena no país, povos indígenas e comunidades tradicionais estão se mobilizando para proteger seus territórios frente à pandemia.

Três indígenas Kayapó morreram nesta semana vítimas de Covid-19 na Terra Indígena Kayapó, no Pará, os primeiros casos de óbito dentro de uma TI na bacia do Xingu. Já foram confirmados 67 mortes e 2,6 mil casos de Covid-19 nos 53 municípios vizinhos às Áreas Protegidas da bacia, entre o Pará e Mato Grosso.

Em um esforço para manter o isolamento e impedir que a doença se aproxime, elas têm usado os meios de comunicação para difundir informações qualificadas e atualizadas para suas comunidades.

Kokowiriti Kisêdjê, Diretor Regional do Leste Xingu (Atix)

“A gente leva as informações até onde não tem nenhum acesso, para que eles [os indígenas] fiquem sabendo o que está acontecendo lá fora,” comenta o cineasta Kamikia Kisêdjê, que vive na Terra Indígena Wawi, no Território Indígena do Xingu. Suas fotos fizeram parte de uma campanha de arrecadação para a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), além de serem um importante material para alertar sobre a situação nas comunidades indígenas.

A internet é apenas um dos pontos de uma estratégia de comunicação emergencial combinada entre cada parceiro xinguano e a Rede Xingu +, articulação de indígenas, ribeirinhos e parceiros, como o ISA, que atuam na bacia do Xingu.

Na Terra Indígena Cachoeira Seca, no Pará, por exemplo, não tem televisão. Por lá, a ponte entre a comunidade e o que acontece fora dela é um orelhão. Ao menos uma vez por semana, a equipe de comunicação da Rede Xingu + entra em contato com pontos focais na Terra do Meio, Território Indígena do Xingu e territórios Kayapó, via telefone ou Whatsapp, para compartilhar novidades sobre o avanço da pandemia e receber dúvidas e informes dos povos.

A partir disso, são produzidos vídeos, cards, áudios e informativos com dados atualizados e orientações de prevenção, que são divulgados nas aldeias, comunidades e cidades pelas redes sociais e aplicativos de mensagem.

Um exemplo é o vídeo de animação Corpo Vivo, Parente!, que circulou dicas de prevenção à Covid-19 nas comunidades tradicionais através do Whatsapp, Youtube e Instagram.

Pará deixou de registrar quase mil mortes de Covid-19 e número total ultrapassa 2,5 mil

Publicado em 28 de maio de 2020

Informação abaixo é do G1, portal de notícias do Grupo Globo:

 

 

O Pará deixou de registrar quase mil mortes e 14 mil casos confirmados da Covid-19, somando um total de 15 mil subnotificações que não estavam na contagem oficial do governo, nos últimos oito dias. Os boletins retroativos acabaram alterando a data do primeiro caso de Covid-19 no Pará para 7 de março – a data divulgada era 18 de março.

Segundo o secretário de Saúde (Sespa), Alberto Beltrame, isso ocorreu devido a um “descompasso” no sistema da secretaria atualizado pelas prefeituras, que deixaram de fora um total de 907 óbitos e 13.871 casos confirmados da doença neste período – ou seja, 43,7% do total de casos e 34,8% do total de mortes. O estado encerrou a quarta-feira (27), com 31.671 casos e 2.605 óbitos pelo novo coronavírus.

O boletim divulgado às 12h30 desta quinta não foi contabilizado nesta reportagem, já que os números diários somente são fechados às 19h. Contudo foram contabilizados mais 1.969 casos e 100 óbitos de datas anteriores.

No total, são 14.778 notificações em atraso, incluindo infectados e óbitos, que foram identificadas pela secretaria.

Uma força-tarefa foi montada para a divulgação em novo formato, que iniciou na quarta-feira (20). Segundo Beltrame, as notificações teriam ocorrido há semanas, principalmente entre abril e início de maio, e resultam de 122 mil testes rápidos distribuídos entre os municípios.

 

Curva alterada

Os boletins da Sespa são recolhidos pelo G1 desde o início da pandemia para levantamento do Mapa do Coronavírus, informando o avanço da Covid-19 em municípios, com base nas secretarias estaduais. Mesmo com a mudança no formato do boletim do Pará, os novos casos e mortes no estado continuaram a ser computados de acordo com o dia de divulgação.

De acordo com os boletins, o primeiro caso de Covid-19 no Pará ocorreu no dia 7 de março. A paciente, segundo a Sespa, era uma mulher, 50 anos, de Parauapebas. Já a primeira morte ocorreu no dia 15 de março – uma mulher, de 60 anos, de Belém, segundo a Sespa.

Os boletins retroativos também apontam que:

Em 18 de março, dia da divulgação do era o primeiro caso de coronavírus, já havia 62 infectados;

E, em 1º de abril, dia em que foi divulgada o que era primeira morte, já havia outros dois óbitos.

As informações estão divulgadas também no painel da Covid-19, no portal de monitoramento da Sespa, e foram questionadas na última terça (26), pois poderiam ser erros de digitação. Até esta manhã, não foram corrigidas ou negadas. Os boletins já chegaram a mostrar casos de janeiro e fevereiro, mas a maioria já foi corrigida, após contatos feitos pelo G1.