Salário da Educação começa a ser pago

Publicado em 30 de dezembro de 2013

 

A partir desta terça-feira, 31, o salário de parte dos servidores da Educação estará em conta.

A quitação completa dos salários não será possível, esta semana,  em razão do atraso da última  parcela de 2013 do Fundeb, que será repassada aos cofres das prefeituras somente dia 3, conforme informou o MEC, na manhã desta segunda-feira.

Esta manhã, Prefeito João Salame assinou autorização do pagamento dos servidores dos seguintes setores:

Recursos Próprios   –  R$ 64.243,85

Projovem    –  R$ 18.189,27

Fundeb Sede   – R$ 597.822,92

E.J.A   –  R$ 73.358,57

Educação Infantil – R$ 546.927,33

Demissões   (( Projovem / Fundeb Sede /Fundamental /Educ. Infantil)   –  R$ 590.776,97

 

Aproximadamente, 1.906 servidores estão sendo contemplados com o pagamento de seus salários.

Caso  a última parcela do Fundeb seja realmente creditada dia 3 de janeiro, o quadro do Ensino Fundamental terá seus vencimentos creditados  dia 6 de janeiro.

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Atualização às 12:06

 

Atendendo solicitação de servidores, que estão usando a caixa de comentários em busca de informações sobre o pagamento do Visa Vale, o secretário Pedro Lima, da Finanças, acaba de  esclarecer que esse benefício foi pago junto com a folha dos servidores, dia 20 de dezembro.

Em verdade, a prefeitura quitou o Visa Vale de Janeiro/2014, e a 11a parcela  da negociação do débito  de R$ 9.629.000,00, deixado pelo ex-prefeito Maurino Magalhães, e que João Salame  acordou com os servidores.

 

 

Audacioso projeto de mecanização de áreas degradadas mostra avanços na Agricultura de Marabá

Publicado em 29 de dezembro de 2013

Há um silencioso trabalho  em execução na zona rural de Marabá que, no embalo  da carruagem, pode transformar o setor em fonte geradora de renda e produção, para consumo na cidade.

Audacioso projeto de mecanização de áreas degradadas (SAF – Sistema Agro-florestal), prioritariamente nos projetos de assentamento, está sendo  tocado pela Secretaria Municipal de Agricultura.  (Na foto, PA Piquiá, onde vinte áreas de assentamento foram mecanizadas).

Piquiá-22

Em outras palavras,  iniciou-se na zona agricultável do município, não apenas a recuperação das áreas degradadas, mas  o planejamento da recomposição florestal com base em critérios técnicos, como a vocação de cada território.

Meta é fazer com que a  agricultura e as pastagens fiquem  com as melhores áreas desmatadas e sejam  recuperadas as que não apresentam potencial produtivo.

Jorge Arara 2Segundo o médico Jorge Bichara, secretário de Agricultura (foto),  dar nova concepção aos próprios projetos de assentamento, no município, é uma das missões.

“A agricultura familiar é responsável por garantir a segurança alimentar do país, gerando os  produtos da cesta básica consumidos pelos brasileiros. Apesar da sua importância, e dos esforços de órgãos do governo federal para aperfeiçoar o modelo, este setor ainda enfrenta uma série de dificuldades para aquecer a produção e garantir o sustento de milhares de famílias em todo país”, explica Bichara, satisfeito com os  primeiros resultados do  trabalho batizado de Plano Agroflorestal Sustentável de Marabá.

Na concepção do projeto,  Bichara e sua equipe, vislumbram,  em curto espaço de tempo, retirar o Município de Marabá da lista negra de desmatamento, e contribuir para a melhoria da economia do município  – “seguindo determinação do prefeito Salame”.

Apesar de algumas conquistas como o ordenamento territorial  iniciado pelo governo federal, e avanços na formulação e implementação das políticas públicas na Amazônia, os produtores familiares rurais assentados na região ainda não conseguem ter acesso a muitos dos benefícios comumente oferecidos pelo governo.

“A falta de regularização ambiental e fundiária aliada à ausência de assistência técnica e extensão rural, tem gerado, neste setor, a carência em incentivos para que os produtores promovam alternativas sustentáveis de produção. O resultado tem sido a perpetuação de sistemas de produção precários e de baixa rentabilidade”, explica Jorge Bichara.

Embora tenha trabalhado o primeiro ano do atual governo municipal sob forte precariedade econômico-financeira  – e iniciado os trabalhos da safra 2013-2014, tardiamente -, em razão dos problemas herdados pela gestão de Salame, a Seagri (Secretaria de Agricultura de Marabá) conseguiu dar partida ao projeto de sustentabilidade.

Além da produção de grãos e mandioca, inicialmente, com objetivo de fomentar a criação de peixes, a Seagri  investiu na visita a cem comunidades familiares, nos projetos de assentamento, procedendo mapeamento de cada propriedade e a configuração a ser dada aos projetos de piscicultura, e mecanização agrícola.

Além disso, existem outras 120 visitas técnicas catalogadas em lotes de reforma agrária, para visitação a partir de 2014 (mapa abaixo)

Aquicultura

 

Na busca por um modelo de desenvolvimento sustentável para a agricultura familiar no município de Marabá  que solucione as  dificuldades, Bichara defende adoção de estratégias voltadas ao combate do desmatamento e degradação florestal a partir da implementação de um novo modelo produtivo de baixa pressão sobre a floresta e que, ao mesmo tempo, apresente maior potencial econômico, aumentando a rentabilidade em áreas já abertas e promovendo a melhoria na qualidade socioambiental da região.

E é exatamente isso que a reduzida equipe de técnicos  está conseguindo fazer em  oito projetos de assentamento, levando benefício a  76 famílias de agricultores, nas localidades de  Piquiá, Liberdade, Palmeira Jussara,  Belo Vale, Cabaceiras, Associação Ribeirinha e Várzea Agroflorestal, Vila Monte Sinai e Cedrinho.

Nesses PAs, a Seagri mecanizou a terra,  procedeu correção do solo (usando calcário e composto orgânico)  elaboração de  projetos técnicos, oferta e plantio de mudas.

Plano começou pelo PA Piquiá I, na Vila Sororó, beneficiando vinte famílias, e já atingiu o número de 76 donos de PAs, conforme relatado anteriormente (mapa abaixo)  –  sempre contando com a participação dos agricultores.

“O  Plano Agroflorestal Sustentável, busca fornecer subsídios para a criação deste modelo de assentamento, através de um processo participativo entre governo e sociedade civil, dentro da visão política do prefeito de  executar  projetos com prévia  discussão popular”, explica.

Áreas Mecanizadas

Inicialmente, o   Plano Agroflorestal Sustentável prioriza o plantio da  “cultura rápida”, que são a  mandioca e o milho. Posteriormente,  o investimento será em “cultura perene” como o plantio de  cupuaçu e  açaí precoce.

Na terceira  etapa do programa,conforme explica Jorge, a Seagri investira na produção florestal com plantio de mudas nativas da região, como cedro, mogno, jatobá, ipê, e outras.

Ainda visando a sustentabilidade plena da produção agrícola municipal, a Seagri  firmou parcerias  objetivando  alavancar a produção de farinha do município, bem como aumentar as áreas de açaizais, preocupando-se assim com o reflorestamento de áreas antes destinadas apenas aos pastos.

Até marco de 2014, seguindo planejamento dos técnicos da Seagri, haverá a primeira colheita da atual plantação, abrindo-se, em seguida, o trabalho para a produção de farinha.

“É possível produzir farinha em larga escala. Este programa visa este fim, com propósito da gente oferecer o produto a população sem depender da compra de farinha de outros lugares, chegando aqui quase  com preços aviltantes”, garante Jorge Bichara.

Para o ano de 2014, a secretaria de Agricultura cadastrou oitenta famílias, nos diversos Projetos de Assentamento espalhados pelo município. “Dependendo das condições financeiras da prefeitura de Marabá, a partir de 2014, poderemos multiplicar o número de atendimento”, diz Bichara.

Paralelamente ao trabalho de preparação do solo e plantio, a Seagri estará implantando o banco de informação da secretaria, com as coordenadas georreferenciadas de cada assentamento beneficiado pelo programa, usando o GPS como principal ferramenta.

Para desenvolver o programa nas áreas cadastradas em tempo que permita a conciliação do plantio com o período de chuvas, sincronização necessária para o sucesso da safra, a Seagri precisaria de dez tratores. Conseguiu até agora quatro, devido às dificuldades financeiras da prefeitura.

“Estamos ainda fazendo articulações  junto ao prefeito para que seja feito um esforço no sentido da gente colocar dez tratores nos assentamentos, porque acreditamos no sucesso desse programa agrícola e os benefícios que ele trará ao homem  do campo, gerando alimentos e o reflorestamento de áreas degradadas, um dos objetivos desse governo que tem preocupações, também, ambientais”,  diz Bichara.

Para manter a estrutura dos tratores trabalhando, a Seagri necessita de R$ 110 mil mensais, recursos esse até agora  dificultada sua liberação, pela prefeitura, em virtude da economia de guerra implantada desde o início da atual gestão.

O Plano Safra 2013/2014, em nove meses de trabalho intenso de mecanização e plantio,  requer total de R$  770 mil (ver quadro abaixo).  “Se formos analisar o benefício que esse programa de desenvolvimento agrícola trará à população, é mínimo o investimento, além de transformarmos a zona rurual de Marabá em ponto de referência na região Norte”, esclarece Bichara.

Projeto Safra

Além de gradeadas, as áreas estão recebendo aplicação de adubo e cálcio, para retirar a acidez do solo. “Esse  trabalho está sendo  desenvolvido, depois que é  feita a análise de solo de cada loteamento”, explica o técnico agrícola Marco  de Jesus Miranda Oliveira, Coordenador de Mecanização do Plano Agroflorestal Sustentável.

O projeto se sustentabilidade abrange também a doação de mudas de várias espécies. Em nove meses de trabalho, já foram doadas 53 mil mudas. (veja abaixo)

Doação de mudas

O viveiro da Seagri produziu, até início de dezembro, cerca de 50 mil mudas, entre espécies frutíferas, florestais e ornamentais.

 

Feira do Peixe

Ao longo de nove meses, a secretaria consolidou a chamada Feira do Peixe, estrutura de comercialização de pescados produzidos em áreas de assentamento.

“A feira faz parte também do programa de sustentabilidade da prefeitura de Marabá, já que através dela pudemos descobrir pontos de criatórios de espécies como a caranha, o piau e o tambaqui. Realizamos 26 feiras, durante o período, incentivando os criadores e fazendo esforços para difundir a cultura do pescado no seio da população, que deveria valorizar mais o consumo de peixes, até por causa do preço popular praticado durante as feiras”, explica Bichara.

Feira do peixe

O Plano Agroflorestal Sustentável da prefeitura de Marabá engloba ações de incentivo à produção de hortas, nas zonas urbana e rural.

A cessão de tratores e orientação técnica, bem como o tratamento do solo, , fazem parte do programa hortigranjeiro.

Abaixo, quadro de ações realizadas pela Seagri, em diversos pontos do município, beneficiando  137 agricultores.

Relação áreas beneficiadas

 

Jorge Bichara acredita que a prefeitura pode avançar muito mais, em 2014.

“O prefeito Salame está tentando equacionar as contas da prefeitura. Quando isto ocorrer, certamente poderemos ampliar a área de atuação da Seagri, levando tecnologia e desenvolvimento sustentável a muitas outras comunidades”   –  esperançoso, se mostra Bichara, que faz questão de pedir ao blog registro da unidade da Secretaria de Agricultura.

“Trabalhamos aqui com apenas 60 pessoas. Para uma secretaria de Agricultura que precisa cuidar de 15 mil metros quadrados de território municipal, onde mais de 80% dessa área é na zona rural,  o quadro é reduzidíssimo, e só conseguimos esses avanços em pouco tempo de trabalho – e com minguados recursos -, graças a dedicação de cada servidor, o amor com o qual ele abraça a causa da agricultura e a honestidade presente em cada ato. Sinto orgulho de ter essa turma me assessorando aqui”, elogia Bichara.

Uma das vantagens que Jorge Bichara vislumbra  para o desenvolvimento do município, na área rural, é a possibilidade de se acabar com a ainda  comum  queixa de que trabalhar de forma legal e sustentável não tem vantagens. “A única maneira de pagar a conta da recuperação ambiental é com a produção, e isso nós buscaremos através da mecanização das terras municipais.”

Emoção em cada PA

O  blog visitou  áreas beneficiadas, até agora, pelo programa  Agroflorestal Sustentável, conversando com agricultores inseridos no programa de  mecanização,   e tratamento do solo  aplicado por técnicos da Seagri.

José Castro e dona Terezinha Castro (foto abaixo, olhando a terra mecanizada),  um dos casais contemplados com a modernização do solo de sua propriedade, faz planos para, em 2014, conseguir uma safra nunca alcançada em toda vida de agricultores,  somente na pequena área trabalhada.

“Eu nunca pensei que um dia esse tipo de trabalho fosse feito em minha terra. Passava pela terra de quem tem máquinas, e ficava imaginando como seria a minha…. Hoje, quando vejo tudo feito por máquinas e um pessoal da prefeitura nos orientando, tudo isso é um sonho”, conta, emocionado, José Castro, ao lado da esposa, também contente.

– “Meu “véi” sofria muito trabalhando a enxada, todo dia, dia e noite adentro. Agora, não. Tomara a prefeitura continue fazendo isso, era o que nós mais  ´pedia´ a Deus”, confessa.

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Em outro ponto  do município, no Projeto de Assentamento Liberdade,   o agricultor  Valdemar Pereira   revela que teve um sonho, uns quinze dias  antes da equipe da Seagri chegar à sua propriedade, para fazer levantamento técnico da área onde seria aplicada nova tecnologia de tratamento do solo.

“Um rosto que eu não sei de quem era, apareceu num sonho falando que eu iria ganhar uma dádiva e que minha vida e de minha família, ia  melhorar.  Duas semanas depois, veio (sic)  uns rapazes da prefeitura aqui, fizeram perguntas, mediram a área e garantiram que minha propriedade estava no programa de mecanização, que eu já havia pedido. Foi uma graça de Deus. Tomara o prefeito João Salame e o Dr. Jorge (secretário de Agricultura)  continuem fazendo isso pelas famílias de agricultores, já que tanto sofremos aqui sem apoio de ninguém. Agora eu sei que ano que vem vou produzir mais, melhorar minha renda”, conta, com lágrimas caindo dos olhos.

PA Liberdade 3
Pequena propriedade de Valdemar Pereira (foto abaixo) , no PA Liberdade, mecanizada.

PA Liberdade 6 - Valdemar Pereira

Se o programa de modernização da zona rural do município receber o mínimo de investimentos, nos próximos três anos, Marabá poderá aparecer como pólo de referência, apresentando um saldo de avanços sociais e de inclusão, na área mais desassistida, historicamente, nos 144 municípios paraenses, já que não existe nenhum projeto desse porte em execução no universo  da agricultura paraense.

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Nota do blog:  Todas as fotos são de autoria do repórter Alex Nery.

À busca de uma sociedade sem prisões

Publicado em 29 de dezembro de 2013

 

Blog reproduz artigo de  Angelina Anjos  (*)  publicado originalmente no site  Vermelho

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Sociedade sem prisões

Assim e como conseqüência a questão penitenciária no Brasil é caso de política pública, neste meio, não somente se viola direitos dos apenados, como dos trabalhadores penitenciários. 

Há duas semanas a TV Record exibiu uma série de reportagens, realizada pelo jornalista Luis Carlos Azenha, onde ficam evidentes as graves e inúmeras formas de transformar gente em coisa nenhuma.

Desde início do século XX, a prisões brasileiras já apresentavam precariedade de condições, superlotação e o problema da não-separação entre presos condenados e aqueles que eram mantidos sob custódia durante a instrução criminal.

Em 1940, é publicado através de Decreto-lei o atual Código Penal, é o 3º da história do Brasil e o mais longo em vigência, os anteriores foram os de 1830 e 1890, o qual trazia várias inovações e tinha por princípio a moderação por parte do poder punitivo do Estado. 

Entretanto, a situação prisional já era tratada com descaso pelo Poder Público e já era observado àquela época o problema das superlotações das prisões, da promiscuidade entre os detentos, do desrespeito aos princípios de relacionamento humano e da falta de aconselhamento e orientação do preso visando sua regeneração.

A tentativa de constituir um código que estabelecesse as normas relativas ao direito penitenciário no Brasil vem de longa data. Em 1983 é aprovado o projeto de lei do Ministro da Justiça Ibrahim Abi Hackel, o qual se converteu na Lei nº 7.210 de 11 de Julho de 1984, a atual e vigente Lei de Execução Penal.

Indubitavelmente a Lei de Execução penal é moderna e avançada, se baseia na efetivação da execução penal como sendo forma de preservação dos bens jurídicos e de reincorporação do homem que praticou um delito à comunidade. Estão estabelecidas as normas fundamentais que regerão os direitos e obrigações do sentenciado no curso da execução da pena. Constitui-se na Carta Magna dos presos, tendo como finalidade precípua a de atuar como um instrumento de preparação para o retorno ao convívio social do recluso.

O juiz Douglas Martins, do Conselho Nacional de Justiça, atribui como uma das causas da tragédia ocorrida em outubro de 2013, no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, Estado do Maranhão, à centralização da execução penal, que deixou um saldo de nove detentos mortos e vinte feridos e levou pânico às ruas da cidade, com atos de vandalismo.

A causa dessas e outras rebeliões país afora é responsabilidade da elite política que norteia as necessidades humanas conforme seu umbigo. A disciplina do corpo e da mente, que não vem como fruto maduro das razões da consciência, gera insatisfações e rebeldia e não responsabilidades e solidariedade. Quem provoca o protesto popular é o poder dominante das classes que exploram ao invés de bem governar, ou de atribuir para tal, procurando transformar a sociedade contraditória e conflitante em sociedade justa porque contemporânea nas aspirações.

Ora, a ideia do conforto se universalizou e não admite mais esses abismos entre a riqueza de minoria que esbanja e afronta e a miséria comum que degrada e infelicita. Em desesperos oriundos de promessas e de obrigações oficiais não cumpridas, certas tragédias vilipendiam e matam a vida do próximo, pois, a vida perdeu o caráter da existência com humanidade. Quando o solo é fértil de injustiça a desordem cresce como capim.

Presos se amontoam em celas minúsculas, sendo a superlotação carcerária a pior chaga do sistema penitenciário. Isso significa que é impossível haver, inclusive, o revezamento para dormir ou sentar. 

Essas pessoas estão sendo tratadas sem o mínimo de condições de sobrevivência.

Em confinamento, convém lembrar que a pessoa que está presa, que está cumprindo pena restritiva de liberdade tem o direito de ser tratada – por aqueles que detêm a função administrativa prisional, pelos representantes do Poder Judiciário, pelos governantes e pela sociedade em geral – com respeito e dignidade, haja vista o que reza o artigo 38 do Código Penal e o artigo 5º, XLIX, da Constituição Federal: “é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral”.

Se quisermos conhecer profundamente um governo será necessária uma fotografia dos presídios geridos por este, mais cedo ou mais tarde o preso será libertado e seu comportamento será o reflexo do tratamento a que foi submetido enquanto esteve sob a custódia do Estado com nossa aprovação, ou pior, com nossa indiferença.

A sociedade que a elite brasileira está gestando é a que abre mão de sua cidadania quando repete o discurso insistentemente reproduzido com a célebre afirmação: “Bandido bom é bandido morto” ou criminalizando os direitos humanos. Fomenta a barbárie e uma sociedade cada vez mais distante da equidade.
Frente à barbárie das execuções cometidas nos presídios, às torturas, ao sofrimento de seu semelhante, o antídoto ainda é indenizar uma família – se isso é possível – por seu filho decapitado dentro daquela unidade prisional que se propôs, legalmente, a devolvê-lo ressocializado, apto ao convívio social.

A questão penitenciária não é de interesse apenas dos familiares e trabalhadores penitenciários, não podendo ser concebida como um mundo distante alheio a toda sociedade. Inadmissível aceitar com naturalidade a morte violenta de milhares de jovens e/ou pais de família, impossível compreender que corpos sejam jogados aos pedaços muralha abaixo dos estabelecimentos carcerários ou carregados em carrinhos de mão. 

Uma sociedade sem prisões só será possível quando não se compactuar com crianças esmolando, meninos e meninas se prostituindo, pois, enquanto for considerada normal que a única perspectiva destas crianças seja a vulnerabilidade, se estará fazendo parte da imensa massa de “coisificadores” da condição humana. 

O Brasil não se engrandecerá nacionalmente sem a suprema coragem da leal confissão, evidente por si mesma. E quando o erro é solar, a solução não é partidária, mas patriótica, pensando na Pátria sedenta de liberdade e repensando no povo faminto de justiça, para que as instituições nacionais tenham legalidade na legitimidade e renovação na continuidade.

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*Angelina Anjos é assistente social, militante da luta pelos direitos humanos, membro do Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça e filiada ao Partido Comunista do Brasil no Pará

Unama é vendida por R$ 152 milhões

Publicado em 24 de dezembro de 2013

 

Confirmado; a Unama foi realmente vendida.

O jornal Diário do Pará publica detalhes sobre a negociação entre a Universidade da Amazônia e o  Grupo Ser Educacional, adquirente do complexo de ensino  superior paraense.

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Objeto de especulações já há pelo menos dois anos, mas nunca admitida por seus controladores, a venda da Unama, a primeira universidade particular a ser colocada em funcionamento no Pará, foi selada ontem para o Grupo Ser Educacional. Uma carta de intenções foi assinada entre as duas instituições com prazo de seis meses, o que significa dizer que o negócio deverá ser fechado ainda no primeiro semestre do ano que vem.

A   notícia foi divulgada pelo Twitter em primeira mão e com absoluta exclusividade no início da tarde de ontem pelo jornalista Mauro Bonna, aqui do DIÁRIO. A informação circulou mais tarde também no Sul do país, por meio de uma nota veiculada pela Agência Estado. 

Procurados, os dirigentes da universidade se mantiveram inacessíveis à imprensa durante toda a tarde de ontem. A reitora da universidade, professora Ana Célia Bahia Silva, no momento se encontra nos Estados Unidos.

De acordo com a Agência Estado, o memorando de entendimento foi assinado pela Ser Educacional para negociar a aquisição da totalidade das cotas representativas do capital social da União de Ensino Superior  do Pará (Unespa), mantenedora da Unana, e do Instituto Santareno de Ensino Superior (Ises), mantenedor da Faculdades Integradas do Tapajós (FIT), com sede em Santarém. O valor da aquisição das cotas, quando concluída a operação, será de aproximadamente R$ 152 milhões, segundo a agência notícias.

CONGLOMERADO

O Grupo Ser Educacional é o maior conglomerado empresarial com atuação no mercado privado de ensino superior de toda a Região Nordeste do Brasil. Pertence a ele o controle do Centro  Universitário o Maurício de Nassau, hoje com faculdades espalhadas por 15 cidades em dez diferentes Estados brasileiros – incluindo, entre as capitais, Belém, São Luís e Manaus.

As faculdades da Uninassau oferecem mais de 200 opções de cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Humanas, Saúde e Exatas. A Ser Educacional controla também a Faculdade Joaquim Nabuco, fundada em agosto de 2007 e que funciona atualmente com um total de 39 cursos, sendo 12 de graduação e 27 de pós-graduação.

A Unama foi criada em 1987, quando o então Centro de Estudos Superiores do Estado do Pará, o Cesep, se juntou às Faculdades Integradas do Colégio  Moderno. Dessa fusão nasceu a União das Escolas Superiores do Pará (Unespa), instituição que teve vida breve e que acabou se transformando, seis anos depois, na Universidade da Amazônia.

Instituição com sólido prestígio firmado e consolidado ao longo de quase três décadas de atuação no Pará, nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, a Unama conta hoje com cerca de dez mil alunos, incluindo os que cursam a pós-graduação.

Sua marca, forte ao ponto de se tornar uma sólida referência no ensino superior do Pará, jamais foi afetada pela crise de governança corporativa que nela se instalou nos últimos anos e que fatalmente desaguaria – como está acontecendo agora – na transferência do controle acionário.  (Diário do Pará)

Polícia resgata ganhador da Mega-Sena sequestrado: “dinheiro não traz felicidade”.

Publicado em 24 de dezembro de 2013

 

O texto é de Tatiana Santiago, do G1:

 

 

Acostumado a levar uma vida simples como autônomo, o pedreiro que foi sequestrado após receber um prêmio de R$ 7,8 milhões da Mega-Sena disse que o dinheiro não traz felicidade. Ele contou ao G1 o sufoco que passou nas mãos de criminosos que integram uma facção criminosa que age dentro e fora dos presídios do estado de São Paulo.

“Pra mim não trouxe não, o que eu passei hoje não trouxe felicidade. Eu pensei que ia trazer. Como eu ia ajudar minha família, eu pensei que ia ser, mas o final foi esse aí. Sinceramente trouxe tristeza”, lamenta o vencedor. Além do milionário, seu irmão de 42 anos, também foi levado pelos criminosos.

A vítima foi abordada por volta das 13h em sua própria casa, em Guarulhos,  na Grande São Paulo, após sacar R$ 5 mil em um banco para viajar para a Bahia, sua terra natal. Seu irmão, que também trabalha como pedreiro, estava em sua casa somente para visitá-lo. Os dois viajariam de carro até o Nordeste.

O pedreiro, que há 15 anos veio da Bahia, não abandonou seus costumes da época em que era um simples operário e continuou trabalhando em obras, fazendo esforço carregando sacos de cimento nas costas. Andava com uma moto velha, que havia sido comprada nos tempos difíceis.

Segundo o pedreiro, ninguém sabia que ele havia faturado o prêmio, além do seu irmão e um tio mais próximo. Apesar disso, nas últimas semanas as pessoas com quem se relacionava perguntavam direto se ele havia sido o vencedor.

“Saiu da lotérica, comentaram na lotérica. Uma menina comentou quando eu entrei: ‘olha lá o ganhador’ ”, afirma. Segundo relato da vítima, os sequestradores disseram que o estavam perseguindo fazia tempo.

Vestindo roupas surradas, o vencedor da Mega-Sena chegou até a ser zombado pelos sequestradores. “Eles disseram: ‘eu não acredito, o negão é um cara de sorte. Você com um dinheiro desses e zoado desse jeito’. Eles diziam o tempo todo se eu não colaborasse eu sabia o que ia acontecer”, disse. Os criminosos chegaram a ameaçar cortar uma parte do seu corpo.

“Eu via na televisão isso ocorrendo com os outros e nunca imaginei que fosse acontecer comigo. Mas o dinheiro é uma maldição tão grande”, disse a vítima, que vai embora para a Bahia.  “Eu não quero luxo, o dinheiro era pra ajudar minha família”, ressaltou.

“Infelizmente, quem tem alguma coisa passa a ser perseguido, acaba o sossego, a pessoa não tem liberdade mais”, lamenta ele, que aparenta desapego ao dinheiro cobiçado. Muito assustado, seu irmão, desabafou na delegacia. “Nasci de novo”, comemorou.

Sequestro
Um casal armado invadiu a casa do pedreiro, no bairro Continental, na periferia de Guarulhos, na Grande São Paulo, na tarde desta segunda. “Cheguei em casa e guardei o dinheiro no guarda-roupa, com outro que estava guardado, e sentei no sofá com meu irmão. Não deu cinco minutos e os caras chegaram gritando”. Em seguida, as vítimas foram imobilizadas. “Me amarraram com carregador de celular e pedaço de pano e pediram dinheiro. Depois amarraram minha boca, pegaram eu e meu irmão, colocaram dentro do carro e levaram para cativeiro.”

Levados para um imóvel na cidade de Mairiporã, as vítimas trocaram de casa no início da noite de ontem e voltaram para a cidade de Guarulhos, local onde a polícia estourou o cativeiro.

Na madrugada desta terça-feira, policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que já investigavam uma quadrilha especializada em arrecadar dinheiro para uma facção criminosa, encontrou o cativeiro. O grupo, que era investigado havia cerca de 60 dias, fazia roubos de carga e roubo a banco.

Na troca de tiros, um suspeito ficou ferido. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. O outro foi levado para a sede do Deic.

No cativeiro, a polícia apreendeu duas armas – uma pistola .40 e revólver calibre 32 – e 1kg de cocaína. O suspeito morto, um feirante de 25 anos, tinha passagens por roubo e homicídio, segundo a Polícia Civil. Já o detido de 23 anos também tem passagem por roubo.