O show midiático em torno de Genoíno continua

Publicado em 28 de novembro de 2013

 

Artigo da insuspeita jornalista Hildegard Angel, publicado em seu blog, a respeito dos laudos médicos contraditórios sobre a saúde do deputado federal José Genoíno:

 

 

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José Genoíno, um coração e muitas sentenção

– Hildegard Angel

 

Não sou médica, acredito que a maioria de vocês que me leem também não é. Mas me preocupa ver se propagarem pelo país as vinhas dessa ira que nada se parece com a tolerância ou com os princípios básicos de convivência entre os homens.

Os controversos laudos sobre a saúde do deputado José Genoíno fazem refletir.

Leiam aqui a Conclusão, não divulgada, do Laudo feito pela equipe da Câmara dos Deputados:

“trata-se de indivíduo sob risco de desenvolver futuros eventos cardiovasculares e progressão da doença considerando, em especial, os seguintes fatores: a idade, a presença de falsa luz (falso lumes) arterial parcialmente trombosada, o diâmetro da porção proximal do arco aortico de 41mm, o controle inadequado da pressão arterial e a labilidade da coagulação sangüínea por meio de RNI (Razão Normatizada Internacional). Nestas circunstancias, a atividade laboral poderia acarretar riscos de descontrole da pressão que, em associação a anticoagulação inadequada, aumentaria o risco de eventos cardíacos e cerebrais.”

Tradução: o deputado José Genoíno traz uma “bomba relógio” ativa dentro do peito (definição de Paulo Henrique Amorim).

laudo-genoino

Laudo da Câmara com a Conclusão em vermelho

Tudo é mesmo estranho, nebuloso, confuso…

São tantos interesses políticos, midiáticos, tamanha histeria insuflada, tal ódio envolvido, que qualquer noção de humanidade ou respeito ou ética é posta de lado, quando se trata de abordar um assunto de saúde extremamente delicado, de um cardiopata em situação aguda, com risco de um novo infarto, um derrame, morte.

O blog O Cafezinho, do jornalista Miguel do Rosário, se deu ao trabalho de saber quem são os médicos que examinaram José Genoíno na Papuda, a pedido do presidente do STF.

Eles são, revela o blog, os doutores  Luiz Fernando Junqueira Júnior, Cantídio Lima Vieira, Fernando Antibas Atik, Alexandre Visconti Brick, e Hilda Maria Benevides da Silva de Arruda.

O professor de cardiologia da Universidade de Brasília e presidente da junta, dá nome à Turma Luiz Fernando Junqueira Junior – Medicina UNB, com página no Facebook, cujo administrador posta ofensas a Genoíno.
 
O cardiologista Cantídio Lima Vieira é um dos “Marajás do Jaleco”, segundo denúncia feita pela revista Isto é, de que, além dos salários de até R$ 40 mil, os médicos do Senado recebem  verba do Congresso para atender em suas clínicas particulares.
 
Um deles, Alexandre Visconti Brick, é evangélico que participou daquela “oração da propina” com um deputado do DF que hoje está foragido; outro, Alexandre Visconti Brick. já manifestou seu entusiasmo, no Twitter, pela prisão dos réus do “Mensalão”.  A cardiologista Hilda Maria da Silva de Arruda. da Silva de Arruda, no Facebook, chama o programa Mais Médicos de Maus Médicos.
 
Uma junta médica cuja impressão é de ter sido selecionada mais pela antipatia ao que politicamente o paciente representa do que pela biografia médica. Vale acessar O Cafezinho e ler a matéria completa e detalhada:
 
http://www.ocafezinho.com/2013/11/27/barbosa-contratou-medicos-antipaticos-ao-pt-para-tratar-do-caso-genoino/

Enquanto isso a médica da Papuda, a gerente da Saúde Prisional da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, doutora Larissa Feitosa de Albuquerque Lima Ramos,  em entrevista ao R7, declarou:

— Dos 1.600 presos do CIR [Centro de Internamento e Reeducação], ele era o quadro mais grave. Na verdade, de todo o sistema prisional, nunca recebemos um caso assim, de um paciente que passou por uma cirurgia tão grave.

Disse mais:

— Falamos para o juiz da VEP [Vara de Execuções Penais], fomos bem claros que estávamos preocupados com a saúde dele. Aqui [na Papuda], não temos condições de atender um caso como o dele. Como o quadro clínico estava instável, nós falamos que ele não tinha condições de ficar no presídio porque não temos atendimento 24 horas. Quando acontece alguma emergência, temos que chamar o Samu ou usar a ambulância da Papuda. No caso dele, poderia não dar tempo e ser fatal.

Segundo a reportagem: “os médicos, que nunca haviam recebido um paciente com esse quadro, tinham receio de que não desse tempo de atendê-lo em caso de emergência”.

Vamos doar livros às crianças de Marabá?

Publicado em 28 de novembro de 2013

 

 

Você tem livros infanto-juvenis sem utilidade em sua casa, ou qualquer outro tipo de publicação do gênero que esteja em desuso junto a você e à sua família, a Biblioteca Orlando Lobo está precisando demais disso.

São publicações que terão destino certo, para atendimento a quem não está tendo acesso à leitura.

Vamos, entre nessa onda, sintonize essa ideia.

Livros

Zé Geraldo exige apuração de fraude eleitoral em Parauapebas

Publicado em 28 de novembro de 2013

 

O Partido dos Trabalhadores  está em guerra, agora declarada pelo deputado federal Zé Geraldo contra o resultado da eleição para presidente estadual, da legenda, em Parauapebas.

Em nota distribuída esta manhã à imprensa, o parlamentar acusa a tendência AS de ter praticado fraude no PED.

É isso que se denomina antropofagia pura.

Eis a nota assinada por Zé Geraldo:

 

 

 

         O Partido dos Trabalhadores – PT é o único partido do mundo que realiza, periodicamente, eleições diretas para a sua direção partidária em todos os níveis, numa importante demonstração de democracia direta e representativa.

O atual Processo de Eleições Diretas do PT (PED) foi coroado de êxito em todo país. No Estado do Pará, tanto no primeiro, quanto no segundo turnos, transcorreu normalmente, em todos os municípios. Por isso, na condição de candidato a Presidente do Diretório Regional do PT do Pará, nós exigimos a rigorosa apuração da denúncia de fraude no processo eleitoral do segundo turno, realizado no município de Parauapebas, uma vez que, na nossa avaliação, compromete o resultado do pleito, com a introdução artificial e irregular de mais de 400 votos, alterando o resultado e desrespeitando a vontade soberana do conjunto dos filiados paraenses que foram às urnas no último dia 24 de novembro.

Pelo depoimento de vários filiados e militantes do PT de Parauapebas, inclusive de um dos fundadores do PT do Pará e que foi Secretário Municipal por 8 anos, a hipótese mais provável é que o crime eleitoral tenha ocorrido mediante o seguinte “modus operandi”:

1. Foram instaladas 04 urnas, pró-forma, para que os eleitores que eventualmente comparecessem pudessem votar;

2. Estima-se que menos de trezentos filiados compareceram para votar no segundo turno. Não houve a mobilização e transporte de eleitores, à exemplo do primeiro turno, quando 03 candidatos disputaram a presidência municipal e votaram pouco mais de 600 filiados. Contudo, o resultado informado é de 714 votos para Milton Zimmer e 28 votos para Zé Geraldo, sem falar dos votos nulos e brancos.

3. As eleições foram encerradas as 17h00 e Parauapebas foi o primeiro município do Estado a anunciar o resultado, precisamente as 17h50, mesmo sem ter chegado a urna da zona rural. A hipótese é que sequer conferiram as poucas cédulas coletadas nas 04 urnas.

         Caso seja necessária a judicialização da denúncia, vamos requerer ao delegado, que ficará responsável pelo caso, a reconstituição material do crime.

         Ontem, dia 26 de novembro, representantes da nossa candidatura foram covardemente agredidos na Sede do PT de Parauapebas, pelos militantes conhecidos como Parazinho e Professor Pedro, quando foram entregar formalmente o Recurso à Comissão Organizadora Eleitoral (COE). Registraram ocorrência policial e esperamos que também este crime, de lesão corporal, seja apurado e punidos os responsáveis. Esta reação violenta, somada à negação do acesso à documentação das eleições reforça a suspeita de fraude, uma vez que, “quem não deve não teme”. Nossa solidariedade aos companheiros agredidos.

         O prazo para que os municípios encaminhem a documentação das eleições para a Direção Regional do PT estende-se até esta sexta-feira. Temos recebido informações de que vários filiados estariam sendo visitados para assinar, de próprio punho e de forma retroativa, uma nova lista de votação, com a clara intenção de refazer e maquiar a documentação oficial.

         Por isso, pedimos encarecidamente aos filiados do PT de Parauapebas, que eventualmente forem sendo procurados, para que NÃO ASSINEM A NOVA LISTA DE VOTAÇÃO DE FORMA RETORATIVA E QUE DENUNCIEM O FATO, contribuindo, assim, com a lisura do PED.

         Por outro lado, em nosso nome, em nome da nossa tendência e de todas as forças políticas e lideranças que apoiaram a nossa candidatura, solicitamos à Comissão de Organização Eleitoral estadual que avoque para si a apuração destas denúncias, considerando que o Pleito é Estadual e que em Parauapebas perderam-se as condições de segurança e tranqüilidade necessárias.

         Finalmente, esperamos contar com o apoio de todos os dirigentes do PT do Pará e do Brasil para que seja garantida a rigorosa apuração destas denúncias e para que seja respeitada a vontade de todos os filiados que generosamente se dirigiram às urnas no domingo próximo passado, preservando a imagem do PT como um partido sério e estratégico para a luta dos trabalhadores.

         Água Azul do Norte, 27 de novembro de 2013.

         Atenciosamente,

         Deputado Federal Zé Geraldo – candidato a presidente do PT do Pará.

O principal combustível da impunidade

Publicado em 26 de novembro de 2013

 

Artigo da advogada Mary Cohen, publicado no portal Amazônia Real, que acaba de ser incluído na relação de finalistas do VII Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo (categoria Mídia On Line, Alternativa e Comunitária), aborda a questão da impunidade no campo, tendo como foco o julgamento de  Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”,

Mary já andou escrevendo também para o nosso blog, quando tratou da maioridade penal.

Leiam o artigo publicado no Amazônia Real, que é editado pelas jornalistas  Liége Albuquerque, Kátia Brasil e Elaíze Farias.

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O julgamento de um mandante

Mary Cohen   

 

O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”, foi condenado a 30 anos de reclusão pela coautoria no homicídio duplamente qualificado da missionária norte- americana, naturalizada brasileira,  Dorothy Stang, 73 anos, morta em 2005. Foi o quarto julgamento e a sentença foi prolatada pelo juiz titular da 2ª Vara do Júri de Belém, Raimundo Moisés Alves Flexa, às 23h30 do dia 19 de setembro de 2013.

Essa foi a sexta sessão de julgamento popular em que acusados de participação e execução da religiosa, morta em Anapu, no sudoeste do Pará, foram submetidos.

O primeiro julgamento, em 2007, “Bida” foi condenado a 30 anos de prisão. No ano seguinte, teve direito a novo júri. Na ocasião, foi absolvido. No entanto, o julgamento foi anulado por fraude processual. O terceiro julgamento condenou Vitalmiro Bastos de Moura, mas, alegando cerceamento de defesa, os advogados do fazendeiro conseguiram a anulação da sentença.

Por maioria, os jurados consideraram o réu culpado e a sentença foi fixada em 30 anos de reclusão. Eles foram sorteados em um universo de 25 jurados efetivos. O plenário do Fórum Criminal de Belém permaneceu lotado durante todo o julgamento.

A defesa do fazendeiro levou, como novidade para obter sua absolvição, uma testemunha, o agente da Polícia Federal, Fernando Luiz da Silva Raiol, que participou das investigações de identificação dos autores do crime. Em depoimento, Raiol acusou o então delegado de Anapu, Marcelo Luz, de ter fornecido, ao executor Rayfran das Neves Sales, a arma que efetuou os disparos, posto que cobrava, dos fazendeiros, para fornecer segurança particular.  Raiol foi condenado por extorsão e sequestro, sendo que, na prisão, conheceu o “Bida”, onde se tornaram grandes amigos.

O ponto alto, digamos assim, da acusação foi a apresentação de trechos do documentário sobre a missionária, onde os advogados de defesa do Bida, despudoradamente, achincalham a memória da missionária assassinada, o que me fez sentir vergonha alheia, confesso.

O julgamento do fazendeiro, infelizmente, é uma exceção nos crimes por encomenda, tanto é assim que ele, o “Bida”, é o único mandante atualmente preso aqui no Pará, não obstante o Estado ostente o triste título de campeão de assassinatos por encomenda no campo.

A impunidade pelos crimes cometidos, a grilagem, a ocupação predatória da terra, a falta de regularização fundiária e a não implementação de uma reforma agrária são apontadas como as principais causas da violência no campo.

Desde a ditadura militar, o modelo de “desenvolvimento” para a Amazônia se baseia na grilagem de terras com prática de violência na destruição dos recursos naturais para produção agrícola e pecuária, além dos grandes projetos.

A cadeia da impunidade engloba, em sua maioria, a seguinte equação: o financiamento do agronegócio pelo Poder Executivo, a flexibilização das leis pelo Legislativo e a impunidade pelo Judiciário, simples assim.

A região é tratada como se fosse uma área desabitada, mas é povoada por comunidades milenares, como as indígenas, e seculares, como as de quilombolas, pescadores e ribeirinhos. Essas áreas habitadas, por sua vez, carecem da regularização acompanhada, é claro, da reforma agrária.

A impunidade em relação aos crimes cometidos contra as pessoas e o meio ambiente incentiva a violência no campo, sendo seu principal combustível.

Além da impunidade, a violência também é associada às deficiências dos programas de reforma agrária. Sem atividade econômica certa e necessitando sobreviver, o assentado muitas vezes vende o lote e migra para área onde volta a conviver com o antigo problema da disputa pela terra ou, ainda, permanece no lote, mas recorre à extração ilegal da madeira, acentuando o problema do desmatamento.

Esse, infelizmente, é o cenário atual e o fato de um mandante estar preso não significa que novos tempos estão chegando. Ainda há muito chão pela frente até que o cenário mude de verdade e a Amazônia possa seguir seu curso sem espirrar o sangue dos seus defensores.

OAB pede que CNJ investigue “Barbosão”

Publicado em 25 de novembro de 2013

 

 

Foi aprovada, na tarde desta segunda-feira (25), por unanimidade, pela Ordem dos Advogados do Brasil, uma decisão que é ainda mais grave do que uma simples moção de repúdio ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. A OAB irá cobrar do Conselho Nacional de Justiça uma investigação sobre a troca do juiz responsável pela execução das penas do chamado “mensalão”.

Após pressões de Joaquim Barbosa, repudiadas por juristas e advogados, o juiz titular da Vara de Execuções Penais, Ademar Vasconcelos, foi substituído por Bruno Ribeiro, filho de um dirigente do PSDB do Distrito Federal. A decisão fere direitos da magistratura e também dos réus.

A decisão causou espanto na magistratura. ”Eu espero que não esteja havendo politização, porque não vamos permitir a quebra de um princípio fundamental, que é uma garantia do cidadão, do juiz natural, independentemente de quem seja o réu”, afirmou João Ricardo dos Santos Costa, presidente eleito da Associação dos Magistrados do Brasil. Segundo o jurista Claudio Lembo, já existem razões objetivas para o impeachment de Joaquim Barbosa. Os juristas Dalmo de Abreu Dallari e Celso Bandeira de Mello publicaram um manifesto em que defendem uma reação do Supremo Tribunal Federal, para que a corte não se torne refém de seu presidente.

A OAB agiu em resposta a uma cobrança pública feita no início desta tarde por um ex-presidente da entidade, José Roberto Batochio, em reportagem publicada no 247.  ”Se alguém pode trocar um juiz, porque acha que este será mais rigoroso com os réus, deveria também ser facultado aos réus o direito de escolher o juiz pelo qual querem ser julgados”, disse Batochio.

Pela primeira vez na história, o Conselho Nacional de Justiça receberá um pedido de investigação contra um ato de seu próprio presidente, uma vez que Joaquim Barbosa, como chefe do STF, acumula também o comando do CNJ.

O criminalista José Roberto Batochio, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, cobra da própria OAB uma atitude mais firme diante dos desmandos do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Segundo ele, o sistema judiciário brasileiro tem dado exemplos recorrentes de “heterodoxia” na Ação Penal 470. Batochio afirma ainda que “o silêncio da OAB já foi além do razoável”.

A polêmica mais recente diz respeito à determinação feita por Joaquim Barbosa para que o juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Ademar Vasconcelos, que conduzia as prisões da Ação Penal 470, fosse substituído por Bruno Ribeiro, filho de um dirigente do PSDB do Distrito Federal. Em relação ao caso, Batochio faz até uma piada. ”Se alguém pode trocar um juiz, porque acha que este será mais rigoroso com os réus, deveria também ser facultado aos réus o direito de escolher o juiz pelo qual querem ser julgados”, afirma.

A decisão, segundo Batochio, desrespeita a magistratura como um todo, uma vez que os juízes têm vários direitos assegurados, e também a defesa – uma vez que todo réu tem direito ao chamado juiz natural.

Não custa lembrar que Barbosa tentou minar a atuação de Ademar Vasconcelos antes mesmo das prisões, uma vez que, dez dias atrás, já havia mandado as ordens de prisão para Bruno Ribeiro, que estava de férias – e não para o juiz natural.