O erro e a sacanagem

Publicado em 28 de fevereiro de 2007

Todo ano a cena de repete. Os bacuraus ditos responsáveis pela defesa civil são pegos de calção, no meio da chuva, anunciando, com bastante atraso, “estarem tomando medidas cabíveis” para atender aos flagelados, enquanto estes invadem prédios públicos em busca de abrigo. Se a Defesa Civil tem seus servidores mensalmente pagos pelo dinheiro do contribuinte, por que não planejam com antecedencia a locação dos abrigos para o encaminhamento programado das famílias desalojadas? Por que as prefeituras, se em primeira instância são as que permitem o surgimento de aglomerados em áreas baixas das cidades, revelam sempre despreparo no enfrentamento do flagelo? Já que permitiram a construção de casas nas regiões atingidas pelas cheias do Itacaiúnas e Tocantins, prefeitos e vereadores deveriam ser responsabilizados pelos maus tratos dispensado aos desalojados nessa época do ano, com algum tipo de pena civil destinada a corrigir a repetição das barbáries comumente registrada na primeira subida das águas.

Como carcará

Publicado em 28 de fevereiro de 2007

Na esteira da miserável situação em que permanecem ao relento, as familias flageladas (parece propositalmente exposta para esse fim) são alvos cobiçados da classe política. Como que expostos numa vitrine de açougueiro, aparece de tudo: vereador distribuindo carne, outro entregando medicamentos (muitos deles com prazo de validade vencido) e, como nao poderia deixar de ser, o prefeito prometendo farta doação de botijões de gás e agasalhos. Isso é parte da ´cultura´ das comunidades ribeirinhas, vem desde tempos de bisavós. Não era mais pra ser assim. A evolução ética tem provocado mudanças em tantas coisas neste país, só não atingiu em cheio o clientelismo e a proliferação da indústria da cheia. Acho até que o Ministério Público, mesmo sem ser provocado, pode acompanhar isso de perto para dar um freio de arrumação no uso indevido da miséria dos outros.Os respeitados promotores tem esse poder, não tem doutor?

Mudança sem volta

Publicado em 28 de fevereiro de 2007

Este ano, o poster tentará levantar os custos de atendimento aos flagelados de Marabá, criando planilha com despesas de transporte, combustível, alimentação, distribuição de gás de cosinha, agasalhos, medicamentos, montagem de abrigos, recuperação de prédios públicos e da infra-estrutura urbana. Tentará incluir também o que representa essa demanda para os cofres da Celpa e Cosanpa – duas empresas que também tomam prejuízos incalculáveis. Logicamente, só teremos essea dados depois da cheia, mas já dá para ter idéia do tamanho do drama e o que ele representa para o bolso do contribuinte.
Bem mais barato seria enfrentar de frente essa questão, proibindo, se possível até com penalidades de lei municipal, a costrução de casas em áreas baixas – como medida inicial. Numa segunda etapa, estimular a retirada de quem já mora naquelas baixadas, construindo casas populares dignas em regiões mais altas. Quem não aceitasse amigavelmente a mudança de “ares”, ficaria responsável pela própria mudança futura dos terrenos alagados e idenização de danos que viesem acarretar ao erário a permanência delas em áreas proibidas.
Sai mais barato. Prova a existencia de governabilidade e a melhoria, isto sim, da qualidade de vida de muita gente.

Coragem e bom senso

Publicado em 28 de fevereiro de 2007

O poster nasceu na beira do rio Tocantins, tão perto que aos quatro anos já sabia nadar em suas águas. Na alma e na condição de menino do interior, foi doído deixar a cidade para estudar em outras paragens. A vontade de voltar para a mesma casa de frente para o rio, perturbava-me, deixava o coração partido. Isso me perseguiu por muitos anos. Até hoje, tenho imagens gostosas do cheiro da água do Tocantins. Mas, decididamente, jamais voltaria a morar no mesmo lugar – todo ano atingido pela cheia. O poster mesmo e sua familia tiveram que fazer várias mudanças, enquanto ali moravam.
A quebra de paradigmas é uma necessidade. O tal ´fator cultural´ tantas vezes usado, e sempre repetido por quem não quer pegar o boi pelo chifre, para justificar a permanência de moradores nas regiões mais baixas de Marabá, precisa ser combatido. Os problemas sociais do município são graves e aumentam anualmente à reboque do crescimento da cidade, tudo enfrentado com recursos que diminuem na preoporção inversa das demandas acumuladas. Sem falar do surgimento de municípios competitivos e que disputam com o mesmo ardor os recursos destinados aos setores de infra-estrutura, saúde, educação e saneamento.
Quem se atreve a segurar essa bandeira?