Selvageria guseira

O setor guseiro sedimentado no estado de Minas Gerais sempre foi controlado por empresários gananciosos pouco afeitos ao debate das questões macro. Suas preocupações visam exclusivamente interesses pessoais -, em nome dos quais movimentos inescrupulosos afloram na maior naturalidade -, desprezando por isso as boas relações e o respeito até entre os próprios colegas usineiros.
No início da implantação do distrito industrial de Marabá, essa cultura medieval foi transportada com todas as letras para aquele parque, acompanhada de conseqüências danosas aos setores mais diversos da sociedade, entre elas, o desprezo total a valorização dos bens municipais, evasão de tributos, importação de mão-de-obra em detrimento do trabalhador regional, transferência do faturamento líquido das empresas às contas bancárias de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e entorno -, entre muitas outras sacanagens.
Apesar de poderoso, o setor guseiro sempre foi visto pelos demais segmentos da economia nacional como atividade marginal, exatamente em decorrência desse perfil “acabraiado” construído ao longo dos anos pelos principais donos desse tipo de siderurgia.

Saco de maldades

13 de dezembro próximo é a data limite para o vereador Maurino Magalhães (PL), presidente da câmara de Marabá, colocar em votação proposta de mudança de artigo da Lei Orgânica permitindo a reeleição da mesa diretora do lesgialativo. Candidato declarado a prefeito, obviamente ele é o mais interessado na aprovação desse casuismo na luta que vem travando para chegar com fôlego até junho de 2008, período das definições dos nomes que disputarão o pleito municipal.
Sem a renovação de seu mandato presidencial por mais dois anos, Maurino sabe que será engolido apetitosamente pelo prefeito Sebastião Miranda com quem mantém relações meramente institucionais, entremeadas de ranger de dentes.
Mudança regimental exige votos de 2/3 dos parlamentares. Como a câmara de Marabá é constituída de 12 vereadores, a reeleição só passa se oito deles estiverem de acordo. Os defensores da proposta garantem que Maurino tem sete votos assegurados.
Caladinho-sa-silva, ao seu estilo, Tião Miranda só está observando. Dizem que ele não comenta o assunto com ninguém, mas quem o conhece sabe da existência de um saco de maldades a ser aberto momentos antes da matéria ir à votação. Renovar o mandato de Maurino é algo que ele não negocia.

Gaiola das loucas

Integrante da equipe contratada para produzir os programas eleitorais de Almir Gabriel conta que nunca participou de uma “campanha tão desmiolada”. O estresse se instalou do início ao fim provocado sempre pelo candidato Almir Gabriel. Diz que o tucano alternava momentos de solicitude (raros, por sinal) com mau-humor quase constante, tratando deseducamente seus interlocutores de marketing quando discordava do perfil do programa.
Não foram poucas as vezes em que Gabriel rasgou textos preparados antecipadamente para gravação de falas do candidato. Rasgava e dizia que o texto era o dele, ali improvisado.
Em alguns momentos, Orly e outros competentes profissionais integrantes da equipe quase chegaram a perder o controle emocional, contando até três para nao mandar o tucano para “aquele lugar”.
Não falaram, mas pensaram, em diversos casos ocorridos, dizer a famosa frase.

Sujeira no salão

Em minha coluna dessa terça-feira(14), no DIÁRIO DO PARÁ, contei que a decisão de publicar o panfleto ofensivo à Ana Júlia e seus aliados foi excluisva de Ronaldo Brasiliense e Almir Gabriel. Faltou completar que a operaçao “sodoma & gomorra” chegou ao conhecimento de Orly Bezerra três dias antes da imoralidade ter sido distribuída. O publicitário tentou demover Brasiliense da idéia considerando a “jogada”altamente prejudicial à campanha de Gabriel. Numa das conversas com o jornalista que se encontrava em Brasília consumando a edição da encrenca, Orly teria se exaltado, sem conseguir deletar a decisão já consumada.
O caso teria sido comunicado a Simão Jatene que lavou as mãos. Ele não tinha nenhum controle sobre as decisões de campanha, literalmente centralizadas em Almir.

A Versão do médico

O médico Raimundo Sobrinho, do Hospital Regional do Sudeste, envia e-mail fazendo esclarecimentos a respeito de problemas ocorridos naquela unidade de saúde. Na íntegra:

Acho que você deveria se informar melhor em relação ao funcionamento do Hospital Regional porque suas criticas podem acabar afetando os profissionais que aqui trabalham e que não tem nada a ver com disputas políticas. Em primeiro lugar, nós, médicos, nunca permitiríamos que o hospital funcionasse sem que tivesse condições de atender os pacientes; não iríamos colocar em risco nossa carreira por ninguém. O HRS, quando começou, não estava em funcionamento pleno, porém tinha todas condições da atender cirurgias de urgência em todas as especialidades. Na primeira semana foram feitas varias cirurgias, inclusive, esses pacientes fatalmente teriam que ir buscar atendimento fora se o HRS não estivesse funcionando.
A primeira neurocirurgia, por exemplo, foi realizada no dia 28/10, em um garoto que caiu de bicicleta e fez traumatismo cranioencefalico o que ocasionou um hematoma extradural e fratura do osso frontal no cranio. Se não tivesse sido operado logo poderia ir a obito ou ficar com sequelas importantes,. Depois disso foram feitas varias cirurgias neurologicas em pacientes vitimas de acidentes; cirurgias ortopédicas, bucomaxilofacias, inclusive, plástica reparadora no dedo de um paciente pobre que não teria a mínima condição de pagar seu tratamento.
Nós médicos não estamos aqui brincando. O caso da senhora (falecida no hospital, de 69 anos), não houve omissão médica, mas problema de comunicação. Aqui no Regional tem cardiologista com mestrado. Aliás, o único medico com mestrado na região inteira.
A maioria dos médicos veio de fora – por não ter profissionais de suas áreas na cidade -, e com equipes prontas para atendimento de alta e média complexidade.
Em relação ao atendimento na portaria , no começo sempre se registram muitos problemas, porque esse é um hospital de referencia para média e alta complexidade e as pessoas ainda não entendem que não adianta vir diretamente. O paciente tem que ser direcionado, senão o HRS perde sua função principal e passa a funcionar como mais um pronto-socorro que não é seu objetivo.