Reforma Agrária que não se faz

Publicado em 14 de abril de 2008

Advogado Ronaldo Barata comenta, a propósito do post Objeto é a Floresta no Chão:

A história relatada pelo nosso querido Ademir, é de significativa importância e deveria ser obrigatoriamente lida não só pelos que, como autoridades, dirigem a execução da Reforma Agrária, como por todos os que se preocupam com os destinos da Amazônia. O autor é insuspeito e merece credibilidade.

Quem conhece o Ademir, sabe que sua alma de poeta e seu senso de justiça, sempre os colocaram entre aqueles que defendem os mais desvalidos e lhe dá, com justiça, a postura de um homem de esquerda. Jamais, ao Ademir, se poderia imputar um viez conservador e retrógado.
Infelizmente, a história relatada é o retrato vivo da incapacidade governamental de implantar um plano nacional de Reforma Agrária que resgate, na verdade, os milhões de brasileiros que vivem em busca de terra para trabalhar e produzir.
Como sabes, fui Superintendente do Incra e Presidente do ex-GETAT e participei da elaboração do primeiro plano nacional de reforma agrária e, em consequência, do regional. Como executor, nos quase 4 anos de direção do Incra, promovi a desapropriação e aquisição de mais de 2 milhões de hectares de terras, destinando-as para a criação de projetos de assentamento.
Hoje, decorridos mais de 20 anos de tais ações, quando percorro, em especial o sul do Pará, fico entristecido pelo que vejo. As áreas desapropriadas não se transformaram, como deveriam, em polos de produção. E o que mais estarrece é verificar que os assentados não correspondem àqueles que deram origem aos processos de desapropriação, o que está me forçando, caso consiga encontrar tempo, a escrever a história “da reforma agrária que não fiz”.
Parabenizo o Ademir pela sua coragem e honestidade intelectual e prometo retornar sobre o assunto.
Abraços do Ronaldo Barata