Quando a pilantragem não pode ter espaço

Publicado em 10 de julho de 2013

 

 

Grupo de ex-comissionados, grande maioria  que nada fazia na administração Maurino Magalhães, a não ser embolsar recursos públicos sem enfiar um prego em barra de sabão, engatou uma pressão nas dependências do Legislativo, prometendo retornar  nesta quarta-feira em ato de protesto, exigindo que a prefeitura pague seus salários que o próprio Maurino deixou de quitar.

A pressão desta terça-feira, 9, não surtiu o efeito esperado pela galera, isto porque os vereadores  presentes resistiram aos apelos para apoiar movimento  que obrigue  a prefeitura a pagar, ainda neste mês de julho, os proventos do calote promovido pela gestão anterior.

Os parlamentares têm consciência de que essa demanda de comissionados não deve merecer prioridades, em tempos de finanças pré-falimentar herdadas pela administração atual.

Pior: demanda originária de um setor que, de alguma forma, deu sua contribuição para o município encontrar-se na atual situação

Como o prefeito João Salame já havia acordado que esses salários atrasados na gestão anterior começariam a ser pagos em julho, embora a maioria dos postulantes não o  fizesse jus   -, e a Justiça bloqueou mais de R$ 6 milhões para o pagamento de pensão a ex-prefeitos e parte de indenização do KM 7, também não quitados na gestão de Maurino, obrigando o Executivo a suspender  a deliberação dos atrasados, os DAS de Maurino decidiram peitar o prefeito, através da Câmara Municipal, depois que o prefeito adiou para agosto o tal pagamento.

Não obstante os parlamentares estejam imbuídos em  dar sustentação às medidas duras do Executivo, para vencer os vendavais herdados, decididamente,  é preciso  demonstrar aos comissionados, com  mais firmeza e determinação, que o município não pode, jamais, contemporizar com demandas que venham tornar mais delicada a situação financeira da prefeitura, na luta para superar suas dificuldades.

Não podemos deixar de registrar a determinação com a qual o prefeito vem gerindo as ações municipais, sempre focando a arrumação das contas públicas e o direcionamento  correto de aplicação dos recursos públicos.

Salame não pensou duas vezes quando determinou a prisão de dois  funcionários que praticavam irregularidades na condução do serviço público.

Decidiu, com coragem e altivez, assinar ato de cancelamento da pensão de ex-prefeitos, aposentadoria ilegal que consumia, mensalmente, cerca de R$ 70 mil para o benefício de apenas onze pessoas.

Agiu com a responsabilidade de quem recebeu os votos de sua população para exatamente fazer o que fez: cortar na carne, doesse a quem doesse, um mal que vinha  corroendo as contas públicos havia mais de vinte anos, sem que nenhum prefeito tivesse a coragem de cancelar uma imoralidade que tantos prejuízos já causou ao erário.

E, diga-se, com a agravante de detonar interesses de próprios familiares.

Registre-se, mais, o empenho com que vem perseguindo  a arrumação das contas públicos sem dar o cano nos servidores públicos realmente comprometidos com suas funções.

Não está sendo fácil para a prefeitura colocar em dia o salário dos concursados, em todos os níveis, que fecharam o ano de 2012 sofrendo a amargura  da soma de quatro meses em atraso, incluindo aí o décimo-terceiro.

Não está sendo factível o cumprimento do planejamento, dentro de prazos aventados, para retirar  do CAUC as restrições impostas ao CNPJ da prefeitura,  o maior nó dado na atual gestão público para acesso aos recursos disponibilizados em Brasília – tudo porque a cada dia uma nova bomba explode, atravancando a programação de obras elaboradas.

A partir do momento no qual Salame tornou público seu compromisso de pagar até os comissionados do Maurino (sim, até eles!),  o gesto, por si, já basta para medir o comprometimento do prefeito  com atos que ele poderia muito bom jogar na lata de lixo, já que não foram construídos por ele, considerando, mais ainda, que grande parte dessa galera atuou na linha de frente dos desmando que deixarão Marabá engessado por muitos anos.

No meio dessa galera que hoje “exige” o pagamento de seus atrasados, agora, já, tem gente que assinou atos geradores de desvio de recursos públicos, alimentadores de licitações fraudulentas, e outras mumunhas mais.

Claro, há as exceções. Há uma minoria que cumpriu suas tarefas a contento, aparecendo regularmente no emprego – e, talvez, seja por esta minoria que o prefeito decidiu pagar o calote.

Nada mais louvável, portanto, saudar a decisão do prefeito de baixar ato exigindo que cada comissionado que hoje “protesta” pelo pagamento de seus salários atrasados,  oficialize pedido de pagamento do que dizem ser seus direitos, através de requerimento encaminhado ao Gabinete do Prefeito.

Pronto!

Beleza!

Teremos agora o Raio X desse desenho de faz-de-conta.

Saberemos quem é quem.

Onde atuavam no governo passado, se realmente compareciam para trabalhar.

O poster abre bolsa de apostas para a descoberta de um manancial de “fantasmas”.

O prefeito, com esse ato, mais uma vez trás à público seu comprometimento com a verdade e com o zelo pela causa pública.

Os vereadores precisam, também,  firmar posição, sabendo que a população estará apoiando tal atitude, independente de perdas eventuais de “simpatizantes”.

Arriar as calças  diante de qualquer gritinho zombeteiro, acreditem, não é o melhor caminho para se fazer de Marabá a cidade do futuro que tanto sonhamos.