A participação cidadã não permite omissões

Publicado em 26 de janeiro de 2013

 

 

Filha de Hiroshi e Terezinha Yamada, acionistas do maior conglomerado   de lojas de departamento do Estado,  o Grupo Yamada, a empresária Márcia Yamada  não  revela nenhum  trejeito  de desprezo pelas causas sociais quase sempre perenizado pela elite paraense. Ao contrário,  seu lado participativo é exposto na decisão de criar, no Facebook, o  grupo “Tolerância Zero – Por uma Belém Melhor de se Viver”, espaço dedicado à discussão  dos problemas que afligem a capital.

Ao lançar a proposta na rede social, Márcia delimita com clareza a disposição de não permitir, corretamente,   a politização partidária do grupo:

 

Marcia Yamada

Informo a quem interessar possa que NÃO TENHO PARTIDO POLÍTICO, tenho AMIGOS que ESTÃO POLÍTICOS DOS MAIS VARIADOS PARTIDOS E IDEOLOGIAS… Acho um nojo quem de suas ideologias motivo para perseguir, pra se odiar, prejudicar,maltratar ou magoar outras pessoas.
Dito isto me sinto muito a vontade pra falar que nossa cidade e porque não nosso Estado está afundando na violência, na imundice, na falta de respeito, na falta de educação do povo, na falta de orientação no trânsito (que só coloca fiscalização pra multar e fazer caixa),na manutenção de nossas ruas.

E arremata, em outro post, o objetivo único da assinatura do grupo:

 

 

Marcia Yamada
Este grupo foi criado em um momento de intolerância total com o caos que Belém minha cidade, está passando em vários sentidos : Segurança, coleta de lixo, manutenção de ruas, educação, saúde, cultura. Convidem seus amigos publique, suas denúncias, fotos, indignações para ver se juntos mudamos esta triste realidade que estamos vivendo! Por amor a Belém, por amor ao Estado do Pará.

 

Em poucas horas de criado, o canal já tinha quase 300 membros, cujos participantes opinam e até denunciam situações inusitadas, como a imagem de um carro da Ctbel – órgão municipal encarregado de gerir o trânsito de Belém -,  estacionado em local proibido:

CTBEL

 

A importância de Márcia Yamada administrando um grupo de debates numa rede social é o peso que o seu nome carrega como avalizador da participação cidadã. Ou seja, enquanto a maioria das personalidades que orbitam o cume da pirâmide social belemita prefere gerenciar suas omissões, a jovem empresária  coloca a mão na massa e vai à luta.

Gesto que deveria muito bem ser imitado por outros belenenses proeminentes.

Para conhecer melhor a personalidade de Márcia,  há uma interessante entrevista que ela concedeu ao poeta  Ronaldo Franco, revelando sue lado mãe, filha e de mulher que tem consciência de sua obrigação de lutar por dias melhores para todos.

Abaixo, pequeno trecho da entrevista, que também pode ser lida em sua integralidade, AQUI. 

 

 

Ronaldo Franco : É possível farejar uma mentira “sincera”?

Márcia: Meu faro é incrivelmente treinado, e, diferente do Cazuza, nenhuma mentira me interessa…

Ronaldo Franco: Os machões gritam: “Há mulheres para namorar e mulheres para casar”. Há verdade nessa gritaria?

Márcia: Como se esta decisão partisse só deles . Há pessoas para tudo no mundo, para namorar, ficar, casar e até pra machões – machistas e burros!

Ronaldo Franco: O que lhe provocaria um dilúvio de saudade?

Márcia: Os meus sábados de “trabalho” com meu pai, quando, de mãos dadas, passeávamos pelo comércio, com parada obrigatória num boteco na esquina da Manoel Barata com a Frutuoso, para tomar uma abacatada ou um caldo de cana com pastel.