“4o Liquida Geral Marabá” do Conjove inicia na segunda-feira

Com 162 empresas participantes, duas a mais que em 2018, o CONJOVE (Conselho de Jovens Empresários),  está com tudo pronto para o 4º Liquida Geral Marabá, que acontece nos próximos dias 9 e 10 deste mês, segunda e terça-feira.

Este ano, segundo o presidente do CONJOVE, Caetano Reis Neto, mesmo com o número de empresas que aderiram à campanha sendo quase o mesmo do ano passado, a expectativa de faturamento é muito maior.

Em 2018 o faturamento total foi de R$ 13,5 milhões, mas, avalia Caetano, com a reação da economia, que já deu os primeiros sinais de melhora no País e, consequentemente, em âmbito local, a perspectiva é de que, nos dois dias de vendas “com preços arrasadores, descontos inacreditáveis e negócios imperdíveis”, o faturamento possa alcançar a casa dos R$ 18 milhões.

Este ano, o envolvimento de micro, pequenas e médias empresas continua sendo maior. No ano passado, das 160 empresas que aderiram à campanha apenas cinco eram grandes empresas. Em 2019, das 162, somente quatro grandes empresas estão envolvidas no Liquida Geral.

Os próximos passos, antes dos grandes dias são: a Palestra Motivacional e Vendas, para os colaboradores de todas as empresas participantes, na quinta-feira, dia 5 próximo, no Centro de Convenções, das 19h às 22h; e a entrega dos kits seguida da carreata de divulgação, na sexta-feira, dia 6.

 

A seguir, relação das empresas de comércio e prestação de serviços que participam do 4º Liquida Geral Marabá

 

MARABÁ PIONEIRA

A Ideal Tecidos, A Principal Bebê e Mamãe, A Renovar, Born in Rio, O Boticário, Casa do Celular, Chics Lazer, Chics Presente, Colchões Ortobom, Dani Biju, Domani Restaurante, Elos Calçados, Eva Store, Facce Nova Boutique, Fill a Fill, Grupo Futuro, Educacional, Liliani, Mais Modas, Maraluz, Maranata, Maria Calçados, Mercadão dos Óculos, Minas Calçados, Napas Karecone, Novo Tok, Oba Oba, Óticas Noelia Maia, Ótica Estilo, Óticas Helena, Óticas Helena – HR, Santo Sapeka, Som Três, Super Baratão, Top Fama e USE

 

CIDADE NOVA

Alditintas, A Principal Bebê e Mamãe, Beagah, Carro Chefe Supermercados, Center Aço, Chics Presente, Colchões Ortobom, Dani Biju, De Pneus, DM Materiais de Construção, Elos Calçados, Fill a Fill, Flor Doce Mercado, Intercomm, Itapuan Materiais de Construção, JJ Motos, Loscarvan, Maraluz, Mateus Autopeças, May Modas, Meg Presentes, Mel Calçados, Microlins, Mix Mateus, Novo Tok, O Boticário, Óticas Helena – Nagib, Óticas Helena – São Francisco, Paulistão, Proteção Master, Quality Lavanderia, Santo Sapeka, Saraiva Materiais Elétricos, Saraiva Tintas, Savassi, Uninter e USA Brazil.

 

NOVA MARABÁ

Agrinazi, Alditintas, Folha 28, Amazônia Ferro e Aço, Autopeças Araguaia, Carro Chefe Supermercado, Casa da Piscina, Casa do Borracheiro, Chics Presente, Colchões Ortobom, Colina Distribuidora, Composoft, De Pneus, Destinar, Di Casa Materiais de Construção, Disbrava Chevrolet, DM Materiais de Construção, Eroci 27, Erocci 32, Fermaq, Gráfica M & A, Intercomm, JJ Motos, Líder, Liliani, Loja 10, Mabvida, Magazan, Marabá Ferro e Aço, Maspara Corretora, Matel, Mateus Supermercados, Mercado Ativo, Metalnorte, Microlins, Morenta, Novo Tok, O Boticário, Óticas Hellena, Pedrita, Ponto Info, Posto Praça, Posto Verdes Mares, Privillege Hyundai, Revemar Veículos, Samurai Honda, Saraiva Materiais Elétricos, Savassi, Shopping do Pão Km 6, Sinacom e Stetic Car.

 

SHOPPING PÁTIO

Óticas Hellena, Savassi, Kattleya, Vogue, Mundo Verde, Magazan

 

LIBERDADE

Carro Chefe Supermercado e Net Company

 

LARANJEIRAS

Pisofort e Guinhazi

 

SÃO FÉLIX

JJ Motos e Camiño Supermercados

Rafael Negrão: jovem médico fala sobre Ecoendoscopia como diagnóstico preciso do aparelho digestivo
Rafael Negrão, na França, no Institut Paoli-Calmettes, Marseille,.
Rafael Negrão, no Institut Paoli-Calmettes, Marseille (França)

 

 

Como se sabe, doenças do estômago são comuns entre os brasileiros.

No país, cresce a cada ano registro de câncer de estômago.

Portanto, não deixa de ser, devido ao alto número da enfermidade,  problema de saúde pública.

São tantos os casos, que os médicos estão sempre atentos a qualquer possível manifestação da doença.

Pelo fato de ser de difícil detecção, o câncer de pâncreas, apenas como exemplo,  apresenta alta taxa de mortalidade, por conta do diagnóstico tardio e de seu comportamento agressivo.

No Brasil, é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por essa doença, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O câncer de pâncreas, um dos mais letais, e a oitava causa mais comum de mortes por câncer no mundo,  agora possui um novo exame para seu diagnóstico precoce no Estado do Pará,  a Ecoendoscopia Digestiva.

O precursor da nova tecnologia é o jovem médico paraense Rafael Negrão Almeida,   35 anos.

Membro de tradicional família belenense que empenha-se na  atividade profissional atuando no setor de saúde,  Negrão é filho do Dr. Edmundo Almeida, oftalmologista, Presidente da Associação Paraense de Retina e Vítreo, professor da Universidade Federal e UEPA.

Também tem duas irmãs atuando na área de oftalmologia: Dra.  Luciana Almeida,  e Izabela Almeida, que finaliza a residência de Glaucoma em São Paulo. 

Cirurgião e endoscopista, Rafael  já escreve uma trajetória de talento, dentro da especialidade, depois de quatro anos especializando-se em São Paulo e em diversos países.

O Estado do Pará, agora, é um dos poucos a oferecer este exame e outras revoluções tecnológicas da endoscopia digestiva à sua população, a exemplo de centros de referência como os hospitais Alberto Einstein e Sírio-Libanês, graças a competente atuação do jovem médico.

“Atualmente, estamos, em termos da tecnologia da imagem, junto com os grandes centros. A ecoendoscopia é considerada ‘padrão ouro’ no diagnóstico de algumas doenças pancreáticas e lesões da parede do esôfago, estômago, duodeno e reto. Além disso, hoje a Ecoendoscopia é um dos principais métodos de diagnóstico de Endometriose com acometimento do intestino ”, afirma Rafael.

Rafael estudou medicina na UFPA,  passando depois por rigorosos períodos de especializações em São Paulo, Jacksonville (EUA), Marseille (França) , e Guayaquil (Equador).

Nos Estados Unidos, Negrão fez especialização na  Mayo Clínic,  em Jacksonville, Estado da Flórida, um dos centros mais evoluídos no tratamento de câncer, transplantes de órgão, cirurgia e neurociência.

Em Marseille,  Rafael especializou-se no  Institut Paoli-Calmettes,  o maior centro oncológico da região sul da França – onde, acompanhado dos melhores e mais renomados profissionais da área do mundo, foi conhecer as novidades no diagnóstico do câncer, a fim de trazê-las para o Estado do Pará.

No Equador, Almeida aprofundou-se na especialização no IECED – Instituto Ecuatoriano de Enfermedades Digestivas, centro de treinamento da Pentax, uma das maiores marcas do mundo de aparelho de endoscopia.

Atualmente, no  Hospital Porto dias, Rafael Almeida oferece seus conhecimentos de medicina diagnóstica nas áreas de Endoscopia, Colonoscpia, Broncoscopia e Ecoendoscopia

Nesta entrevista, o jovem  cirurgião endoscopista fala  um pouco sobre as novas tecnologias e o que pode ser feito na  prática  para a garantia de uma medicina preventiva segura.

 

Rafa 3

 

Como é feito o procedimento da Ecoendoscopia, também conhecido como ultrassom endoscópico?

Rafael – A  ecoendoscopia é um procedimento onde, através de um endoscópio flexível, especialmente equipado com uma sonda de ecografia acoplada à extremidade do aparelho,  permite a realização de ecografia no interior do tubo digestivo. Dessa forma, o exame proporciona ao mesmo tempo a imagem da endoscopia e o ultrassom. O transdutor ecográfico permite obter imagens detalhadas das diversas camadas da parede do tubo digestivo em toda a sua espessura, bem como avaliar em profundidade outras estruturas vizinhas do aparelho digestivo, incluindo gânglios linfáticos, vasos sanguíneos, mediastino, pulmões, fígado, vesícula biliar, vias biliares e pâncreas.

 

A ecoendoscopia, nesse caso, estaria  superando em eficiência os tradicionais exames de tomografia e ressonância magnética?

Rafael –  Não! Mas a proximidade proporcionada pelo probe (sonda, em inglês) com os órgãos do aparelho digestivo transforma a ecoendoscopia em um exame com resultado algumas vezes superior à tomografia e ressonância magnética. Devido a essa característica inovadora, o exame é atualmente um dos melhores para avaliar o pâncreas, lesões da parede do estômago, esôfago, duodeno e também do reto.

 

O que significa a Ecoendoscopia com punção?

Rafael – Dependendo daquilo que constatamos na hora do exame (tumor, nódulo ou área suspeita), podemos realizar a  punção de determinada lesão. Punção significa colher amostras de tecido através de uma agulha ultrafina, o que funciona como uma biópsia. Esse procedimento é o grande benefício da ecoendoscopia, pois através dele pode-se obter amostra de lesões de órgãos não acessíveis por endoscopia convencional. Por esse método, em alguns casos, pode se evitar um procedimento cirúrgico. No Brasil, de modo geral, pela dificuldade que os pacientes têm para realizar exames especializados, o diagnóstico de doenças graves costuma ser tardio. A consequência é que a doença evolui rapidamente. Quando a detecção acontece precocemente, as chances de cura são muito maiores.

 

Ecoendoscopia baixa, para que serve esse procedimento?

Rafael – A Ecoendoscopia baixa ou ultrassom endoscópico transretal consiste em posicionar um transdutor de ultrassom no reto ou cólon (intestino grosso) para avaliação de lesões da parede destes órgãos ou estruturas adjacentes a eles. Por esse método, podemos avaliar lesões das camadas mais profundas da parede intestinal e o grau de invasão do órgão por tumores.

Esse procedimento é muito solicitado pelos ginecologistas  para avaliar as pacientes com endometriose, já que através dele obtemos um estudo mais fidedigno quanto ao acometimento da parede intestinal ou de estruturas próximas ao intestino. Por este método, como na ecoendoscopia alta, também podemos realizar punções (biópsias) no intuito de realizar diagnóstico de eventuais lesões.

 

O preparo para o procedimento de ecoendoscopia é igual a endoscopia tradicional?

Rafael – Sim! A ecoendoscopia é realizada da mesma forma que a endoscopia convencional, após jejum de oito horas e através de sedação. O aparelho é introduzido por via oral (endoscopia alta) ou retal (colonoscopia), conforme a indicação. As imagens são acompanhadas em tempo real pelo médico. O procedimento dura entre 15 e 60 minutos; e geralmente não é necessário internação.

 

Em quais casos a ecoendoscopia é indicada?

Rafael – É óbvio que, se a indicação partiu de um médico, não se discute se o exame precisa ser feito. A  principal indicação da ecoendoscopia é para avaliação de lesões da parede do esôfago, estômago, duodeno e reto. Dentre outras indicações, podemos citar: avaliação do câncer colorretal; avaliação de lesões císticas ou sólidas do pâncreas e de mediastino; Investigação de cálculos diminutos de vesícula -não visualizados no ultrassom convencional; diagnóstico e acompanhamento de mulheres com endometrio  A endoscopia é um dos melhores métodos para atingir certos segmentos do aparelho digestivo, recolher material, coisa que outros exames não fazem, e diagnosticar lesões, como o câncer. Fora isso, quem pertence aos grupos de risco deve fazer exames periodicamente. Pacientes que sofreram qualquer espécie de cirurgia no estômago e as pessoas com casos de câncer gástrico na família constituem os outros grupos de risco que demandam acompanhamento contínuo.

 

Sei como vocês trabalham atendendo muita gente. A pessoa entra na sala de exames, deita na maca, toma uma injeção na veia, o médico introduz o tubo, examina e, pronto, levada para a sala ao lado, ela espera o efeito da anestesia passar. Acordou, pode ir embora. Atendimento semelhante não poderia ser montado pelo Serviço Público para atender a população em geral?

Rafael– Existem vários problemas dentro do Serviço Público. Talvez o mais importante diga respeito à manutenção do equipamento. No Serviço Público, os aparelhos duram menos, porque são várias as pessoas que lidam com eles, muitas ainda na fase de aprendizagem profissional e ninguém se sente responsável por seu bom funcionamento. Além disso, parece não haver interesse em comprometer verba pública com contratos para mantê-los em ordem. Há, ainda, o problema dos acessórios que se desenvolveram muito. Logicamente, isso tem um custo com o qual o Estado muitas vezes tem dificuldade em arcar. Muitos colegas levam consigo o próprio equipamento para realizar os exames nos estabelecimentos públicos em que trabalham.

 

Numa endoscopia, quando se introduz o aparelho no esôfago de um paciente, o que se procura ver?

Rafael – Existe um padrão de normalidade que admite pequenas variações. A primeira coisa que se faz é examinar o órgão como um todo, verificar se está bem posicionado, se não apresenta desvios nem dilatações e simultaneamente ver se há alguma alteração em seu revestimento. O câncer, por exemplo, começa por aí. Ele quase nunca se inicia no fundo da parede. Começa na superfície, por isso é uma lesão que pode ser muitas vezes encontrada quando examinado adequadamente. O movimento de entrada do aparelho só é interrompido se existir uma lesão grande que exija investigação minuciosa. Caso contrário, vamos diretamente para o ponto mais distal que se pode alcançar no aparelho digestivo alto: o duodeno. Na volta, todo o percurso é examinado com mais detalhes. Se for necessário, colhe-se material ou faz-se uma coloração especial para evidenciar possíveis lesões. A endoscopia, como um todo, evoluiu muito nas últimas décadas. Pode-se introduzir o aparelho por todo o intestino grosso e entrar um pouco no delgado.

 

Nos  casos de câncer precoce, as lesões podem ser retiradas pela própria endoscopia?

Rafael  – Sim. Hoje, através da endoscopia, dispomos de várias técnicas para a retirada  desse tipo de lesão. Em alguns casos após a retirada endoscopica de uma lesão precoce o paciente pode ser considerado curado, evitando-se a realização de procedimentos mais invasivos como a cirurgia, radioterapia ou quimioterapia.

 

Alguns médicos recomendam que, após os 55 anos, todos deveriam fazer a primeira colonoscopia (endoscopia do intestino grosso) para retirar os pólipos e evitar que se transformem em câncer. Como prevenção, a colonoscopia deveria ser repetida a cada cinco anos na população como um todo. Você concorda com isso?

Rafael  – Sabemos que a colonoscopia é uma forma eficaz de prevenção. De fato,  é um procedimento importante, pois permite que os pólipos sejam detectados e retirados numa fase bastante inicial, prevenindo possíveis complicações posteriores, como o câncer. Além disso, através da colonoscopia podemos diagnosticar outras enfermidades importantes, como por exemplo a Doença Diverticular dos Cólons.

 

Diante da indicação de uma endoscopia, às vezes, as pessoas se incomodam com a ideia de que o aparelho possa não estar em condições higiênicas adequadas. Como explicar-lhes que isso não acontece?

Rafael –  Quanto ao risco de contaminação, a probabilidade é praticamente nenhuma. Antes de cada exame, os aparelhos passam por preparo minucioso, o que representa um custo financeiro, mas garante as condições de higiene e desinfecção. Por isso, é preciso escolher com cuidado onde se faz a endoscopia.

Especialização no Instituto Ecuatoriano de Enfermedades Digestivas, no um dos mais conceituados centros de formação formação em Ecoendoscopia.
Especialização no Instituto Ecuatoriano de Enfermedades Digestivas, um dos mais conceituados centros de formação em Ecoendoscopia.

 

Nota do blog: Em Belém, o exame de alta tecnologia da Ecoendoscopia  pode ser feito no Hospital Porto Dias.  O Sistema Único de Saúde ainda não disponibiliza a técnica e alguns convênios começam a dispor do procedimento.

Maior evento fashion consagrou marcas

Cris desfile 2

O Top Girls on the Red Carpet  já é considerado o melhor desfile de multimarcas de Marabá.

Promovido pela Cris By em parceria com o Grupo Zucavel e Ecoville Ypiranga, evento marcou o final de semana cercado de muito luxo,  beleza e encantamento.

Cristina Longo, idealizadora do  Top Girls, diz que  a festa foi de total irreverência.

“Mais uma vez a  mulher mostrou que tudo ela pode quando exercita comprometimento no que se faz. O sucesso do Red Carpet deixou todos nós flutuando de felicidade”, revela, radiante.

As imagens do ambiente da festa e os modelitos da moda falam por si.

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Cris 2

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Cris desfile

Faltam 2 dias para o Top Girls on The Red Carpet

 

Cris BY 3

O ambiente onde ocorrerá o evento está sendo configurado para não apenas emocionar.

Cercado de verde, água, luz e cores, o tapete vermelho será estendido para extasiar, criar um clima de total descontração.

“Queremos encantar nossos convidados”, diz Cristina Longo, idealizadora da festa,

O cenário do Ecoville Ipiranga está sendo concebido para seduzir.

As imagens do craque Jordão Nunes ilustram o que marcará  o mundo fashion.

Neste sábado, 28 – top é marcar presença no  Top Girls on The Red Carpet 2013.

Cris BY 2

Mil tons de Milton encantando a voz

 

Milton

Milton Nascimento rompeu no palco às 22h12, em meio ao refrão de “Bola de Meia, Bola de Gude”, cuja melodia estava, até então, a cargo do  saxofonista Widor Santiago, e o restante da maravilhosa banda que acompanha a turnê “50 anos de Travessia”

Como Bituca – apelido juvenil de Milton -, a música tem alma de moleque.

Carrega consigo imagens nostálgicas — de campinhos de areia àquela sensação que um dia tivemos de que o mais importante na vida era não jogar a bola para o lado do vizinho.

Passos arrastados, caminhando lentamente sobre o palco, Milton entrou em cena depois de cinco minutos de introdução da bela canção.

 

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão

 

Óculos escuros para se proteger do efeito cortando das luzes que afetam sua visão, cada dia mais comprometida  pelo diabetes que lhe persegue  há vários anos.

Ao alcance das mãos, numa pequena mesa estrategicamente colocada para facilitar seus gestos, dois  copos de guaraná diet  e outro de isotônico, para repor sais minerais e carboidratos.

 

Contemplar  Milton no palco com seus cabelos inconfundíveis, fez o tempo voltar mais que depressa.

A voz marcante, ao soltar-se na imensidão dos ares que vinham do Tocantins, trouxe o Clube da Esquina ao presente, sem a presença de  Wagner Tiso, Lô Borges, Beto Guedes, Márcio Borges, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Flávio Venturini,  Tavinho Moura e Toninho Horta, entre outros agregados, cocriadores do movimento musical surgido nas Minas Gerais e que revolucionou  o cancioneiro nacional.

O grupo e Milton fazem parte de uma coisa só, por isso, a cobrança de suas presenças, se pudessem ali estar.

Mas, convenhamos, seria pedir demais.

O que a programação do XVII Fecam nos proporcionou na gostosa noite de domingo, valeu por tudo.

Valeu pelo longo tempo de não ver Milton, valeu pelo eco de sua inconfundível voz, que um dia levou Elis Regina a declarar que se Deus tivesse voz, seria a de Milton.

Não cabe, claro, discutir aqui se Elis estava ou não, certa.

Talvez coubesse ao próprio artista perguntar-se que voz ou que Deus seria ele, como forma de  fecundar, religiosamente,  nossa idolatria  -, não apenas de nós  brasileiros, mas fãs e críticos do mundo todo.

O potencial do show de domingo, pelo menos pra mim, era arrasador.

De todos os meus  ídolos ainda vivos por aí – e não são muitos -, Milton era o único cujo qual ainda não havia presenciado em palco, ao vivo.

Inacreditável, mas verdadeiro.

E fui vê-lo, exatamente à beira do Tocantins, nas proximidades da casa onde nasci, um pouquinho mais abaixo onde está o palco montado

Neste ano de 2013,  Bituca assopra 120 velinhas: 70 de vida, 50 de carreira.

Mais que isso:  era a oportunidade para o município ganhar uma apresentação consagrada mundialmente, respeitada pelos maiores críticos de música, unanimidade nos palcos universais.

O show de Milton, representava  a oportunidade de se reafirmar a certeza de que o projeto cultural desenvolvido pela atual administração pública, sob a batuta do incansável secretário Cláudio Feitosa, é o caminho que temos para se construir um futuro melhor, absorvendo não apenas conhecimentos, mas um jeito diferente de olhar a confecção  dos eventos ditos culturais.

Se o que estava em cima do palco, lá na orla do Tocantins, verdadeiramente não era o Clube da Esquina,  posso afirmar  sem medo de errar: era um clubinho  da maior intensidade.

Quem sabe, um aperitivo póstumo daquele que, nos anos 60/70, foi um dos movimentos mais sinceros, ricos e despretensiosos da música brasileira.

Talvez por isso, o entrelaçar de expectativas entre os que estavam na plateia, formada, tenho certeza, quase em sua totalidade, por fãs do mais mineiro dos cariocas.

O público chegou a 5 mil, e isso não é exagero de entusiasta fã de Nascimento.

Fácil comprovar.

A secretaria de Cultura disponibilizou na praça, entre mesas e cadeiras espalhadas, lugares pra 3 mil pessoas.

Todas as mesas,  e cadeiras avulsas, foram ocupadas.

Afora esses dados, some-se o público que estava de pé, no entorno do palco.

Quando Milton começou a cantar “Clube de Esquina 2”, não coube em mim  de emoção -, ao lado de Sonia que veio exclusivamente para ver seu ídolo.

Ali estava um dos pedaços de mim.

E eu e ela, cantamos juntos, emocionados, um dos cantos que embalaram nossa juventude, pelas noites quentes de Belém.

 

Porque se chamava homem
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases
lacrimogêneos
Ficam calmos, calmos, calmos

 

Com água na boca, e o coração pulsando forte, queríamos mais.

Será que ele vai cantar “Um girassol da cor do seu cabelo”?, perguntou, aflita, Soninha, ligada na figura singela de Milton no palco.

Não, dessa vez nosso ídolo não a incluiu no repertório.

Nem “Cais”, uma das marcas do Clube de Esquina.

 

“Para quem quer se soltar / Invento o cais / Invento mais que a solidão de me dá…..”

 

Durante algumas vezes, entregaram o violão a Bituca. Numa delas para interpretar “Fé cega, faca amolada.

Deu para perceber que Milton ainda está desenvolto com o instrumento -, excessivamente agudo, quase metálico –, mas é visível uma certa limitação também nos movimentos das mãos.

É a doença filho-da-puta travando a mobilidade de seus braços.

Antes de “Lilia”, faixa instrumental do disco Clube da Esquina (1972), avisou: – “Essa música eu fiz para minha mãe”.

Ao meu lado, notei alguém reclamando da falta de letra da canção, como dito anteriormente, uma peça instrumental.

E, também, porque há uma justificativa para isso.

O próprio Milton, muitos anos atrás, ao explicar a origem da Lilia, disse que ela não tem letra porque mesmo todos os versos e livros do mundo não seriam capazes de descrever o significado fraternal de sua genitora.

Se no álbum a música soa leve e suingada, ao vivo ganhou um peso tamanho que a deixou fragmentada.

Durante sua execução, todos os instrumentistas tiveram seus momentos, com solos maquinados e não muito espontâneos Mas, por si, já bastaram como peça maravilhosa, barbarizada nas mãos de notáveis músicos.

Milton Nascimento se dirigia a cada um dos comparsas — Wilson  Lopes (guitarras), Gastão Villeroy (baixo), Lincoln Cheib (bateria), Kiko Continentino (teclados) e Widor Santiago ( sax) e ficava de costas para a plateia.

Mas cada movimentação no palco era uma verdadeira travessia.

Milton Nascimento quase não levanta os pés para caminhar. Os arrasta em passos mínimos e essenciais, como uma gueixa que caminha cuidadosa em direção a seu homem.

No palco da orla do Tocantins, “O Sol”, hit da também mineira Jota Quest, foi a surpresa do repertório.

A inesperada execução da música consagrada por Rogério Flausino  demonstra o interesse eterno de Milton Nascimento, que não se enclausurou em sua obra; e a unidade (não arrogante) da música mineira, importante para o prevalecimento de algumas bandas e artistas do estado em um cenário mais amplo, nacional.

 

Ei dor…eu não te escuto mais,
Você, não me leva a nada.
Ei medo…eu não te escuto mais,
Você, não me leva a nada.
E se quiser saber pra onde eu vou,
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou

 

A plateia presente a orla, ( lindo!) demonstrou conhecer a obra de Milton, queria cantar Milton,  ouvir Milton.

E cantou, quando ele fez  “Encontros e Despedidas” e “Coração de Estudante”, dois de seus grandes sucessos.

O homem negro de 70 anos ainda tem um timbre encantador, daqueles que faz o rapaz ao seu lado dizer “nossa!”.

Mas hoje ele canta sem riscos. Controla sua voz cerebralmente, como quem opera um caixa eletrônico.

Em determinado momento, quando já tinha saído e voltou para cantar mais três canções, Milton sentou-se e disse bem-humorado, que o sucesso de “Canção da América” hoje tem a ver com quase tudo na vida das pessoas:  amizade, saudade…

Então, propôs que a própria plateia interpretasse a música, em sua homenagem.

E assim foi.

As vozes femininas predominavam.

Por um momento, no meio da canção, a sensação era de que Milton iria desistir da ideia. Mas o público foi até o fim. Baixinho, mas foi

Com a marcante “Sei que nada será com antes”, encerrou o show.

A letra resume um pouco dos 50 anos de sua carreira vitoriosa.

 

“Eu já estou com um pé nessa estrada/ Qualquer dia a gente se vê/ Sei que nada será como antes, amanhã….”

Milton 3

Ao meu lado e de Sonia, dava para ouvir, durante todo o show, a curiosidade das pessoas em relação ao estado físico de Milton.

Parece que ele tem alguma doença grave”, comentou uma senhora sentada logo atrás.

Para esclarecer.

Anos atrás,  o artista anunciou pela televisão que tinha diabetes. Consta que, na época, chegou a pesar 38 quilos. Quando apareceu na tevê, não tinha muito mais que isso.

Outras doenças foram cogitadas, embora esclarecimentos médicos tenham confirmado que a perda de peso é uma consequência possível do diabetes descompensado. Outra é a fraqueza crônica e a dor intensa em músculos das pernas e coxas.

É esse, provavelmente, o quadro de Bituca.

Durante todo o show, eu ficava a imaginar como um artista da envergadura de Milton conseguiu  ao longo de 50 anos de carreira, absorver influencias universais, porque  sua obra carrega um pouco da bossa-nova,  jazz, música regional brasileira e latino-americana, mais as  influências de Beatles, Bob Dylan,  Mercedes Sosa, Violeta Parra, Pablo Milanes, Silvio Rodrigues e outros grandes.

O maior presente que podemos dar a esse grande artista brasileiro é refletir sobre suas canções e deliciar-se com seu canto.

Uma vez que se a sua voz não é de Deus, a Ele pode ser emprestada.

 

 

Não se apaga, não se cala essa voz
Não se esquece, permanece essa voz
Voando livre no espaço essa voz 
Eterno canto de esperança essa voz
Ela é humana e é divina essa voz
Nossa amiga não parou de cantar
Ela é a voz de todos nós 

Não se apaga, não se cala mulher 
O seu sorriso, o seu sonho, a fé
Sua coragem, sua enorme paixão
A vida inteira lapidando a canção
Canção de vida e amor vai ficar
Coma as pessoas que não param de ouvir
A sua voz
A voz que é a voz de todos nós

{O que foi feito amigo
De tudo que a gente sonhou?
O que foi feito da vida?
O que foi feito do amor?
Aquele verso menino
Que escrevi há tantos anos atrás}