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Rafael Negrão: jovem médico fala sobre Ecoendoscopia como diagnóstico preciso do aparelho digestivo

Rafael Negrão, na França, no Institut Paoli-Calmettes, Marseille,.
Rafael Negrão, no Institut Paoli-Calmettes, Marseille (França)

 

 

Como se sabe, doenças do estômago são comuns entre os brasileiros.

No país, cresce a cada ano registro de câncer de estômago.

Portanto, não deixa de ser, devido ao alto número da enfermidade,  problema de saúde pública.

São tantos os casos, que os médicos estão sempre atentos a qualquer possível manifestação da doença.

Pelo fato de ser de difícil detecção, o câncer de pâncreas, apenas como exemplo,  apresenta alta taxa de mortalidade, por conta do diagnóstico tardio e de seu comportamento agressivo.

No Brasil, é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por essa doença, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O câncer de pâncreas, um dos mais letais, e a oitava causa mais comum de mortes por câncer no mundo,  agora possui um novo exame para seu diagnóstico precoce no Estado do Pará,  a Ecoendoscopia Digestiva.

O precursor da nova tecnologia é o jovem médico paraense Rafael Negrão Almeida,   35 anos.

Membro de tradicional família belenense que empenha-se na  atividade profissional atuando no setor de saúde,  Negrão é filho do Dr. Edmundo Almeida, oftalmologista, Presidente da Associação Paraense de Retina e Vítreo, professor da Universidade Federal e UEPA.

Também tem duas irmãs atuando na área de oftalmologia: Dra.  Luciana Almeida,  e Izabela Almeida, que finaliza a residência de Glaucoma em São Paulo. 

Cirurgião e endoscopista, Rafael  já escreve uma trajetória de talento, dentro da especialidade, depois de quatro anos especializando-se em São Paulo e em diversos países.

O Estado do Pará, agora, é um dos poucos a oferecer este exame e outras revoluções tecnológicas da endoscopia digestiva à sua população, a exemplo de centros de referência como os hospitais Alberto Einstein e Sírio-Libanês, graças a competente atuação do jovem médico.

“Atualmente, estamos, em termos da tecnologia da imagem, junto com os grandes centros. A ecoendoscopia é considerada ‘padrão ouro’ no diagnóstico de algumas doenças pancreáticas e lesões da parede do esôfago, estômago, duodeno e reto. Além disso, hoje a Ecoendoscopia é um dos principais métodos de diagnóstico de Endometriose com acometimento do intestino ”, afirma Rafael.

Rafael estudou medicina na UFPA,  passando depois por rigorosos períodos de especializações em São Paulo, Jacksonville (EUA), Marseille (França) , e Guayaquil (Equador).

Nos Estados Unidos, Negrão fez especialização na  Mayo Clínic,  em Jacksonville, Estado da Flórida, um dos centros mais evoluídos no tratamento de câncer, transplantes de órgão, cirurgia e neurociência.

Em Marseille,  Rafael especializou-se no  Institut Paoli-Calmettes,  o maior centro oncológico da região sul da França – onde, acompanhado dos melhores e mais renomados profissionais da área do mundo, foi conhecer as novidades no diagnóstico do câncer, a fim de trazê-las para o Estado do Pará.

No Equador, Almeida aprofundou-se na especialização no IECED – Instituto Ecuatoriano de Enfermedades Digestivas, centro de treinamento da Pentax, uma das maiores marcas do mundo de aparelho de endoscopia.

Atualmente, no  Hospital Porto dias, Rafael Almeida oferece seus conhecimentos de medicina diagnóstica nas áreas de Endoscopia, Colonoscpia, Broncoscopia e Ecoendoscopia

Nesta entrevista, o jovem  cirurgião endoscopista fala  um pouco sobre as novas tecnologias e o que pode ser feito na  prática  para a garantia de uma medicina preventiva segura.

 

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Como é feito o procedimento da Ecoendoscopia, também conhecido como ultrassom endoscópico?

Rafael – A  ecoendoscopia é um procedimento onde, através de um endoscópio flexível, especialmente equipado com uma sonda de ecografia acoplada à extremidade do aparelho,  permite a realização de ecografia no interior do tubo digestivo. Dessa forma, o exame proporciona ao mesmo tempo a imagem da endoscopia e o ultrassom. O transdutor ecográfico permite obter imagens detalhadas das diversas camadas da parede do tubo digestivo em toda a sua espessura, bem como avaliar em profundidade outras estruturas vizinhas do aparelho digestivo, incluindo gânglios linfáticos, vasos sanguíneos, mediastino, pulmões, fígado, vesícula biliar, vias biliares e pâncreas.

 

A ecoendoscopia, nesse caso, estaria  superando em eficiência os tradicionais exames de tomografia e ressonância magnética?

Rafael –  Não! Mas a proximidade proporcionada pelo probe (sonda, em inglês) com os órgãos do aparelho digestivo transforma a ecoendoscopia em um exame com resultado algumas vezes superior à tomografia e ressonância magnética. Devido a essa característica inovadora, o exame é atualmente um dos melhores para avaliar o pâncreas, lesões da parede do estômago, esôfago, duodeno e também do reto.

 

O que significa a Ecoendoscopia com punção?

Rafael – Dependendo daquilo que constatamos na hora do exame (tumor, nódulo ou área suspeita), podemos realizar a  punção de determinada lesão. Punção significa colher amostras de tecido através de uma agulha ultrafina, o que funciona como uma biópsia. Esse procedimento é o grande benefício da ecoendoscopia, pois através dele pode-se obter amostra de lesões de órgãos não acessíveis por endoscopia convencional. Por esse método, em alguns casos, pode se evitar um procedimento cirúrgico. No Brasil, de modo geral, pela dificuldade que os pacientes têm para realizar exames especializados, o diagnóstico de doenças graves costuma ser tardio. A consequência é que a doença evolui rapidamente. Quando a detecção acontece precocemente, as chances de cura são muito maiores.

 

Ecoendoscopia baixa, para que serve esse procedimento?

Rafael – A Ecoendoscopia baixa ou ultrassom endoscópico transretal consiste em posicionar um transdutor de ultrassom no reto ou cólon (intestino grosso) para avaliação de lesões da parede destes órgãos ou estruturas adjacentes a eles. Por esse método, podemos avaliar lesões das camadas mais profundas da parede intestinal e o grau de invasão do órgão por tumores.

Esse procedimento é muito solicitado pelos ginecologistas  para avaliar as pacientes com endometriose, já que através dele obtemos um estudo mais fidedigno quanto ao acometimento da parede intestinal ou de estruturas próximas ao intestino. Por este método, como na ecoendoscopia alta, também podemos realizar punções (biópsias) no intuito de realizar diagnóstico de eventuais lesões.

 

O preparo para o procedimento de ecoendoscopia é igual a endoscopia tradicional?

Rafael – Sim! A ecoendoscopia é realizada da mesma forma que a endoscopia convencional, após jejum de oito horas e através de sedação. O aparelho é introduzido por via oral (endoscopia alta) ou retal (colonoscopia), conforme a indicação. As imagens são acompanhadas em tempo real pelo médico. O procedimento dura entre 15 e 60 minutos; e geralmente não é necessário internação.

 

Em quais casos a ecoendoscopia é indicada?

Rafael – É óbvio que, se a indicação partiu de um médico, não se discute se o exame precisa ser feito. A  principal indicação da ecoendoscopia é para avaliação de lesões da parede do esôfago, estômago, duodeno e reto. Dentre outras indicações, podemos citar: avaliação do câncer colorretal; avaliação de lesões císticas ou sólidas do pâncreas e de mediastino; Investigação de cálculos diminutos de vesícula -não visualizados no ultrassom convencional; diagnóstico e acompanhamento de mulheres com endometrio  A endoscopia é um dos melhores métodos para atingir certos segmentos do aparelho digestivo, recolher material, coisa que outros exames não fazem, e diagnosticar lesões, como o câncer. Fora isso, quem pertence aos grupos de risco deve fazer exames periodicamente. Pacientes que sofreram qualquer espécie de cirurgia no estômago e as pessoas com casos de câncer gástrico na família constituem os outros grupos de risco que demandam acompanhamento contínuo.

 

Sei como vocês trabalham atendendo muita gente. A pessoa entra na sala de exames, deita na maca, toma uma injeção na veia, o médico introduz o tubo, examina e, pronto, levada para a sala ao lado, ela espera o efeito da anestesia passar. Acordou, pode ir embora. Atendimento semelhante não poderia ser montado pelo Serviço Público para atender a população em geral?

Rafael– Existem vários problemas dentro do Serviço Público. Talvez o mais importante diga respeito à manutenção do equipamento. No Serviço Público, os aparelhos duram menos, porque são várias as pessoas que lidam com eles, muitas ainda na fase de aprendizagem profissional e ninguém se sente responsável por seu bom funcionamento. Além disso, parece não haver interesse em comprometer verba pública com contratos para mantê-los em ordem. Há, ainda, o problema dos acessórios que se desenvolveram muito. Logicamente, isso tem um custo com o qual o Estado muitas vezes tem dificuldade em arcar. Muitos colegas levam consigo o próprio equipamento para realizar os exames nos estabelecimentos públicos em que trabalham.

 

Numa endoscopia, quando se introduz o aparelho no esôfago de um paciente, o que se procura ver?

Rafael – Existe um padrão de normalidade que admite pequenas variações. A primeira coisa que se faz é examinar o órgão como um todo, verificar se está bem posicionado, se não apresenta desvios nem dilatações e simultaneamente ver se há alguma alteração em seu revestimento. O câncer, por exemplo, começa por aí. Ele quase nunca se inicia no fundo da parede. Começa na superfície, por isso é uma lesão que pode ser muitas vezes encontrada quando examinado adequadamente. O movimento de entrada do aparelho só é interrompido se existir uma lesão grande que exija investigação minuciosa. Caso contrário, vamos diretamente para o ponto mais distal que se pode alcançar no aparelho digestivo alto: o duodeno. Na volta, todo o percurso é examinado com mais detalhes. Se for necessário, colhe-se material ou faz-se uma coloração especial para evidenciar possíveis lesões. A endoscopia, como um todo, evoluiu muito nas últimas décadas. Pode-se introduzir o aparelho por todo o intestino grosso e entrar um pouco no delgado.

 

Nos  casos de câncer precoce, as lesões podem ser retiradas pela própria endoscopia?

Rafael  – Sim. Hoje, através da endoscopia, dispomos de várias técnicas para a retirada  desse tipo de lesão. Em alguns casos após a retirada endoscopica de uma lesão precoce o paciente pode ser considerado curado, evitando-se a realização de procedimentos mais invasivos como a cirurgia, radioterapia ou quimioterapia.

 

Alguns médicos recomendam que, após os 55 anos, todos deveriam fazer a primeira colonoscopia (endoscopia do intestino grosso) para retirar os pólipos e evitar que se transformem em câncer. Como prevenção, a colonoscopia deveria ser repetida a cada cinco anos na população como um todo. Você concorda com isso?

Rafael  – Sabemos que a colonoscopia é uma forma eficaz de prevenção. De fato,  é um procedimento importante, pois permite que os pólipos sejam detectados e retirados numa fase bastante inicial, prevenindo possíveis complicações posteriores, como o câncer. Além disso, através da colonoscopia podemos diagnosticar outras enfermidades importantes, como por exemplo a Doença Diverticular dos Cólons.

 

Diante da indicação de uma endoscopia, às vezes, as pessoas se incomodam com a ideia de que o aparelho possa não estar em condições higiênicas adequadas. Como explicar-lhes que isso não acontece?

Rafael –  Quanto ao risco de contaminação, a probabilidade é praticamente nenhuma. Antes de cada exame, os aparelhos passam por preparo minucioso, o que representa um custo financeiro, mas garante as condições de higiene e desinfecção. Por isso, é preciso escolher com cuidado onde se faz a endoscopia.

Especialização no Instituto Ecuatoriano de Enfermedades Digestivas, no um dos mais conceituados centros de formação formação em Ecoendoscopia.
Especialização no Instituto Ecuatoriano de Enfermedades Digestivas, um dos mais conceituados centros de formação em Ecoendoscopia.

 

Nota do blog: Em Belém, o exame de alta tecnologia da Ecoendoscopia  pode ser feito no Hospital Porto Dias.  O Sistema Único de Saúde ainda não disponibiliza a técnica e alguns convênios começam a dispor do procedimento.

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3 Comentários

  1. FRANCISCO CARLOS GOULART BRITO

    8 de novembro de 2019 - 11:23 - 11:23
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    Presado Colega
    Sou médico endoscopista há longa data, mas nunca tive a oportunidade de me de dedicar ao aprendizado da Ecoendoscopia, pois o custo da aparelhagem é muito alto e no momento não trabalho em instituições.
    Atualmente os hospitais do Rio de Janeiro ( onde resido) disponibilizaram estes aparelhos para uso privado.
    Eu estou interessado no aprendizado deste procedimento.
    Poderia me dar instruções por onde começar?
    Desde já agradeço
    Francisco Brito

    • Hiroshi Bogea

      15 de julho de 2019 - 10:04 - 10:04
      Reply

      Nielson, contato clínica: (91) 336.68044

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