Jornalista critica tese de não eclusas na hidrelétrica de Marabá

Publicado em 31 de março de 2015

 

Jornalista Agenor Garcia, em comentário ao post Esmagar soja, esse é o futuro que aguarda Marabá?, critica duramente a tese defendida pelo empresário  Divaldo  Sousa contrária à construção de eclusas na hidrelétrica de Marabá, para possibilitar a atração da indústria de esmagamento de soja, no município.

Agenor classifica como “nefasta”, a tese do empresário.

O comentário do jornalista:

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Caro Hiroshi,

Construir a hidroelétrica em Marabá sem eclusas, sob o argumento pouco científico, seja do ponto de vista econômico ou ecológico, é uma temeridade. Não merece de ninguém qualquer tipo de apoio. Esmagar a soja em Marabá significa dar o primeiro passo para a verticalização da commoditie.

Seria uma iniciativa excepcional. Surge o farelo, que pode ser utilizado em diversas variantes industriais. Surge o óleo, com possibilidades ainda maiores. Na China, a verticalização da soja resulta em mais de quatrocentos tipos de derivados que geram milhares de produtos e milhares de postos de trabalho.

A não eclusa em Marabá, não significa a chegada desta linha de produção a partir do soja. Esse pensamento não é ancorado em nenhuma tese científica, econômica ou industrial, seja ela de que tipo de cluster possa ela demandar.

Por isso a tese de Divaldo não merece ser levada a sério. Sem eclusas, o futuro de áreas produtivas do cerrado tocantino, do Maranhão, Piauí, e das planícies do oeste baiano, estariam condenadas ao retrocesso. Ficariam sem a possibilidade impar do modal hidroviário para transporte de sua vasta produção. Ora, até mesmo Divaldo sabe a diferença do valor do frete de um modal para outro.

Como pode, defender assim, irresponsavelmente, a tese da não eclusa? É um crime de lesa natureza bloquear um rio. Ele é de Porecatu-Pr, viu por lá as hidros do Paranapanema, todas sem eclusas, engessar uma das maiores vias de navegação da bacia do Paraná, que demanda o rio da  Prata e de uma imensa região, seja ela brasileira, paraguaia ou uruguaia.

A tese de Divaldo é nefasta, deve ser discutida e condenada.

Se Marabá não tiver eclusa, não significa vitoria desse discurso obscurantista nem de justificativa para a chagada da industria do soja. Não há, neste caso, causa e efeito plausível. Eclusar as vias navegáveis de um rio é garantir a sucessivas gerações os princípios fundamentais de uma coletividade, tais como um meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado e economicamente sustentável a partir de seus recursos naturais renováveis.

Atenciosamente,

Agenor Garcia
Gestor Ambiental
jornalista  especialista em Docência do Ensino Superior.