João Salame analisa votação

Publicado em 6 de outubro de 2010

Reeleito deputado estadual com 22.127 votos, João Salame (PPS) replica considerações do post Vitória com gosto insosso, explicando as razões de sua baixa votação  em Marabá, em relação a que conquistou na eleição de 2006:

Passada a eleição é hora de refletir. Respeitando os seus comentários quero fazer algumas observações iniciais. Como o texto é longo vou dividir em duas partes:

Primeira Parte

01 – Sou um sobrevivente. Um sobrevivente a eleições cada vez mais caras, onde na maioria são eleitos candidatos bancados por poderosas máquinas de fabricar votos ou com grande recall junto ao eleitorado em função do trabalho que realizaram no Executivo ou do desastre de adversários que os sucederam.

02- Sou um sobrevivente ao voto de protesto que juntou um ex-prefeito com grande recall junto ao eleitorado pelo bom trabalho que realizou (Tião Miranda) e uma administração que despertava grandes esperanças e tem frustrado a expectativa popular.

03- A votação do ex-prefeito “desidratou” a todos. A Bernadete perdeu 6.579 votos das eleições de 2006 para a deste ano. A Elza perdeu 4.873. Eu perdi 3.216.

04-E olha que eu fui o mais duramente prejudicado. A candidatura do Tião atingiu diretamente meu eleitorado, posto que temos o mesmo círculo de amizade e durante toda a minha vida política em Marabá pertencemos ao mesmo grupo A candidatura do Ferreirinha também entrou forte no bairro Cidade Nova e junto a amigos comuns. Ter 5.512 votos em Marabá diantes dessas circunstâncias é motivo de orgulho.


05-Vamos agora a análise de estrutura. Todos sabem que dinheiro não é problema para Tião Miranda. Ele tem e tem quem financie suas campanhas. A Bernadete era candidata com o apoio do Incra. A Irismar da Prefeitura. O Ferreirinha da governadora. A Elza sempre teve respaldo em sua família. Você conhece minha situação. Tive o apoio de alguns empresários e valorizo isso, mas você sabe que os empresários de Marabá não colocam a mão no bolso para apostar em projetos. Minha campanha foi modesta. Não era raro o dia em que os carros de som só trabalhavam meio-período por falta de combustível. Não tive as famosas “formiguinhas” e nem as malfadadas bocas de urna.

06-Minha ausência de Marabá durante boa parte da campanha também contribuiu para esse resultado. Muitas lideranças ligadas a mim reclamaram porque dos 60 dias de campanha fiquei apenas 22 em Marabá. O Tião fez caminhadas em praticamente todos os bairros. Eu fiz apenas duas. Mas parecia que eu estava advinhando o tsunami que estava por vir. Meu feeling dizia que tinha de priorizar outros municípios. O resultado é que consegui 16.615 votos fora de Marabá. Se eu tivesse priorizado Marabá talvez tivesse acrescido cerca de 2 a 3 mil votos na minha candidatura. Mas com ceretza teria perdido mais de 5 mil fora. Para garantir a eleição a estratégia foi correta. A disputa não era para prefeito. Era pra deputado e nela me concentrei.
João Salame

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atualização às 14:06

Em 2007, João Salame assumiu a Assembleia Legislativa envolto à ferrenha luta nos tribunais eleitorais para garantir sua diplomação. Pesava contra ele, recomendação do procurador eleitoral, José Augusto Potiguar ,para a rejeição das suas contas de campanha, e a cassação do seu diploma.

Agora, o deputado marabaense reeleito parece ter o mesmo destino: brigar nos tribunais.

Pelo menos é o que garante o primeiro suplente Nélio Aguiar (PMN), que foi candidato a deputado estadual por Santarém.