Gilberto Leite almejava novas lutas

Publicado em 5 de dezembro de 2014

 

Giba e HBA última vez que vi meu amigo-irmão Gilberto Leite, falecido em 29 de novembro, foi na casa dele – mais precisamente no dia em que ele viajaria para realizar mais uma sessão de quimioterapia, em Brasília – uma semana antes de sua morte.

Passava das 8 horas quando recebi seu telefonema:

– Amigo, daqui a pouco viajo de novo a Brasília, cumprir mais uma etapa de meu tratamento. Você pode vir aqui em casa agora pra gente conversar?

Em poucos minutos, já estava diante do amigo que conheci num final de tarde de 1984.

Na sala de sua casa, sentado confortavelmente num imenso sofá no qual ele costumava brincar com seus netos, “Giba” – forma carinhosa dele ser tratado pelos amigos -, foi direto ao assunto:

– Precisamos iniciar dois trabalhos, e precisarei de novo de sua força.

Como sempre em toda a sua vida, Gilberto enxergava mais além, tinha sempre um motivo de luta saindo da manga da camisa.

Agora, vislumbrava intervenções que viessem propiciar melhorias à saúde pública e à saúde financeira da Prefeitura de Marabá.

– Ao lado do Hospital Regional Geraldo Veloso tem um terreno entre o hospital e uma casa comercial,   ideal para se construir um Pronto Socorro.  Precisamos de um PS para desafogar as demandas do Hospital Municipal e do próprio Regional. O terreno é do Nagib (Mutran). Acho que devemos sensibilizar o governador Jatene para ele construir essa obra e mantê-la. Precisamos recompor as relações do governo com a prefeitura, essa briga tem que acabar.

Gilberto era um visionário realista.

Não “viajava na maionese”,  porque os sonhos dele eram perfeitamente factíveis, como essa proposta do Pronto Socorro.

Gostava de dizer: “com vontade política, tudo e resolve”.

A sacada do Pronto Socorro amarrava duas situações: a conquista de mais um instrumento de atendimento público e a reaproximação política do governador com a Prefeitura.

– Essa situação do Salame e do  governador distanciados, não pode prosseguir.  Marabá está perdendo muito com isso.  Temos que atuar no sentido de sensibilizar os dois quanto a inutilidade dessa briga.

E Giba não sinalizava disposição de lutar pelo Pronto Socorro exclusivamente porque o tema poderia servir de  porta para a abertura de diálogo entre os dois políticos.

Não.

Ela havia encomendado a uma consultoria, através da Associação Comercial e Industrial de Marabá, estudo  sócio-econômico do Município para os próximos quinze anos.

Lá aponta a necessidade de construção de um Pronto Socorro para reduzir a pressão  sobre o Hospitais Municipal e Regional.

Na outra ponta de suas preocupações, revelada na conversa que tivemos de uma hora, antes do amigo fazer sua última viagem para tratamento do câncer, estava o Projeto Salobo.

De novo, estava Marabá e região.

–  Precisamos também  colocar a Prefeitura e a Vale numa conversa franca sobre os tributos que o Projeto Salobo deve pagar ao município. A exploração do cobre precisa deixar dividendo a Marabá. Essa questão vai merecer atenção da ACIM, e quero sua ajuda.

Nos despedimos, ele otimista, dizendo que seria sua penúltima sessão de quimio.

Com o sorrisão característico estampado, falava muito,  parecia um calouro recém aprovado no vestibular, empolgado, querendo ir a mais uma batalha.

No meio do papo sobre o PS e o Salobo, meu amigo ainda lembrou de seu antigo sonho de transformar a região em produtora de manga.

– Outra coisa: lembra daquele assunto da manga, que você publicou em seu blog  (Leia  AQUI),  ainda no governo Ana Júlia? Que tal a gente realizar um encontro regional sobre o assunto?

Foi a última vez que falei com Giba.

Os dois temas tratados na conversa, palavra de amigo, serão alvos de campanhas do blog:  Pronto Socorro  e  Projeto Salobo