Hiroshi Bogéa On line

Filme de terror

Duas matérias publicadas no Correio do Tocantins ( sem link esta manhã),  ambas levando assinaturas do repórter Ulisses Pompeu, mostram números frios e desalentadores.

Desumanos, principalmente.

A primeira revela que 5,5% dos bebês nascidos em Marabá têm mães entre 10 e 14 anos de idade.

Um índice mais elevado, próximo a 27%, identifica mães com idade entre 15 e 19 anos.

Em miúdos: as jovens  marabaenses não têm infância. Nem adolescência.

A segunda,  não menos desesperançosa, antevê o que aguarda a região palco de imenso berço migratório, diante dos projetos de mineração anunciados, sem que haja intervenção imediata dos órgãos ditos responsáveis pela coisa.

Com população estimada pelo IBGE de 200 mil habitantes, 10% dos que vivem em Marabá, são analfabetos. Bagatela de 20 mil humanos.

Sombrias, também, diante dos números, as reflexões  da chefe da Agência do IBGE do município, Tereza Penha; e da coordenadora do programa Vale Alfabetizar: tarefa quase impossível erradicar o analfabetismo numa  região de forte fluxo migratório, onde pessoas aportam e decolam como num  piscar de olhos, sempre em busca de oportunidades nos municípios do entorno. 

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2 Comentários

  1. Hiroshi Bogéa

    19 de novembro de 2008 - 15:20 - 15:20
    Reply

    Caro Dr. Manoel, bom saber que de longe, na belíssima Curitiba, você nos acompanha. O seu comentário qualificado reforça o post, abrindo espaço para transformá-lo, também, em post, indo agora à ribalta.
    Volte sempre.
    Abraços na gurizada e na sua querida Tábata.

  2. Manoel Veloso

    19 de novembro de 2008 - 13:25 - 13:25
    Reply

    Caro Hiroshi,
    As duas estatísticas se complementam em um ciclo perverso. O analfabetismo por sua vez engloba vários aspectos que explicam as gravidezes precoces (baixa auto-estima, horizonte de vida curto, pouco conhecimento biológico) além de potencializar a instabilidade das instituições familiares. Temos que lembrar que estas crianças nascidas destas jovens não encontrarão locais propícios para se alfabetizarem, e via de regra, não terão figuras paternas fortes, que lhe direcionem para caminhos melhores. É um quadro desalentador. O Estado tem que se responsabilizar por isso e priorizar ações que ataquem as raízes do problema, com continuidade, independentemente do Governo do momento, mas, isto ainda é uma utopia, infelizmente.
    Abraços,
    Parabéns pelo blog.

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