“Enquanto não houver leitos de retaguarda no Hospital Regional, mortes ocorrerão no Hospital Materno Infantil”

Publicado em 23 de abril de 2014

 

Título do post é afirmação do secretário de Saúde de Marabá, Nagib Mutran, ao fornecer informações  a respeito da morte de Raiane Pereira da Silva, em leito do Hospital Materno Infantil.

Esclarece Nagib:

“A jovem Raiane , logo após o parto, teve uma hemorragia uterina, e isso obrigou a equipe médica a proceder a retirada urgente de seu útero. Como o Hospital Materno Infantil é classificado  a nível de Média Complexidade, o procedimento necessitava de recursos que somente o Hospital Regional possui, em Marabá, por ser de Alta Complexidade. Se aquele hospital do Estado  disponibilizasse  ao HMI leitos de retaguarda para gestação de alto risco,  a vida da jovem  teria sido preservada, com toda certeza.  Desde o ano passado, ainda no primeiro semestre de 2013, estamos lutando junto ao Estado para que disponibilize os chamados leitos de retaguarda, sem sucesso. Já levei esse problema diretamente ao secretário de Saúde do Pará, doutor  Hélio Franco, mas até agora, nada. Solicitamos interferência do Ministério Público, junto ao próprio governo, no sentido de atender a essa necessidade premente da saúde pública do município”.

Nagib prossegue:

 

– “Promover a maternidade segura deveria ser  um compromisso de todos os entes públicos, envolvendo  Ministério da Saúde, Governo do Estado e Prefeitura. Aqui em Marabá, isto não está ocorrendo, pelo menos a nível de parceria. O governo estadual já deveria ter adicionado os leitos de retaguarda para gestação de alto risco, não o fez, até agora. Do mesmo jeito no que concerne a engrossar parcerias nas campanhas  de imunização. Temos passado por dificuldades para universalizar vacinações  no município, porque o Estado, por picuinhas políticas, não distribui ao nosso município quantidade suficiente das vacinas que recebe do Ministério da Saúde para cobrir o Estado”.

Nagib informa que abriu sindicância para apurar todos os procedimentos  verificados durante o parto da jovem.

“Somente depois da concluída investigação,  iremos oficializar o que realmente ocorreu no HMI”, finaliza.

Procedente do município de Palestina, Raiane Pereira da Silva deu entrada no HMI para passar pela  sua primeira  gestação, vindo a falecer durante procedimento cirúrgico.