Demissão de jornalista repercute

Publicado em 20 de julho de 2015

Carlos MendesHoje cedo, conversei com o jornalista Carlos Mendes (foto), demitido do Diário do Pará, no final de semana.

O procurei para saber o que realmente havia ocorrido, conhecedor da seriedade com que ele trata o jornalismo.

A demissão de Mendes causou furor nas redes sociais.

E como já é comum, no rastro da demissão, as mais variadas “versões”.

Ao indaga-lo sobre os motivos da demissão, Carlos respondeu:

 

    –  Para ser sincero, ignoro os reais motivos da demissão.  No blog do Barata tem muitas coisas e lá estão os dois motivos apresentados pelo novo editor-geral, Klester Cavalcanti.

 

Ao final, Carlos não se absteve de fazer considerações sobre o atual momento da imprensa escrita paraense.

Disse:

 

Tenho a te dizer que já vivi a coisa dos dois lados – O Liberal e Diário – e isso é péssimo para a liberdade de informação.

O que chega ao público é filtrado pelos donos das empresas, que também agem como editores, plantando-se em suas redações até que o material de domingo seja rodado.

A população fica refém de informações que, algumas vezes, embora verdadeiras, são pintadas com as cores da adversidade política para caracterizar o “outro lado” como ladrão, corrupto.

Sabemos, eu, você e outros jornalistas melhor informados sobre os bastidores da nossa imprensa diária, que esse jogo de cena – na verdade um maniqueísmo sórdido – tem o objetivo de enganar os leitores, fazendo-os acreditar que de um lado está o bem, e do outro o mal.

Ora, bem e mal se misturam e se completam nessas brigas políticas que só atrasam o Pará.

Os eleitores estão sendo subestimados na inteligência de perceber o que se esconde por detrás dos noticiários políticos: a briga pelo poder.

Apontar erros de quem está no governo hoje pode ser um tiro no pé, amanhã, se o grupo que hoje está fora do poder nele chegar.

Vidraça e baladeira são a mesma face dessa moeda politica.

E o povo, onde fica? O povo, para eles, é apenas um detalhe.

Até que um dia desperte.

Quando? Não sei.

Talvez no dia em que evoluirmos politicamente.