A melancolia do ilusionismo

Publicado em 30 de junho de 2011

Assistindo, pela Internet, ao debate promovido pela UFPA em Belém sobre a divisão territorial, na manhã desta quinta-feira, 30, a sensação que alguns personagens da discussão passaram ao poster é a de que estamos todos muitos próximos daquele momento invisível que separa uma vida da outra.

O instante mágico em que são erguidos os copos, em que um lábio é premido contra o outro, em que os corpos se encontram num abraço da definitiva descoberta da felicidade.

E nem é preciso esforço danado para romper a estranha sensação de que as coisas não são bem assim como tentam aparentar nossos eméritos e incansáveis vendedores de ilusão.

Porque ao cruzar a linha imaginária que separa o velho do pseudonovo, continuaremos carregando as nossas aflições coletivas.

Na esfera pública, os dramas serão os mesmos. Inocentes culpados. Culpados inocentes. Espertos superados pelos mais espertos. Cofres sitiados. Gestores ineptos. Contribuintes indefesos.

Mas não há de ser nada. O que seria da esperança se não existisse o desespero? Assim, sem perder de vista o fato de que o passar dos anos sempre rouba-nos algo, o importante, diria Pope (1688-1744), é tentar impedir que o tempo nos roube de nós mesmos.

Sigamos em frente, portanto. Mas é bom evitar soltar fogos antecipados.