Plantões já estão nas contas dos médicos de Marabá

Publicado em 31 de dezembro de 2015

 

Amanhece neste dia 31, nas contas dos médicos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a quantia de R$ 1.200.000,00, relativa ao pagamento dos plantões de novembro.

Os médicos  também já receberam os salários do último mês e o décimo terceiro.

Com mais esse pagamento já são R$ 19,2 milhões em circulação no comércio da cidade neste mês de dezembro.

Na segunda-feira, será quitada a segunda e última parcela do 13o. salário dos educadores.

Com a morte do titular, Carlo Iavé assumirá prefeitura de Redenção

Publicado em 30 de dezembro de 2015

 

Com a morte do prefeito de Redenção, Vanderlei Coimbra, no início da noite desta quarta-feira, 30, o vice-prefeito  Carlo Iavé (PMDB), empresário no município, assumirá o controle da administração pública do município.

Ele e o prefeito,  vítima de acidente de carro fatal na Pa-287,  entre Redenção e Conceição do Araguaia, não se  relacionavam.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), o acidente aconteceu por volta das 19h, na rodovia PA-287, quando o carro em que o prefeito estava colidiu de frente com um veículo de grande porte.

Além do prefeito de Redenção, outras duas pessoas – cujas identidades ainda não confirmadas – também faleceram

As relações entre ambos estavam cortadas –  mas Iavé não fazia oposição ostensiva ao prefeito.

Vanderlei completaria  32 anos em 2016.

Ele venceu as eleições com 62,35% dos votos válidos, contra 33,51% do então prefeito  Wagner Fontes.

O terceiro lugar ficou com o ex-prefeito Jorge Paulo da Silva, o “JPC” (PMN) que teve 2,44% dos votos.

Os números finais apontaram Vanderlei Coimbra eleito com 25.033 votos; Wagner Fontes com 14.094 votos; e JPC com apenas 1.025 votos.

Educação: o bê-a-bá de quem só olha pro próprio umbigo

Publicado em 30 de dezembro de 2015

   

Bem antes da divulgação do resultado de uma auditoria  realizada na folha dos servidores da Educação de Marabá, este blogueiro tem mantido posição crítica em relação aos salários pagos a um número considerável de professores e a capacidade financeira da Prefeitura de Marabá fazer frente às demandas do município como um todo.

Já em 2013, quando travou-se o primeiro confronto entre a secretaria de Educação e a postura corporativista do Sintepp, este blog fazia alerta quanto a incapacidade de a prefeitura suportar, sem estrangulamento do restante da estrutura administrativa, a realidade discrepante: os valores pagos e o que o município arrecada.

Em todos os momentos nos quais o blog se manifestou, jamais houve desrespeito a qualquer membro da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Pará ou a servidores da área educacional.

Até nomes de pessoas, o blogueiro evitou publicar exatamente para preservá-las, diante de um confronto inevitável.

Ademais, a função deste sítio é exatamente manter seus leitores e a população informados do que ocorre na cidade, respeitando os limites perigosos que diferenciam o  criticismo hipócrita e a crítica saudável, colocada em pauta exatamente para provocar o contraditório, e ajudar a comunidade a entender, – sem mentiras – o que realmente se passa.

Diante da posição crítica do blog, alguns beneficiários da burla que fizeram numa sentença da juíza Kátia Parente, que considerou inconstitucional a progressão funcional vertical, sugerindo o pagamento de gratificações através de promoção,  passaram a usar as redes sociais para atacá-lo, inclusive sustentando uma suposta posição contrária do blogueiro à valorização dos educadores.

Este espaço sempre esteve aliado às lutas dos educadores, daqui e do restante do país, só que é muita irresponsabilidade fantasiar situações cuja realidade demonstra o contrário.

O que todos buscamos é a melhoria em nossa qualidade de vida e ascensão profissional.

Uma pessoa que sempre pautou suas lutas na imprensa em defesa da inclusão social, não pode ser contra a valorização da profissão mais importante para a construção de uma país justo.

O ideal é que os professores de Marabá recebessem salários de primeiro mundo, mas a realidade econômica do município não permite.

RAIO-X

Vejam algumas situações encontradas pelo blogueiro, através de pesquisas realizadas – e no relatório da auditoria feita na Secretaria de Educação, pedida pelo próprio Sintepp.

O piso salarial para professores 200 horas na rede particular de Marabá, no ensino fundamental, é de  R$ 1.880,00

Em Abaetetuba e Barcarena, o piso de professor de nível superior com 200 horas é  R$ 2.189,84

Em Marabá , o piso de professor nível superior com 200 horas – R$ 2.878,44

Na UFPa e Unifesspa, o salário de Professor Especialista sem dedicação exclusiva – R$ 3.184,73

Salário de Professor mestre, com dedicação exclusiva – R$ 5.945,98

Salário de Professor doutor, com dedicação exclusiva – R$ 8.639,50

Lembre-se que os professores da rede municipal não possuem dedicação exclusiva.

Ou seja, vários deles dão aula no Estado ou na rede particular

Detalhe: considerando os salários dos professores sem que centenas deles não tenham ainda o mestrado ou doutorado, quando  fizerem isso, com gratificações de 100% (mestres) e 150% (doutores), aí a folha estoura de vez

QUADRO DE PROFESSORES

A Secretaria de Educação possui atualmente 1,978 professores concursados,  assim distribuídos:

 

 Número de Professores              Faixa salarial                     Total da remuneração
123 1.000,41 a 1.968,11 203.216,49 (reais)
264 2.002,67 a 2.998,35 668.610,99
509 3.001,24 a 3.997,81 1.758.032,35
410 4.001,03 a 4.998,40 1.832.483,58
672 5.001,29 a 11.438,62 4.369.367,10
Total de Professores: 1.978 Total Mensal de Remuneração: R$ 8.831.710,51

 

Ou seja 672 professores (que ganham acima de 5 mil) recebem praticamente o mesmo volume de dinheiro que os 1.306 restantes.

Comparando as matrículas, um professor matrícula 022, recebe mensalmente  3 mil.

Já o professor Matrícula 010, ganha  7 mil.

Nas duas situações salariais, eles exercem a mesma função.

Para medir a temperatura desse babado, basta procurar à categoria se isso é justo.

Dá pra sair alguma isonomia dessa matemática?

 

MAIORES SALÁRIOS

 

Agora, a provocação.

Em que faixa salarial estão os líderes do movimento que lutam sangrentamente para o  pagamento da progressão funcional vertical, que é inconstitucional e a Justiça vai mostrar isso brevemente?

Ganha presente de Papai Noel, atrasado, mas ganha, quem adivinhar.

Eles e elas estão no topo da pirâmide, e a grande maioria nem entra em salas de aula.

Ao contrário, passam distante delas.

Se a situação exigir novos posicionamentos, publicarei nomes completos e seus contracheques

Esses são os privilégios dos quais o blog tanto trata.

É justo que a esmagadora maioria dos professores tenha uma média salarial de cerca de R$ 2,5 mil, e  a minoria receba média salarial de R$ 6,7 mil?  Beneficiados por uma jogada de ex-secretários, com o apoio do gestor anterior?

A maioria dos quais sequer está nas salas de aula?

Não é justo.

Quem protestou contra isso? Quase ninguém!

É correto que ao se criar uma comissão na prefeitura para se avaliar qualquer coisa, o funcionário educador indicado para compor referidas comissões, que se reúnem no máximo uma vez por semana, receba 100% de gratificação em cima de seus salários?

Isso ocorria até bem pouco tempo, numa sangria dos cofres públicos que girava em torno de R$ 6 milhões em quatros anos de governo, dinheiro que daria para construir oito escolas.

Não, não é correto.

Quem protestou contra isso de forma veemente dentro do movimento sindical?

Ninguém!

Atualmente, o prefeito determinou o pagamento de apenas 30% sobre o salário para quem participa,  da Educação, das tais comissões, contra a insatisfação dos “abençoados” privilegiados.

Se for para levar ao pé da letra os argumentos do Sintepp, a prefeitura de Marabá teria que usar 100% do orçamento do município para pagar bons salários.

E ainda não daria.

 

A CULPA É DOS COMISSIONADOS?

 

Discurso muito usado pelo Sintepp, é apontar o dedo para a “a folha inchada dos comissionados”.

O blogueiro mergulhou na análise desse quadro.

Em outubro passado,  a Semed tinha 5.337 servidores, dos quais apenas 50 eram comissionados, incluindo o secretário e sua diretoria.

A folha de pagamento dos 14 maiores salários  da Semed,  corresponde a R$ 145.040,51

A folha de pagamento dos 50 comissionados corresponde a R$ 143.971,65

A prefeitura toda tem 586 comissionados, entre eles o prefeito, vice, secretários, diretores de hospitais, diretores de Postos de Saúde, diretores das demais secretarias.

Todos os 586 comissionados da Prefeitura recebem R$ 1.500.004,15

Os 586 professores mais bem pagos recebem R$ 3.778.641,14 fora o Vale Alimentação

Fala-se também muito na utilização de verbas do  Fundeb

O Fundeb foi criado pra fortalecer a Educação, todos sabemos disso.

Ele exige que no mínimo 60% da receita do Fundo  seja aplicada para pagar salários dos professores.

Os 40% restantes poderiam ser usados para reformar e construir escolas, fazer cursos de qualificação, etc.

Pois bem, em Marabá,  100% do Fundeb é usado para pagar salários.

E não é suficiente!

Todo mês a secretaria de Educação lança mão de  recursos próprios da prefeitura pra completar a folha.

No frigir dos ovos , neste caso, podres, com  folha altíssima,  quem paga o pato?

A  população!

Sim, porque diante do quadro narrado acima,  falta dinheiro pra reformar e equipar  escolas.

O blog tem acompanhado os esforços que a prefeitura faz pra reformar e construir escolas.

Parcerias com a Vale, com o Exército, emendas parlamentares, são algumas saídas encontradas, mas nem sempre se consegue isso.

A prefeitura é obrigada a repassar 25% de todos os impostos que arrecada para educação.

Até agora neste ano de 2015, o blog constatou nos dados contábeis consultados, a PMM repassou  cerca de R$ 8,5 milhões a mais que os 25%.

Dinheiro retirado das demais secretarias, como Agricultura, Esportes, Cultura, etc.

A prefeitura  fez o repasse a maior, diferentemente de todos os outros prefeitos que às vezes nem os 25% repassavam, por entender a importância da educação, mas o rombo não para de crescer.

Pra bancar essa folha mais alta do que os salários da universidade só aumentando o repasse pra 30% e paralisando diversos outros setores, tais como recuperação de estradas vicinais, pavimentação de ruas, investimento e outros.

QUALIDADE DO ENSINO

A qualidade do  ensino marabaense é de quarto mundo,  tanto que o Ideb do município  é um dos piores do País, mas de 1993 para cá os salários melhoraram bastante em Marabá.

Em 1992 os professores ganhavam 30% do valor do salário-mínimo.

Hoje o salário médio passa dos R$ 2 mil, ou mais que 3 salários-mínimos.

A qualidade do ensino melhorou?

Não!

Portanto o simples aumento de salários não significa necessariamente melhoria na qualidade do ensino, ainda que seja um fator importante para dar mais tranquilidade aos educadores.

Essa é a realidade.

E contra números, não há discussão plausível.

Números reais, autênticos.

Portanto, temos que usar o bom senso.

Bom senso esse que o corporativismo às vezes passa longe.

No limite do que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal, combatendo  o empreguismo e a destinação aleatória de cargos, é dever  valorizar o servidor concursado.

Mas permitindo que sobre dinheiro para construir escolas, unidades de saúde, pavimentação de ruas, construção de quadras, praças e outros equipamentos públicos.

Para os 97% da sociedade que está fora da farra.

Ademais, é sempre bom lembrar que a Educação é essencial para criar mobilidade social e reduzir desigualdades, e não ser usada para cimentar privilégios sociais de poucos.

Extra! Extra! Extra! Daqui a pouco, mais “bombas” sobre a Educação

Publicado em 30 de dezembro de 2015

Como o blogueiro passou a ser atacado pessoalmente, chumbo trocado dói?

Dizem que não.

Portanto, está na hora de mostrarmos quem é quem no jogo corporativista defendido pelo Sintepp.

Dar nomes aos “bois”.

Assim será melhor, para a população conhecer caras & bocas.

Bocas grandes.

Esfomeadas.

Bocas apetitosas, bem apetitosas.

Gulosas, pra ficar assim um termo bem terra nossa

Daqui a pouco, aqui no blog.

Porque exigir mais impostos das grandes fortunas

Publicado em 29 de dezembro de 2015

Mudança do imposto não tem que ser sobre salário. É sobre a renda

 

* Jornalista Fernando Brito

 

Andei lendo, na Folha, que o PT estaria propondo uma nova tabela de Imposto de Renda, com alíquota de 40% para quem ganha mais de R$ 100 mil por mês.

Não é nenhum absurdo, muitos países  insuspeitos de qualquer tipo de “esquerdismo” fiscal cobram alíquotas muito maiores.

Coloco aí embaixo uma tabela  para você comparar o que se cobra no Brasil e no mundo.

Mas não acho que o caminho seja este, até porque R$ 100 mil por mês não é salário e gera uma percepção negativa, como se fosse.

A preocupação em viabilizar politicamente mudanças, no quadro político como o que temos hoje é tão importante quanto a própria mudança.

Existe algo gravíssimo na estrutura de imposto sobre a renda no Brasil  e que está retratado no excelente artigo de Róber Iturriet Avila e  João Batista Santos Conceição da Unisinos, reproduzido hoje no site de Rogério Cerqueira Leite.

Os 71.440 contribuintes mais ricos do Brasil –  que corresponde a 0,3% dos declarantes de IR – receberam , em 2013,  R$ 196 bilhões de reais sobre os quais o imposto foi zero. Sim, isso, zero!

É o mesmo que receberem um “salário” mensal – e mais um “décimo terceiro” de R$ 200 mil mensais, em média, livres de imposto de renda.

Como isso acontece?

É que a Lei 9.249, proposta e sancionada por Fernando Henrique Cardoso, que estabelece que os dividendos e os juros sobre capital próprio das empresas transferidos a pessoas físicas  são isentos de imposto de renda.

Isso não existe em parte alguma do mundo, informa o artigo, exceto na Eslovênia.

Não são deduções, são ganhos isentos.

Uma mísera taxação de 1% nestes rendimentos equivaleria a toda a arrecadação prevista com a ressurreição da CPMF.

É só um exemplo, porque  1% não é nada: a mesma renda é taxada em 36,1% no Reino Unido, 25% no Chile, 21,2 % Estados Unidos 17,5 na Turquia e  em 17,1 % no México, aliquota  fixada  ano passado, sem que ninguém fosse chamado de “comunista”, tenham fugido para Miami ou entrado em recessão.

E não é sobre o holerite de ninguém, mesmo com salário de jogador de futebol ou presidente de multinacional.

A resistência política, portanto, não vai encontrar nenhuma simpatia social, porque mais de 99% dos brasileiros não entram neste imposto.

E, no ótimo fecho do artigo, evita a história de má fé com a qual o pato da Fiesp tenta enganar os trouxas.

“Mesmo que haja uma constante tentativa de convencimento de que os ricos e os grandes empresários “pagam o pato”, ao se comparar os dados com outros países, observa-se o contrário. Os ricos no Brasil nunca pagaram o pato. Eles apenas convencem os patos que pagam.”