Hiroshi Bogéa On line

Melhoramento genético: brevemente, pecuaristas não terão mais touros produzidos no Pará

Em sequência ao post que publicamos no sábado, abordando o desinteresse de criadores do Pará na produção de gado geneticamente trabalhado, o blogueiro  ouviu, neste domingo,  o pecuarista Reinaldo Zucatelli (foto), um dos mais qualificados e, certamente, um dos maiores investidores no setor de pesquisa genética do Norte do país.

Reinaldo  é um dos raros  criadores paraenses a insistir ainda na produção de melhoramento genético em suas propriedades.

Mas, até quando?

Essa pergunta foi feita diretamente ao próprio pecuarista.

“Nós, da RR Agropecuária, ainda estamos persistindo na sobrevivência desse negócio de alto investimento, que é o melhoramento genético, mas não sabemos até quando. É muito alto o custo para fazer um touro e demorado o tempo para receber  de volta o investimento. Realmente, não está compensando”, responde, ao mesmo tempo em que confirma o teor do post publicado no sábado divulgando relação de grandes criadores que deixaram de trabalhar no melhoramento genético de touros, os reprodutores que são preparados para qualificar o plantel de pequenos, médios e grandes pecuaristas.

“Sim, o teor da matéria publicada no seu blog é totalmente real. No Brasil, os criadores de touros estão deixando os negócios, porque realmente não está valendo a pena. E no Pará, cerca de 80% dos criadores de renome já deixaram de produzir genética por dar prejuízo. Os  investimentos em P.O  (gado de Pura Origem) não estão sendo valorizados por parte dos pecuaristas que necessitam de genética para qualificar seus planteis de gado”, explica Reinaldo.

Zucatelli também não se negou a dizer que o Nelore Zucatelli, gado produzido nos laboratórios de suas fazendas, pode deixar de existir em futuro próximo, já que ele estuda a possibilidade também de parar de produzir genética.

E explica as razões.

“Se não houver uma consciência do criador que compra o touro geneticamente preparado para ele colocar em sua vacada;  se o mercado não melhorar e os pecuaristas não valorizarem o trabalho que  a RR Agropecuária realiza há mais de 30 anos na fazenda Sororó, pagando os animais P.O em prazo mais curto para poder compensar os investimentos que são feitos  na produção genética de gado , nós vamos, também,  iniciar  a desaceleração  da produção de gado Pura Origem. Ou seja, podemos também seguir o rimo de outros companheiros que já decidiram desativar seus laboratórios, acabando com a produção de genética para comercialização. ”, revela o pecuarista.

Trocando em miúdos, as explicações de um dos maiores produtores de gado geneticamente melhorado da Região Norte do país levam à triste conclusão de que num futuro próximo o Pará não terá mais touros de pura origem produzidos no Estado.

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