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Vereadora Cristina Mutran: -“A contribuição feminina não pode ser dispensada impunemente em uma sociedade madura”

Sentados à mesa , este blogueiro, a vereadora Cristina Mutran e seu eficiente assessor parlamentar José Roberto Feitosa Neto.

O encontro ocorreu na residência da própria parlamentar, que nos recebeu para tomar café regado a uma excelente entrevista.

Falando calmamemte, como é seu feitio, Cristina não opôs resistência a nenhma pergunta.

Quando havia dúvida quanto a determinada situação, recorria a seu competente auxiliar José Roberto, que conhece toda a vida parlamentar de Cristina, agenda, ações desenvolvidas em plenárío, contatos com entidades, e por aí vai.

Articulado politicamente, José Roberto é o braço direito de Cristina, sempre escalado para resolver problemas junto a eleitores, entidades e até mesmo em gabinetes governamentais.

A conversa com a parlamentar do MDB demorou umbom tempo oferecendo farto material jornalístico.

A partir deste domingo, publicamos a primeira parte da entrevista.

No próximo, concluiremos a publicação postando a segunda parte do depoimento da parlamentar.

 

Blog – Reiniciados os trabalhos da Câmara Municipal de Marabá,  qual sua expectativa para este ano eleitoral?

Cristina – Eu tenho sempre o sentimento de que a vida das pessoas pode melhorar consideravelmente, desde que cada uma faça a sua parte, trabalhe buscando esse objetivo –  independente de ser ou não ano eleitoral.  Claro, em ano eleitoral as discussões  se acentuam, muitos ´salvadores de pátria´ aparecem prometendo isso e aquilo. Eu entendo que a vida de quem faz política deve ser levada com o mínimo de discernimento, sem demagogia, exibindo transparência e respeitando o voto que lhe foi dado pela população. Portanto,  continuaremos a fazer o trabalho que sempre fizemos, defendendo princípios mínimos humanitários. Porque é preciso que a cidadania do outro seja preocupação de cada um. A cidadania é pessoal, intransferível, ninguém terá mais se o outro tiver menos. O meu papel na Câmara Municipal será sempre de estar com olhos abertos para defender  as pessoas mais necessitadas, aquelas que realmente necessitam de um olhar diferenciado das autoridades.

 

Blog – A senhora sempre teve essa preocupação com as pessoas, digamos assim, marginalizadas no meio da sociedade, os mais pobres. Suas ações no plenário da Câmara são uma prova dessa afirmação. Fiz uma breve pesquisa no site da CM e observei que suas emendas impositivas são todas voltadas a entidades que realizam trabalho de inclusão social.  Apenas como exemplo, uma das emendas impositivas propostas pela senhora destinou R$ 45 mil  para a Associação Educadora São Francisco de Assis  adquirir um aparelho de ultrassonografia  e manutenção de três pessoas  no setor de Recursos Humanos da entidade. Um equipamento desse tem forte significado social numa área tão carente como essa em Marabá.

Cristina – Olhe, esse é meu perfil. Ninguém muda. Eu nasci no seio de uma família classe média, embora educada no meio de uma cultura de muito humanismo. Meu pai foi procurador de Justiça do Estado, tinha preocupações consolidadas de justiça, dizia que o mundo só seria mais justo se todos vivessem melhor. Não tem como eu deixar de seguir esses ensinamentos, até porque isso também interage com minha alma, meu espírito Cristão. Portanto, necessitamos, todos nós, ter consciência do que realmente significa o exercício da cidadania. Cidadania é a coragem de compartilhar dos esforços em instituir uma sociedade livre, justa e solidária.

Blog –Como a senhora define a destinação das suas emendas impositivas?

Cristina – Como moramos há muitos anos em Marabá, com bastante entendimento das entidades e de suas carências, procuramos, anualmente, contemplar aquelas que mais necessitam de reforço para darem prosseguimento às suas ações. Agora mesmo, o meu mandato vem trabalhando com todo vigor para ver se conseguimos revigorar a atuação da Colônia de Pescadores Z-30, uma entidade historicamente dedicada à defender a melhoria de vida das famílias dos associados que vivem da comercialização do pescado, na região. Todos sabem que a Z-30 passa por momentos difíceis. Em função disso,  temos feito gestões junto ao governo do Estado para a construção, na sede da Colônia, de um geleira e a construção tão sonhada de um Mercado de Pesca. Já conseguimos sensibilizar muitas autoridades, inclusive, recentemente, tivemos uma reunião, lá na Z-30, com o secretário estadual de Agricultura e Pesca, nosso amigo  Luiz Pinto, que veio ouvir a classe e lutar, também, para a obtenção de recursos que construam o que pleiteamos.

 

Blog – Vereadora, recentemente, também, a senhora teve uma sacada elogiável ao requerer, através da Câmara Municipal, ao governador Helder Barbalho autorização para os militares do Corpo de Bombeiro, em Marabá, realizar trabalhos de vistorias para licenciamento de veículos  já que os servidores do Detran havia quase 90 dias estavam em greve. Sua intervenção  deu resultado, já que o governador atendeu ao seu pedido.

Cristina – É isso, exatamente o que  disse no início da entrevista, sobre ter o sentimento de que a vida das pessoas pode melhorar consideravelmente, desde que cada uma faça a sua parte, trabalhe buscando esse objetivo. Foi o que fiz. Os usuários do Detran, pelo menos em Marabá e região, estavam privados de legalizar seus veículos por falta de vistoria. Busquei encontrar a solução mais simples, que foi atendida prontamente pelo nosso jovem governador Helder, pessoa super bem intencionada e que será reconhecido em futuro próximo como um dos melhores governantes a administrar o Pará.

 

Blog- A senhora simboliza, ao longo desses anos de vida pública, uma voz aliada  não apenas dos mais necessitados, como também defensora dos diretos da Mulher. Podemos considera-la uma feminista?

Cristinas – Eu evito muito discutir essas questões pelo olhar estereotipado. Mulheres, independente de ser ou não feminista, só temos a ganhar unindo nossas forças  no sentido de  humanizarmos esse mundo, tornarmos ele um lugar de solidariedade, partilha, companheirismo, compreensão, igualdade de direitos e possibilidades. Se a vida tem um lado que é de fardo e sobrecarga, não seria melhor carregarmos juntos? Eu vejo por esse plano.

 

Blog – Olhando aqui a pauta que o blog preparou para lhe entrevistar, observo que suas emendas impositivas alocam recursos para entidades e movimentos  parceiros da luta feminina. É de longe sua luta pela implantação de uma ala  de Oncologia no Hospital Regional de Marabá,  emenda para compra de equipamentos para o Banco de Leite do Hospital Materno Infanti, além de outros recursos que a senhora destinou.  Isso é um olhar voltado para a luta da mulher.

Cristina – Sim, voltado para tentar melhorar a vida das mães de família.  A luta pela ala oncológica do HMI  precisa ser conquistada. Há milhares de mulheres  lutando contra o câncer, sem uma estrutura de saúde pública especializada. no município. Posso citar também a destinação de cerca de R$ 209 mil para implantação do banco de leite e aquisição do mobiliário da  Unidade Básica de Saúde do bairro N.S. Aparecida,  área bastante carente e que tem o olhar de nosso mandato. A muito custo e com muito atraso, as mulheres têm assumido cada vez mais postos de trabalho, funções diretivas e papéis de influência na sociedade. Uma participação equitativa de homens e mulheres nos mais diversos âmbitos é não só uma exigência de um olhar justo sobre o ser humano, como uma necessidade para o bem comum de qualquer comunidade. A contribuição feminina não pode ser dispensada impunemente em uma sociedade madura. Uma cultura em que apenas os homens desempenhassem papéis de influência seria, no mínimo, desequilibrada.

Blog- Vamos falar de política. Por que a figura do vereador é quase sempre associada a político que nada faz ou que esteja  envolvido com alguma “jogada” nada republicana com o poder Executivo?

Cristina – Fico triste ao constatar que essa impressão é muitas vezes passada à população. Eu acho o seguinte: vivemos um momento difícil no cenário político brasileiro, onde a corrupção está presente nas três esferas de governo, seja no Legislativo, Executivo ou no Judiciário. A população está desacreditada em face de tantos escândalos. Porém, temos que deixar claro que não são somente os políticos que se acham envolvidos em corrupção. Existem pessoas de todas as classes, tanto do Poder Público ou da Iniciativa privada. A despeito disto e, infelizmente, qualquer tipo de corrupção que assola nosso País, recai primordialmente na figura do político, e pasmem senhores, o mais atingido é o vereador. Seja este Vereador membro de uma Câmara Municipal de cidade de pequeno, médio ou grande porte, sempre é o Vereador o culpado. E por quê? Será que é por falta de informação da maioria da população, que não conhece o verdadeiro papel do Vereador? Ou porque o Vereador é visto como menor na estrutura política brasileira, quando, na verdade, este agente público deveria ser mais demandado? Não no sentido do clientelismo, mas pela possibilidade de contribuir na solução dos graves problemas que se avolumam nas cidades brasileiras. Só para exemplificar, na  Câmara de vereadores de Marabá temos excelentes quadros, colegas que trabalham muito pela comunidade, só que as vezes os limites constitucionais impedem  do vereador avançar mais na vontade de resolver os problemas que lhes são apresentados pela comunidade.

 

Blog – Atualmente, a executiva municipal do MDB, em Marabá, está sob sua presidência, depois da renúncia do titular João Chamon Neto.  A senhora pretende permanecer presidindo o partido, caso haja uma nova eleição da legenda?

Cristina – Não. Inclusive, já comuniquei isso aos companheiros do partido em Marabá e à direção estadual do MDB. Estou cumprindo obrigação estatutária por causa da vacância do cargo por decisão pessoal do companheiro João Chamon. Meu projeto é trabalhar minha reeleição, ajudar o partido como puder, mas não ocupando a presidência.

 

Blog – Todas as pesquisas realizadas nos últimos meses em Marabá avaliam a  gestão do prefeito Tião Miranda como aprovada por mais  80% da população. Como vereadora, qual sua avaliação do atual governo municipal?

Cristina – Realmente, os fatos demonstram que o  prefeito Tião Miranda tem feito uma boa gestão. A experiência administrativa acumulada por ele nos últimos anos torna o caminho menos sinuoso, porque gerir uma cidade com as características disformes de Marabá é muito difícil. Mas o prefeito conhece muito bem a máquina pública, soube colocar alguns auxiliares nos cargos corretos, isso tudo ajuda.

 

Blog –  Atualmente,  a comunidade acompanha o embate que o ex-vice prefeito de Marabá Toni Cunha tenta travar com o prefeito Tião Miranda,  com nítido objetivo de  desgastá-lo de olho na eleição municipal já que ele é declaradamente pré-candidato a prefeito. Como a senhora vê esse embate e, na sua opinião, qual o perfil ideal de um vice-prefeito?

Cristina – Eu prefiro não emitir nenhuma opinião sobre esse embate ao qual você se refere.  Quanto ao perfil de um vice-prefeito ideal posso falar porque meu marido foi prefeito de Marabá, e temos experiência em relação a esse tipo de relacionamento.  Primeiramente, acho que um bom vice-prefeito não precisa chegar ao lugar do titular para fazer alguma diferença. Um bom companheiro de chapa pode colaborar e muito na gestão pública, dialogando com a sociedade e somando forças com o titular. O vice ideal deve ter sintonia política e ideológica com o titular que um dia ele pode substituir. Tecnicamente, o bom vice deve ser pessoa que atraia votos na eleição e, caso a chapa seja eleita, se mantenha fiel ao prefeito, seja  discreto e procure ajudar ao invés de atrapalhar a administração.

 

Blog- O governador Helder Barbalho pode ser bem avaliado em seus primeiros meses de gestão?

Cristina – Eu não tenho nenhuma pesquisa recente que mostre números para lhe responder cientificamente sua pergunta. Mas olhando o desempenho político dele, não tenho nenhuma dúvida da sua eficiência e competência. O Helder é um animal político que faz política 24 horas, trabalha em tempo integral, conhece todos os problemas do Estado e está sempre antecipando-se para resolvê-los. Eu não alimento nenhuma dúvida de que, ao final de seu primeiro mandato, realizará um governo  de resultados. E quando falo de governo de resultados estou vendo os benefícios resultantes de sua gestão, lá  na ponta, dentro da casa, rua, vilas ou comunidades. Jovem, idealista e que tem sonhos para uma carreira política nacional, Helder tem muito a nos oferecer. É só aguardar para conferir.

 

 

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Nota do blog: no próximo domingo, 22,  o blog publicará a segunda parte da entrevista   com a vereadora Cristina Mutran.

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