A verdade sobre a luta por recursos para a Orla de Marabá

Marabá parece que não tem jeito. Enquanto em Paragominas a classe política e empresarial se uniu e transformou uma cidade que tinha uma péssima imagem duas décadas atrás em um bom exemplo de avanços conquistados, aqui a classe política insiste em se dividir e brigar por mesquinharias.

O último episódio envolve a paternidade da luta para se obter recursos para a ampliação do cais de arrimo na Marabá Pioneira em direção ao final do bairro Francisco Coelho.

O deputado federal Beto Salame (PP) anunciou nas redes sociais que conseguiu junto ao ministro Hélder Barbalho, da Integração Nacional, o compromisso de aplicação de R$ 60 milhões de reais para a tão sonhada obra.

A maioria das pessoas de bom senso comemorou, é claro. Mas logo surgiram vozes para colocar em dúvida se realmente a iniciativa partiu do deputado Beto Salame ou do prefeito Tião Miranda.

O blog tratou de apurar essa notícia.

Todos sabem do bom relacionamento que o ex-prefeito João Salame e seu irmão deputado possuem com o ministro Hélder Barbalho.

E segundo todas as fontes consultadas pelo blog foi justamente esse relacionamento, mais a presença do ex-secretário de Obras de Marabá Antonio de Pádua na secretaria de Infraestrutura Hidríca do Ministério da Integração que criou as condições para que esse projeto começasse a sair do terreno dos sonhos para se tornar uma possibilidade.

Pádua e Beto Salame, à época secretários de Obras e Planejamento, receberam do prefeito João Salame a incumbência de preparar um projeto de ampliação do cais de arrimo. Mas na época não conseguiram interlocução no Ministério da Integração.

Esse ano surgiu a possibilidade do Ministério da Integração investir uma boa quantidade de recursos em obras de proteção contra cheias e de defesa civil em Belém e Santarém.

Ao saber disso, o deputado Beto Salame, no dia 15 de fevereiro, em audiência com o ministro Hélder Barbalho, fez a solicitação de recursos da ordem de R$ 60 milhões para a referida obra. Isso pode ser confirmado pelo ofício endereçado pelo deputado ao ministro e a foto do próprio Hélder exibindo o documento em reunião com o deputado e o ex-prefeito de Marabá. (Imagens abaixo da primeira reunião e o ofício)

 

Diante da concordância do ministro, o secretário Antonio de Pádua foi acionado, pois a verba faz parte da pasta que ele ocupa. Na primeira semana de março ocorreu uma nova reunião para tratar do assunto.

Dessa vez reunindo Pádua, o deputado Beto Salame, o ex-prefeito João Salame, Antonio Luitgards Moura, diretor do Departamento de Projetos Estratégicos do Ministério e Dina Elarrat de Araújo Gama, coordenadora Geral de Engenharia e Estudos (foto abaixo da segunda reunião).

 

Até este momento a prefeitura de Marabá não havia participado de nenhuma atividade envolvendo o assunto, apesar do deputado Beto Salame, na primeira reunião com Hélder Barbalho, ter solicitado que a obra fosse feita através de convênio com a prefeitura e que o prefeito Tião Miranda fosse comunicado da iniciativa, o que teve a concordância do ministro.

Nesta segunda reunião foi informado que o Ministério que não vinha conseguindo contato com a prefeitura para participar de reunião técnica que tratasse do assunto. E foi sugerido que o próprio Ministério licitasse e tocasse as obras devido a urgência do ministro em anunciar a decisão junto com Santarém e Belém.

Coube ao deputado e ao ex-prefeito o pedido de que o secretário Antonio Pádua reforçasse o convite para que a prefeitura de Marabá participasse do processo e com ela fosse assinado o convênio.

A terceira reunião finalmente ocorreu nesta última quarta-feira (22), um mês e uma semana depois da audiência do deputado Beto Salame com o ministro Hélder quando se iniciou esse processo. Agora, já com a presença do secretário de Obras da Prefeitura, Fábio Cardoso. Além do secretário Pádua, do deputado Beto Salame e do ex-prefeito João Salame. (foto abaixo)

Na abertura da reunião, Antonio de Pádua fez questão de registrar que aquele recurso era uma solicitação do deputado Beto Salame e que a obra seria feita em parceria com a prefeitura, sem nenhum centavo de contrapartida. E que essa parceria contava com a aprovação do ministro Hélder Barbalho.

O impressionante é a capacidade de certas lideranças políticas de Marabá em procurar chifre em cabeça de cavalo.

Todos sabem das diferenças políticas que os irmãos Salame possuem com o prefeito Tião Miranda.

São os dois maiores grupos políticos do município, com dezenas de vereadores, lideranças comunitárias e sindicais, empresários e profissionais liberais que se reúnem em torno desses dois grupos.

Ora, se um grupo que saiu da prefeitura estende a mão a outro que está na prefeitura, mesmo sendo adversário, temos que aplaudir e não incentivar a divisão.

Quem perde com isso é o município.

Ao invés de atacar a iniciativa positiva de um deputado, as demais lideranças deveriam também apresentar outra iniciativa positiva. E elogiar o que está sendo feito em prol do município.  Com certeza perderíamos muito menos tempo com brigas desnecessárias e gastaríamos mais energia em tornar Marabá um município mais desenvolvido.