Uma proposta corajosa

O tema foi levantado por José Maria Quadros de Alencar, um dos mais talentosos magistrados trabalhistas do Estado: a transferência da capital do Pará para Marabá. O tema merece discussão, que este poster o fará posteriormente.
Eis o que diz o Blog do Alencar:

É isso aí.
Acho possível e desejável transferir a capital do Estado para Marabá.
Calma, não exatamente toda a capital, mas o Poder Executivo. Poder Legislativo e Judiciário continuariam em Belém.
Precedentes no Brasil não existem, ainda. Mas fora os há.
O Congresso Nacional do Chile, desde sua reabertura, tem sua sede em Valparaíso (o que desagrada os congressistas, que continuam morando em Santiago e querem trazê-la de volta). A capital oficial da Bolívia é Sucre, onde está a sede do Poder Judiciário, e não La Paz. Aliás, esta semana houve um paro cívico em Sucre para exigir a transferência dos demais poderes para a cidade. A capital da Austrália é Canberra (e não Sidney). Até a unificação a sede do governo da Alemanha Ocidental era Bonn e não Berlim.
Marabá é a capital regional da mesorregião do Sudeste Paraense, a mais dinâmica do Estado, e assim permanecerá enquanto tiver minério em Carajás. Fazer coincidir a sede do governo com essa realidade econômica parece ser um ato de pura racionalidade. Claro que as objeções não são poucas, desde as jurídicas até as políticas, passando pelas administrativas e financeiras.
Mas é melhor transferir a capital administrativa – vale dizer, Poder Executivo – para Marabá do que enfrentar esse infindável debate – até agora um pouco carente de racionalidade – sobre a divisão do Estado.
A idéia não é nova. Foi proposta vinte anos atrás, no discurso de posse do primeiro prefeito eleito (Hamilton Bezerra) depois que Marabá deixou de ter prefeito nomeado, que eu ajudei a redigir. E que ninguém prestou atenção (nem o próprio, ao que parece).
Ah, sim. E sai bem mais barato que a proposta de construir uma nova capital entre Marabá e Altamira, lançada pelo então Governador Almir Gabriel.
Mas o maior defeito desta proposta é que, pelo menos por enquanto, ela desagrada a todos os interessados – separatistas do Sul e do Oeste – e até os desinteressados do Nordeste Paraense, metropolitanos inclusive.
Sem chance? Depende.