Hiroshi Bogéa On line

Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa

 

 

Começaram a pipocar nas redes sociais, ainda de forma tímida,  manifestações de apoio aos militares líderes da greve que já dura mais de dez dias, na Bahia. O discurso é de que a imprensa está tentando criminalizar o movimento.

Está errada, a leitura.

O movimento, bem antes de começar, já estava se autocriminalizando.

Seus líderes, cuidaram de emoldurar o chocolate da paralisação com ações de vandalismo.

Puro vandalismo.

Esse trecho de um dos já famosos telefonemas trocados entre os cabeças da greve,  marca,  com veemência,  as intenções de banditismo ocultas no espírito de algumas lideranças, inclusive, as do  ex-policial  Marco Prisco, presidente da entidade que representa a classe:

 

– Prisco: Alô, oi. Desce toda a tropa para cá meu amigo. Caesg e você. Desce todo mundo para Salvador, meu irmão… Tou lhe pedindo pelo Amor de Deus, desce todo mundo para cá…

– David Salomão: Agora?

– Prisco: Agora, agora. Embarque…

– David Salomão: Eu vou queimar viatura… Eu vou queimar duas carretas agora na Rio-Bahia que não vai dar tempo…

– Prisco: fecha a BR aí meu irmão. Fecha a BR.k

 

Ora, ora, dirigente sindical de associação que representa servidores militares  não pode agir dessa forma, situar-se,  amotinado, com seus liderados.

É indiscutível o direito dos militares  provocar antagonismo em busca de suas reivindicações salariais, só não podem “voar” na massa cinzenta de algumas lideranças ao arrepio da Constituição. E Ela é bem clara quanto a greve militar.

Os desatinos vividos pelo povo baiano, nos últimos dias, são responsáveis pela imagem negativa deixada pelo movimento  junto à sociedade brasileira.

A sorte, no caso da Bahia, é de que o Estado tem um governador  equilibrado emocionalmente, e que está conduzindo de forma democrática o confronto. Se tivesse a tentação de agir como o de São Paulo,  Geraldo Alckmin, no episódio do Pinheirinho, derramento de sangue já teria ocorrido.

Jaques Wagner (PT) está indo ao extremo da negociação, única resposta sensata num desses momentos de crise institucional.

O poster, particularmente, é favorável à aprovação da PEC 300, tanto que no Rio de Janeiro, recentemente, assinou manifesto, em plena avenida Atlântica,  de solidariedade à reivindicação dos militares – só não pode embarcar nessa canoa furada de endossar o discurso da “descriminalização”.

Nesse caso bem aí da Bahia, não cabe.

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Atualização às 17:45

 

Presidente Dilma Roussef, indignada com os rumos dados ao movimento grevista na Bahia, já deu pinote contrária a qualquer proposta de anistia aos  gabirus.

 

– Se você anistiar [todos os casos], vira um país sem regra”.  Não concordo em alguns casos, de maneira alguma, com processo de anistia que parece sancionar qualquer ferimento da legalidade. Não concordo, não vou concordar. Vai chegar um momento que vão anistiar antes do processo grevista começar.

 

Aqui.

 

 

 

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2 Comentários

  1. Saudade de Marabá

    9 de fevereiro de 2012 - 22:19 - 22:19
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    Foi uma época em que havia uma euforia, um sentimento nacional de orgulho bastante forte. Você era brasileiro e gostava de ser brasileiro, e queria construir uma nação (Chico Buarque).

  2. Lívia Rodrigues Mesquita

    9 de fevereiro de 2012 - 17:34 - 17:34
    Reply

    Simples. É inconstitucional que militares recorram a manifestações de greve. As infrações desse movimento suplantam a ilegalidade com incitação à desobediência da lei, bem como à violência, denotando, assim, também, desobediência ao Código Militar. Concordo que os militares da Bahia, e, modo geral, merecem revisão de salário. Porém, usarem suas armas (pagas pelo povo e para proteger o povo) para instigarem o vandalismo (provado por escuta telefônica), personifica imagem de “criminosos”.

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