Hiroshi Bogéa On line

Um Fundo de Desenvolvimento Regional Sustentável

Criação de um Fundo de Desenvolvimento Regional Sustentável, essa a saída, pra início de conversa.

Caro Amigo Hiroshi,

Depois dos teus muitos convites, insistentemente enjeitados por mim, resolvo tentar me redimir. Para que a redenção seja alcançada, esforço-me. Resolvi não só te mandar notícias daqui. De contrapeso faço-te uma proposta: sugiro que esta missiva se torne habitual, na forma de correspondências. 

Poderíamos batizar a coluna com o singelo nome de “Meu Caro Amigo”, com o subtítulo: “correspondências irregulares de dois desocupados” – este adjetivo não nos faz justiça, mas dá um charme, além insinuar certo descompromisso. É claro que ao confrontar o subtítulo com o conteúdo das missivas, esta suposta despretensão caíra por terra, criando certo élan à coluna. Isso por que só falaremos coisas sérias, certo?

E para provar a seriedade do negócio, inauguro a correspondência:

Você, claro, está a par do seminário sobre desenvolvimento regional, que aconteceu  por aqui.  Meu caro, o tema não poderia ser mais propício ao momento que vivemos.

Recentemente, na audiência pública do S11D* foi apresentada a seguinte proposta: como condicionante ao Projeto seria criado um Fundo de Desenvolvimento Regional Sustentável, com aporte de um pequeno percentual do valor do investimento – coisa dos seus 12 bilhões de dólares – e também um percentual oriundo do Cefem, por que não?
Mas qual objetivo? Gerar articuladamente a formação de alternativas econômicas perenes na região de Carajás. Esse Fundo seria gerido por um Conselho, com objetivo de gestar um planejamento regional para os próximos 20 ou 30 anos. 

A ideia é juntar, em princípio, os municípios de Marabá, Eldorado, Curionópolis, Parauapebas, Canaã e Ourilândia. Criaríamos com isso um instrumento de ação política para forçar o debate para além das demandas imediatistas, do varejo, da enxugação de gelo, do jogo do faz-de-conta tão magistralmente jogado pela Vale por estas bandas.

Nada contra a Vale, ao contrário. Acho que sem ela não podemos pensar esse projeto, mas é preciso mudar a agenda e os mecanismos de debates, ambos estabelecidos pela empresa, com os entes públicos indo a reboque. O principal desserviço dessa lógica é o isolamento das cidades nas discussões de problemáticas que não são, por definição, “de cada cidade”. 

Só uma provocação para encerrar essa missiva: é lógico que os adventos da Alpa e da Sinobrás criam um novo marco econômico em Marabá, gerando a tão sonhada verticalização mineral, com a formação de um pólo metal-mecânico. Entretanto, no entorno de Marabá há 13 cidades. Que papel está reservado a esse contingente neste processo? Por 25 anos, Curionópolis observou o crescimento vertiginoso de Parauapebas, que dela dista apenas 35 quilômetros. Nesse período aquela cidadela, que entrou para a história como a terra do maior garimpo de ouro do planeta, não aferiu uma vantagem sequer pelo fato de ser vizinha do município que entrou para história por abrigar a maior e melhor jazida de ferro a céu aberto do mundo.

Não há ilhas de prosperidade cercada por pobreza crônica por todos os lados.
É preciso mudar essa lógica e não há momento melhor para impor esta pauta.

O que achas disso tudo, meu caro?
Aguardo notícias,

Cláudio Feitosa.

* Projeto de Ferro em Canaã dos Carajás, que pretende despejar no mercado 90 milhões de toneladas/ano a partir de 2113.
 
PS: na próxima encurto a prosa.

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