Hiroshi Bogéa On line

Trabalhador da Vale  está em isolamento suspeito da Covid-19. Atividade de mineração pode fortalecer circulação do coronavírus.


No projeto Salobo, a concentração de trabalhadores é o cenário ideal para a contaminação, aguardando chegada e saída de ônibus. No trajeto, funcionários permanecem mais de hora dentro de ônibus.

Já há casos confirmados de dois trabalhadores  da Vale infectados pela covid-19, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, e vários dos 55 mil funcionários da mineradora já apresentam sintomas.

Um deles trabalha  na mina de Carajás.

Trata-se de Evaldo Fidelis, colocado  em quarentena, no último domingo, 29,  após apresentar dores no corpo, mal estar e espirros.

É ele quem explica como tudo começou, em entrevista pelo telefone a alguns veículos de divulgação:

– “Eu comecei a sentir ruim, meu corpo doer, querendo gripar, e aí devido a isso eles mandaram ficar em casa. Estou aguardando um diálogo com o secretário do município de Parauapebas para ver se consigo fazer o teste rápido, que chegou na cidade. Mas as orientações dadas pelo PASA, que é o convênio médico da empresa, você fala com ele por telefone, é que eu fique em casa. Caso eu sinta sintomas mais avançados é para eu ligar para eles”,.

Carajás, local de trabalho de Evaldo, funciona a maior exploração de minério de ferro do mundo, com cerca de 10 mil trabalhadores.

São operários de mina, usina e pátio de estocagem que continuam em atividade no município de Parauapebas.

A Portaria Ministerial 135/GM, publicada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no dia 28 de março deste ano, tornando toda a cadeia de mineração uma atividade essencial, pode estar proporcionando facilidades para o coronavírus se espalhar entre trabalhadores do setor.

Charles Trocate,  da coordenação Nacional do Movimento pela Soberania popular na Mineração-MAM, denuncia a decisão do governo de tornar a mineração uma atividade essencial.

A medida liberou o trabalho no setor, colocando em risco não apenas as 1,5 milhão de pessoas empregadas na cadeia de metais no país.

A ONG chama a atenção para a amplitude social e geográfica de uma disseminação a partir das minas – envolve setores de transporte, serviços e portuário – e para a vulnerabilidade à COVID-19 dos mineiros e profissionais que trabalham no entorno das plantas, por condições de saúde ruins e inerentes à atividade.

“Muitos sofrem com problemas respiratórios provocados por contaminação por metais. Todos estão expostos, apesar das medidas de proteção que a empresa diz estar tomando”, denuncia Charles Trocate.

O MAM soltou uma nota de protesto, onde pede que as atividades sejam totalmente paralisadas, com o argumento de que “a dinâmica de trabalho .. viabiliza alta capacidade de contágio”.

O movimento  acusa a empresa Mineração Rio do Norte (MRN), subsidiária da Vale em Oriximiná, no Pará, de levar o vírus ao município, colocando em risco as  comunidades quilombolas e indígenas que vivem naquela região.

Charles diz que funcionários da Vale tem relatado aos sindicatos, a presença de colegas doentes no projeto Salobo, em Marabá, no estado do Maranhão, mas a direção da empresa nega.

Em áudio circulando em grupos de Zap, um desses funcionários conta ter presenciado um colega desmaiar na empresa, depois de um acesso de tosse.

Diz ainda que a expectativa de todos é que aquela planta seja paralisada logo, já que apresenta “grau quatro de risco”.

O grau máximo, que implica na paralisação das atividades, é o cinco.

Há casos confirmados de COVID-19 entre funcionários da Vale em Minas Gerais e Rio de Janeiro, mas segundo o MAM, isso não resultou em nenhuma mudança na forma de operação da empresa nesses Estados.

Charles diz que a medidas adotadas não funcionam porque estão mal implementadas.

“Os banheiros químicos foram instalados em um barranco que cedeu; o restaurante também está com as instalações ruins, foi mudado há pouco de lugar porque a mina chegou até ele. E quem mede a temperatura do funcionário é o motorista do ônibus que o traz para o trabalho. Não há controle algum”, diz.

O blog acaba de enviar solicitação à Assessoria de Comunicação da Vale pedindo informações sobre o assunto. Caso a mineradora dê retorno à solicitação, sua versão será atualizada neste post.

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Atualização às 09:50 (04/04/20)

Sempre eficiente e rápida em atualizar informações da empresa, a jornalista Tami Kondo, da Assessoria de Comunicação da mineradora,  respondeu às solicitações do blogueiro indagações a respeito do post.

Em nota, a Vale esclarece ações que tem assumido para o enfrentamento e proteger seus funcionários em relação ao coronavírus.

Matéria está neste link.

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