Tapas e beijos bicudos

Publicado em 25 de junho de 2011

 

 

Nos bastidores, os ânimos entre os deputados João Salame (PPS) e Sebastião Miranda (PTB) não são dos melhores. Um trata de cutucar o outro a modos diferentes, mas com objetivo único: engrossar os defeitos de cada qual.

Para o público externo, ambos são tidos como “aliados de primeira ordem” , baseado naquela velha postura da polidez priorizada.

Divergências públicas  os dois  procuram evitar,  conscientes de que o embate em praça aberta serve apenas aos interesses de seus opositores -, e para desqualificá-los como pessoas eleitas pelo município.

As nomeações de segundo escalãodo governo estadual  e a prefeitura de Marabá, aguçam a sede de cada um.

Salame se sente afetado por não ter conseguido emplacar seus apadrinhados nos cargos estaduais de maior visibilidade eleitoral, em Marabá.

Miranda esnoba, ao seu jeito, o prestígio conquistado junto a Simão Jatene, sacramentando as principais nomeações até agora conquistadas.

Ambos, aos seus interlocutores, costumam dizer que estarão juntos na eleição de 2012, com Salame apoiando a candidatura a prefeito de Sebastião – na certeza de que deverá fechar a indicação de sua esposa, Abiancy Cardoso, na chapa de vice.

Aos mais próximos, o ex-prefeito de Marabá garante que o seu candidato a vice será escolhido por ele, sem influencia de ninguém.

Na cabeça de Salame, o jogo passa por essa negociação, mas se o cavalo passar selado, ele não pensará duas vezes em seguir outra rota – afastando-se da liderança de Sebastião.

Quem sabe, apoiando até uma terceira via -, cenário que Miranda tentará evitar, levando o colega de AL ao seu jeito, até o limite final das datas de definições eleitorais

Os dois têm forte personalidade.

Ambos querem a mesma cadeira.

Sebastião e João esbaldam possuir forte liderança eleitoral e que, por isso, não aceitam ficar sob a liderança do outro.

Atualmente, Salame sabe que perdeu para Miranda a queda de braço na questão das nomeações políticas, mas, no limite da matreirice, evita afunilar os ingredientes que engrossaram o caldo da relação insincera de ambos, tentando administrar, a contra gosto, o sopão de interesses contrariados – para ver até onde a corda estica.

Mas que ninguém duvide: logo, logo esse conflito de curva transcendente será revivido na mesa das negociações para a definição da chapa que disputará a prefeitura de Marabá.

Para evitar confrontar-se com Sebastião, Salame continuará com seu discurso de preservação da integridade do “grupo político”.