Hiroshi Bogéa On line

Soldados da Borracha

Comentarista que assina JNP reabre discussão a respeito do desprezo com que são tratados os chamados “Soldados da Borracha”.

O que diz JNP:

Dentre estas entidades participantes deste tão propagado aniversário, acho que você, Hiroshi, deveria dar uma mãozinha para o Conselho Nacional dos Seringueiros que tem como representante, no Pará, o Sr. Paulo Sampaio, que junto com vários marabaenses, durante a 2ª Guerra Mundial estiveram dentro das matas da Amazônia tirando a matéria prima da seringueira (a borracha) para exportação para os países aliados dos americanos, incluindo o Brasil.

A luta destes senhores é para equiparação salarial das aposentadorias dos mesmos a dos pracinhas que estiveram na guerra.

Se era uma guerra mundial, tanto para quem estava lá no “front”, na Europa, como quem estava dentro da selva e viu seus amigos morrerem de malária, picadas de cobras venenosas, onças, jacarés e outros que perderam a vida ou ficaram deficientes ou ainda que deixaram viúvas para ganhar 2 míseros salários mínimos.

Meu pai, hoje cego, com seus quase 90 anos é um deles e acho humilhante, pelos serviços prestados a nação e ao mundo o descaso dos governantes deste pais.

Desculpe o desabafo mas gostaria que você pudesse fazer uma matéria em seu blog a este respeito e quem dos nossos representantes na câmara ou senado de qualquer lugar do Brasil está com este projeto.

Abraços,
JNP – 90 anos

Nota do blog:

A deputada federal pelo Estado do Amazonas, Vanessa Grazziotin (PCdoB) foi quem apresentou PEC (Proposta de Emenda à Constituição) propondo concessão, aos “soldados da borracha”, dos mesmo benefícios previstos aos ex-combatentes da 2ª Guerra Mundial. Mas isso foi em 2002.

Até hoje, a tramitação da PEC parece empacada.

Como a matéria exige mudança na Constituição, Câmara e Senado têm que discutir e aprovar, em dois turnos, o projeto. Se a reperesentação política do Pará não se mobilizar, reforçando a iniciativa de Vanessa, muitos ex-soldados, hoje com idade avançada, o pai de JNP como exemplo, não sentirão o prazer da notícia de aumento de suas aposentadorias.

O fato se impregna de tristeza, e mede, ao mesmo tempo, a distância que separa a classe política da realidade sicial do país.

Em Brasília, eles vivem a fantasia contagiosa do poder, esquecendo de quem ficou na base da pirâmide e que, originariamente, são seus verdadeiros patrões: a população desassistida.

Sempre é bom lembrar, pra quem não sabe, a importância dos “soldados da borracha” na participação do Brasil na Segunda Guerra.

Ao todo, cerca de 60 mil pessoas foram recrutadas pelo chamado Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia, com a missão de produzir borracha nos seringais destinada a abastecer a indústria bélica norte-americana.

Era função estratégica e emergencial.

Hitler avançava sobre diversos países europeus, com ameaça, inclusive, de atravessar o Atlântico, tanto que alguns navios brasileiros chegaram a ser afundados por forças alemãs em águas de nosso território.

Dos 60 mil soldados da borracha recrutados, perto de 30 mil perderam a vida na floresta, vítimas de doenças diversas.

Marabá viveu esse apogeu.

Diversos marabaenses, inclusive o pai deste poster, também recrutado, passaram anos nas matas recolhendo a seringa, existente nas florestas do Sudeste do Pará.

O blog já passou a acionar deputados federais, através do Twitter e emails, cobrando posição a respeito da questão.

Fiquemos atentos, portanto.

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8 Comentários

  1. Esteval Monteiro

    25 de maio de 2011 - 18:17 - 18:17
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    Essa Presidente é muito injusta, não sabe o que esses herois da Amazônia sofreram e ela teve a arrogâcia de vetar o direito de receberem o do 13º. Não tem nada ver com bolsa família ou outros benefícios. Que DEUS dê em dobro a ela, tudo o que está fazendo para esses homens.

  2. Esteval Monteiro

    25 de maio de 2011 - 18:03 - 18:03
    Reply

    Senhores políticos, que muitos dos soldados da borracha com seus votos o ajudaram a coloca-los na camara Federal ou no Senado, por favor sejam mais dignos e deem uma atenção especial para esses herois, aprovando o mais rápido possível esse projeto, porque senão muitos destes, não vão alcançar, por já serem velhinhos e doentes, consequência da extração do látex na época da GUERRA “esses sim foram verdadeiros soldados”, e agora esquecidos.

  3. Hiroshi Bogéa

    15 de agosto de 2009 - 22:16 - 22:16
    Reply

    Correção feita, irmão. Já seria um bom salário, sim, pra quem ganha míseros 600 paus, atualmente, de aposentadoria.

  4. Val-André Mutran

    15 de agosto de 2009 - 14:04 - 14:04
    Reply

    Claro Hiroshi!
    Corrigindo o comentário.
    O projeto elevará para R$ 3 mil reais o benefício aos heróis da Amazônia.
    É pouco, mas vai aliviar e lhes dar um a dignidade que merecem.

  5. Hiroshi Bogéa

    15 de agosto de 2009 - 12:10 - 12:10
    Reply

    7:38 AM, Paulo e Val: torçamos para que a PEC da deputada amazonense seja transformada em lei, o mais rápido possível,. Abs

  6. Val-André Mutran

    15 de agosto de 2009 - 02:08 - 2:08
    Reply

    O reajuste eleva para pouco mais de R$ 3 para esses bravos heróis e ajudará pacas.

  7. Paulo Jordão

    13 de agosto de 2009 - 13:16 - 13:16
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    Conheci o filho de um soldado da borracha em plena Transamazônica, na área da Reserva Cachoeira Seca, na Transiriri – rodovia que cerca o rio Iriri. O cara me deu uma entrevista sobre a possibilidade dele sair da terra onde nasceu, foi criado e onde criava seus filhos, porque a área seria demarcada e ele teria que deixar a região.
    Ele me disse: "Se a área é dos índios, eu também sou índio, pois vivo como índio. O que eu vou fazer na cidade? Eles querem que meus filhos virem bandidos? Não, eu só saio dessa terra morto, poi daqui tiro o meu sustento e o de minha família".
    O cara falava com orgulho do pai. Além de fazer um boa matéria, fiquei impressionado com aquela situação. E olha que sou acostumado a rodar por essa terra de Deus.
    Os soldados da borracha são heróis não reconhecidos.
    Paulo Jordão

  8. Anonymous

    13 de agosto de 2009 - 10:38 - 10:38
    Reply

    CONCORDO EM GENERO NUMERO E GRAU.
    MEU PAI TAMBEM ESTEVE NA SELVA E ATÉ HOJE TEM SEQUELAS.
    ACHO QUE UM POUCO MAIS DE DIGNIDADE A ELES: ESTES DESBRAVADORES QUE LUTARAM "ANONIMAMENTE" PELO PAÍS TEM QUE TER UMA RECOMPENSA MAIOR.

    LEMBRO QUE MINHA MAE FICAVA MESES SEM VÊ-LO POIS O MESMO ESTAVA NESTE SERVIÇO DA EXTRAÇÃO DA BORRACHA E EU E MEUS IRMÃOS TINHAMOS QUE NOS VIRAR, ENGRAXANDO SAPATO E PEDINDO AJUDA A VIZINHOS PARA NÃO PASSAR FOME.

    ESTA É UMA DAS MAIORES INJUSTIÇAS QUE EU JÁ VI.

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