Se o Natal…

Publicado em 11 de dezembro de 2010

Leitor do blog, Edmilson Peixoto envia, para publicação, artigo de sua lavra sobre o período natalino.

SE O NATAL NÃO FOSSE APENAS EM UM DIA?



– Edmilson Peixoto

Está chegando o Natal. Data que simboliza a esperança e o renascer de uma “nova vida” para milhares de pessoas que “vivem sem esperança” e lamentam constantemente da vida que tem. Mas, apesar de todas as controvérsias e transigências que recheia a origem do Natal, é o momento da representação máxima da celebração cristã do nascimento do maior herói de toda a humanidade – Jesus Cristo.

O Natal representa também o lúdico que encanta todas as idades e direciona ao consumismoprincipalmente daqueles que menos tem, mas que precisam culturalmente presentear pela data que exige a lembrança, através de uma recordação material preparada pelo capitalismo para agradar todos os consumidores e aumentar as “cifras do lucro”.

Natal é ainda o dia de amenizar o “peso da consciência e dos pecados” e praticar o bem. É ser solidário e doar-se numa constante demonstração de gratidão e fraternidade.

Aí, recordo-me de uma das maravilhosas canções do padre Zezinho que diz: “…tudo seria bem melhor, se o Natal não fosse um dia e se as mães fossem Maria e se os pais fossem José e se os filhos parecessem com Jesus de Nazaré”, e imagino se esse Natal solidário não fosse apenas um dia, poderiam servir “sopão” e até doar roupas e brinquedos velhos diariamente ao indigentes. Poderiam deixar de exigir mais segurança contra os pobres, negros e favelados e parar de ficar implorando pela pena de morte, pela redução da maioridade penal, não desejar mais ver as mulheres mortas por praticarem aborto, nem desejar mais a morte e a destruição dos favelados ou sentir ódio e medo das crianças nos faróis, e até se indignar por todo e qualquer tipo de trabalho infantil, trabalho escravo ou aquele insalubre praticado por idosos, pela prostituição de crianças, adolescentes e jovens, por lhes faltar oportunidades e igualdade de condição.

Talvez com a prática efetiva da verdadeira solidariedade, fosse possível amenizar situações conflituosas de vidas sofridas diuturnamente de milhares de pessoas que passam “fome de comida”, “de educação”, “de saúde” e a pior de todas elas que é a “fome não saciada por justiça”, convivida com a injustiça da própria justiça e dos “algozes corruptos e inescrupulosos” que são referendados como representantes do povo e aproveitam o Natal para mandar aqueles cartõezinhos idiotas com dizeres do tipo: “vamos juntos construir um novo tempo”.

Entretanto, ser solidário é indignar-se com a existência de milhões de pobres e miseráveis que vivem sem Natal e sobrevivem o ano todo com migalhas ou passam fome, em contradição com tanta riqueza que se concentra nas mãos de poucos. Por outro lado, não é somente se indignar, mas lutar contra todo e qualquer tipo de desigualdade e discriminação humana durante todos os dias de cada ano.

Que o espírito do Natal esteja sempre conosco. Feliz Ano Novo a todos e todas.