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São Félix do Xingu pode se transformar em exponencial criador de peixe

Informação é da repórter  Aline Miranda:

 

 

Reduto de pecuária, São Felix do Xingu, no sudeste paraense, está abrindo espaço para a piscicultura.

De acordo com estimativas do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), considerando a última década, criar peixes em cativeiro é uma atividade que vem crescendo cerca de 15% ao ano no município, com uma produção anual próxima de 100 toneladas.

Atualmente, a Emater acompanha com regularidade o trabalho de 25 famílias piscicultoras. As espécies com que mais se trabalham são tambaqui e seus híbridos, piabanha, piau e pintado amazônico.

Técnico em aquicultura do escritório local da Emater, Marlos Peterle comemora os resultados. “A trajetória é de evolução. No momento, é a grande a aposta para a agricultura familiar. A atividade contribui com a segurança alimentar, com nutrição saudável, fora que apresenta ótimo faturamento”.

Segundo Peterle, os principais desafios ainda são o alto custo com insumos como a ração, também com a dificuldade de maior disponibilidade de maquinário para a implantação dos projetos, e maior a crédito rural.

“Nossos esforços vêm no sentido de fortalecer organizações sociais para facilitar a negociação à compra de ração, acesso a máquinas, e parceria contínua com os agentes financeiros para agilizar a liberação de crédito. Além disso, fazemos parte do processo multi-institucional de questões como a DLA (Dispensa de Licenciamento Ambiental) e outorga de água”, diz.

A Fazenda Aliança, na região da Araraquara, é um exemplo. Os 100 hectares da propriedade que antes se concentravam em gado selecionado para revenda (200 cabeças de touros caracu e matrizes nelore), há dois anos também passaram a abrigar um projeto da Emater de tanques escavados com peixe. Por ora, são oito tanques escavados com mais de mil tambaquis em 1 mil e 200 m² cada. A água é captada de uma nascente e mantida em reservatório.

O agricultor Cidy Carlos de Oliveira reconhece a contribuição técnica da equipe da Emater. “Começamos a investir em piscicultura como segunda renda. Estamos muito satisfeitos com os resultados. A assistência da Emater é o diferencial. Somos de verdade bem assistidos”, afirmou Cidy Carlos, que é técnico agrícola e vice-presidente do Sindicato dos Produtores Rurais (SPR) de São Félix do Xingu. Ele mora com a esposa, Verônica, 32, e a filha, Emanoelly Vitória, 6.

“Cada vez mais o agronegócio mostra como é importante para o sustento do país. Para nós, que estamos na ponta, que moramos e trabalhamos na propriedade, que acreditamos no ‘agro’, produzir alimento, consumir o alimento que nós próprios produzimos, é uma grande conquista”, completa.

Na despesca anterior, escalonada entre o fim do ano passado e fevereiro deste ano, seis tanques renderam-lhe duas toneladas de pintado amazônico e três toneladas de tambaqui. Descontando-se o consumo pela família, a produção foi toda vendida abatida e fresca, sem gelo, para peixarias do município (espécie de “açougues” de peixe), com lucro de 100%.

Este ano, a área de cultivo já foi expandida de seis para oito tanques, com produção estimada em no mínimo oito toneladas. Em agosto de 2020, o produtor quer acrescentar mais três tanques. A escolha para apenas tambaqui se deu pela maior aceitação no mercado imediato. “Quero aumentar ao máximo o potencial da piscicultura”, planeja.

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