Resposta do deputado Parsifal Pontes

Publicado em 29 de abril de 2011

 

Preservando  elegância e o respeito com que trata contraditórios, o deputado Parsifal Pontes (PMDB deixa transparente sua posição em relação ao pedido de CPI,  sobrestado por carência de assinaturas, ao comentar o post No Rufar dos Tambores.

A seguir, íntegra do texto do parlamentar, como sempre, zelando pela estrutura estética de nossa língua pátria:

 

Com os meus cumprimentos, permita-me clarear que não nego, e nem faço exercício algum para negar, que a ALEPA é sujeito passivo de um processo investigativo.

Aliás, não há somente um e sim dois: desde março deste ano há dois auditores da Receita Federal dentro da ALEPA, levantando a possível sonegação de imposto federal na folha de pagamento a partir de 1994. O MPE e o MPF, portanto, estão fazendo, com total isenção os seus trabalhos.

Conceda-me a sua observação de que eu, como adversário ferrenho do governo anterior, não assinei quatro pedidos de CPIs então propostas: Hangar, Kits escolares, Caixas da AGE e SEMA. Em todas as ocasiões fiz pronunciamentos defendendo a rigorosa apuração pelos órgãos competentes, e, no caso das Caixas da AGE, fui, juntamente com a Deputada Simone, entrega-las ao MPE, que, infelizmente, até hoje, não as abriu.

Na terça-feira desta semana, fiz pronunciamento na Casa com o mesmo posicionamento: apuração pelos órgãos competentes, MPE e MPF, do que possa ter ocorrido na ALEPA nos objetos investigados, observando que, caso apareçam indícios de envolvimento de deputados no ocorrido, que seja aberta a Comissão Processante que é o instrumento regimental cabível.

No caso específico da “quebra de sigilo bancário da ALEPA”, o que coloquei é a desnecessidade da medida judicial. Em primeiro lugar porque a Casa autorizaria o Banpará a entregar o que o MPE precisa para a produção do que pretende provar. Em segundo lugar, no que tange à movimentação financeira de folha de pagamentos de órgãos públicos, não há a figura do sigilo, podendo as informações serem acessadas por qualquer cidadão. Já há, inclusive, órgãos públicos que disponibilizam estas informações nos seus respectivos portais, o que, aliás, acredito que a ALEPA deverá se preparar para fazer doravante.

Por fim, embora eu saiba que as explicações que eu queira dar sobre o meu posicionamento, caem na coluna da versão maniqueísta de “não querer CPI porque tem culpa no cartório”, eu sei o que é uma CPI e por isto não acredito nelas e não faço parte do teatro que elas representam enquanto instrumentos políticos de oposição, mas, mesmo na oposição, como dito acima, não desejo fazer parte de teatros, até porque eu conheço todos os atores, de oposição e situação, e não sou páreo para nenhum deles: não levo o Oscar nem de coadjuvante.

Agradeço-lhe as boas referências que me fez, no meio dos beliscões cometidos.

Um abraço aos amigos marabaenses.

Parsifal Pontes

 

Nota do blog: enquanto alguns deputados estão no meio do arranca-rabo revelando faces dúbias e posturas contraditórias, é preciso reconhecer a  diafaneidade com que Parsifal Pontes tem encarado a prodridão que exala da AL. No blog dele, assinado, preto no branco.

Quanto aos “beliscões” sentidos pelo simpático Pontes, quem sabe tenha sido ato provocativo do poster para trazê-lo ao bom embate assim.

Que bom se a blogosfera girasse sempre em torno desse nivelamento!

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atualização às 16:18

Os quatro parlamentares que compõem a Comissão Externa da Câmara dos Deputados realizaramsua primeira reunião de trabalho nesta quinta-feira (28), em Brasília. Elescomeçaram a definir a agenda de trabalho para acompanhar as investigações sobreas denúncias de desvio de recursos públicos na Assembleia Legislativa do Pará(Alepa).

Coordenador da comissão e autor do requerimento de sua criação, Cláudio Putyinformou que, durante o encontro, o grupo discutiu estratégias para atuação dacomissão. Ele destaca que os parlamentares devem atuar como fiscais dosrecursos federais e já planejam visitar a Receita Federal, promover um debatecom a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ir ao Estado do Pará. Eles também planejamagenda de trabalho com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal.

Criada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia(PT-RS), na última quarta-feira, a Comissão Externa é composta ainda pelos deputadosfederais Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), Jean Wyllys (PSOL-RJ) e FranciscoPraciano (PT-AM).

 

Fonte: Ascom parlamentar