Respeito é bom

Publicado em 8 de outubro de 2008

Em sua coluna do caderno BOLA, edição de hoje do Diário do Pará, o Diretor de Redação, Gerson Nogueira, publica resposta deste poster às comparações fora de ordem feitas por Ricardo Paul, profissional de marketing e dirigente do Paissandu, entre o Águia e a dupla RE-PA.

A seguir, reforçamos íntegra da resposta:

Caríssimo Gerson:

Não conheço Ricardo Paul. Mas a merecer de tua parte expressão de amizade como ficou registrada na coluna do dia 02/10, ele deve ser uma excelente figura humana. As manifestações dele cheias de aleivosias a respeito do Águia, no entanto, merecem senões.

Ao citar “fatores” que supostamente diferenciam o time marabaense de Remo e Paissandu, o especialista em marketing danou-se em exibir bobagens e traços preconceituosos, certamente, traído pela emoção dolorosa de assistir mais uma vez nosso querido Paissandu jogado na latrina pela incompetência de seus dirigentes.

Como o ‘Estripador’, vamos também por partes:

1- Paul acerta em cheio ao dizer que o Águia “não é um clube, mas um time de futebol”. Só que ele não sabe que essa pequena estrutura é administrada como um clube, ao contrário dos dois tradicionais clubes da capital, ‘empurrados’, ao longo dos últimos anos, como se fossem apenas times de futebol.

2- Corretíssima também a observação de que Paissandu e Remo, por terem torcidas formadas ao longo de quase um século, são mais sujeitos aos humores de um estádio lotado cobrando atitudes de seus jogadores. Só que o nosso raivoso colaborador do fórum informal de tua coluna foi de uma estupidez sem tamanho ao fazer conjecturas deselegantes a respeito dos jogadores Ciro, Gustavo, Soares, João Pedro e Felipe Mamão, todos com passagens pelos dois clubes maiores do Pará.

À pergunta insolente que Paul fez (“Por que esses heróis de Marabá nunca derem certo em Remo ou Passandu?”), é fácil responder: todos ‘deram certo’, porque, primeiro, são bons valores, e, principalmente, relacionados profissionalmente no Águia com salários em dia, ótimo ambiente de trabalho, respeito na relação “time”-jogador, e dignidade. Quem joga no Águia tem a garantia de que pode contar com dinheiro no bolso, todo fim de mês.

3- Quanto aos patrocínios, citados ingenuamente pelo intrépido Ricardo, ele chega a colocar em dúvida seus conhecimentos de profissional de marketing esportivo, ao ver a camisa do Águia como um adereço carnavalesco. Desconsiderando a figura de retórica usada exatamente para depreciar a marca vencedora do Sul do Pará, o invocado rapaz coloca em dúvida a capacidade dos dirigentes aguianos venderem “cinco cotas de patrocínio no valor que vendemos patrocínios de Remo e Paissandu”.

Para o universo de consumidores impactados pelo time nos municípios ao entorno de Marabá, as cinco cotas vendidas no inicio do ano são de bom tamanho -, o que certamente não ocorre com os valores contratados por Remo e Paissandu, considerando a proporcionalidade de consumidor per capita da Região Metropolitana e suas imensas empresas renomadas. Quem tem coragem de colocar sua marca numa camisa perdedora, dia sim, dia não, ligada a apreensão de rendas para o pagamento de pendências trabalhistas e outras mumunhas?

Ricardo Paul, certamente, sabe que, utilizado de forma precisa, o marketing esportivo agrega força à marca ou à empresa por meio do simbolismo com os valores do esporte, como superação, trabalho em equipe e liderança, inerentes também ao sucesso em competições. Se Paissandu e Remo, regidos por bons gestores, fizessem esse dever de casa, os valores de patrocínios em suas camisas seriam dez vezes maiores.

4- Finalizando, sem entrar no mérito do João Galvão ser, ao mesmo tempo, presidente-treinador, até porque ele demonstra ser competente para ocupar as duas funções, o Ricardo, fazendo apologia ao desdém, finalizou o comentário dizendo que “no Águia pode tudo”. Quase, ele acerta.

Pode, sim. Pode pagar os jogadores em dia. Pode ter camisa-abadá com cotas de patrocínios vendidas antecipadamente com prazo de um ano da atividade seguinte; pode ter dinheiro em caixa, também. E pode, num período de nove meses, sagrar-se vice-campeão paraense e estar entre os oito clubes que disputam vaga à Série B.

O que não pode é abrir espaço para cartolas incompetentes, a ponto de permitirem que o site de um clube das tradições do Paissandu fique também abandonado, sem atualização, num provedor de Internet, deixando torcedores e o púbico em geral em dúvida se estamos em 2008 ou à época em que o Clube de Suiço derrotou o Penharol, do Uruguai, por 3 X 0.

Isto não pode. No Águia.
Hiroshi Bogéa