Rádio Itacaiúnas presta homenagem a Hiroshi Bogéa

Publicado em 3 de junho de 2013

 

 

Vou tocar o assunto, na primeira pessoa.

Tomei conhecimento da homenagem que me prestaram, semana passada, diretores e comunicadores da Rádio Itacaiúnas, por ocasião da passagem dos 26 anos de aniversário da primeira emissora de rádio de Marabá.

Durante programação,  meu nome foi lembrado como responsável pela implantação da estação.

Como atualmente quase não escuto  rádio – soube das homenagens através de um telefonema do Junior do Teclado, comunicador da AM e um dos músicos com os quais me identifico muito na cidade -, registro o fato, com atraso.

Verdade.

A Rádio Itacaiúnas teve seu projeto total concebido por mim, ao ser convidado pelo empresário  Aziz Mutran (falecido ano passado), para trabalhar sua construção.

Não apenas construímos a emissora com os equipamentos mais modernos à época, mas implantamos uma grade de programação que fez escola.

Altamente profissional, a Itacaiúnas passou logo a ser referência no Pará e em outros Estados.

Em pouco tempo, respaldada numa gestão espartana que eu implantei (o nível de qualidade da emissora era medido por mim a cada minuto, colado que ficava num sintonizador portátil, por onde ia), passamos a ser imitados por emissoras de Belém.

A fama correu logo, gerando interesse em conceituados comunicadores.

De Belém, Imperatriz, Goiânia e outras cidades, muita gente queria migrar para a Itacaiúnas.

Trouxemos muitos nomes bons,  mas exportamos outros, formados na escola exigente que eu implantei.

Um dos primeiros a trocar Marabá pela capital, foi Frank Souza, competente comunicador que eu formei nos estúdios da 850.

De lá, também, saíram Bia Cardoso, atual primeira dama de Marabá, que zarpou para trabalhar na Liberal; Célia Piagno, apresentadora que migrou pra capital, indo trabalhar na RBA  -, além de Zeca  Moreno, Wanderley Motta, Juca Neto, Elvan do Vale, citando alguns.

Tempo em que rádio era a caixa de ressonância mais próxima da sociedade.

Antes da Itacaiúnas, também tive meu trabalho recompensado na Rádio Imperatriz, também primeira emissora da vizinha cidade, na qual implantei o Departamento de Jornalismo.

Tempos duros da fase final da ditadura.

Tempos duros de muitas pegadas corajosas da linha editorial da emissora, sob o comando de Moacir Spósito, dono da estação, que primava, igual a mim, pelo controle de qualidade.

De tanta  fiscalização e denúncias corajosas, um dia incendiaram a estação.

À época, diziam, teria sido a Polícia Federal, depois de sofrer  cerrada fiscalização por parte da AM.

Foi um dia de cão.

Moacir, eu, e demais colegas, correndo para colocar a estação no ar, em qualquer local disponível.

Os babacas haviam incendiado o prédio onde funcionavam os estúdios.

Inda bem.

Se o sinistro tivesse ocorrido na área dos transmissores, afastada da cidade, seria mais difícil ressuscitar a amada emissora dos imperatrizenses.

Em poucas horas, a Imperatriz voltou ao ar. Só de pirraça.

Recordar esses tempos de luta constante para levar à população veículos de informação, me faz um bem danado.

E agradeço, feliz, a lembrança da galera que comanda e toca, atualmente,  a Itacaiúnas.