Punhal cortando no ar

Marabá está sitiada pelo fogo.
Num raio de 100 km a fumaça circunda estradas, rios, igarapés e seu espaço aéreo. Quem se aproxima da cidade de avião enxerga de longe o cenário desolador, imensa massa escura concentrada como que denunciando a existência de uma grande explosão com seus efeitos assustadores.
Marabá voltou a ser o centro da atenção dos satélites monitores de devastação. Um dia berço de poetas apaixonados pelas suas belezas naturais, a cidade agora se esvai, grosseiramente dominada pela ira do fogo construído pela mão do homem.
São 16 horas.
As ruas de Marabá estão escuras. A fumaça adensa, atiçando vontades de se fazer algo para impedir essa triste fotografia, cálice de incêndio explícito num jardim sem seda.
Triste fim de semana, retornar ao topo do chão natal e ver-se trágica sensação de cemitério sem túmulos, vidas mortas andando a esmo.
Hoje a noite será cruel. Querer tentar respirar, sem conseguir, o brilho de uma miragem adormecida à flor de pálpebras ardendo de fumaça.