Publicitário paraense questiona politização do debate sebre o coronavírus

Publicado em 27 de março de 2020

O DEBATE CONTAMINADO

 

      –  Glauco Lima

 

 

Mais uma vez a mãe de todas as nossas desgraças ( A INDECENTE DESIGUALDADE ECONÔMICA E SOCIAL) contamina o debate brasileiro.

É sempre assim!

Na democracia, no debate de corrupção, das eleições, no debate da violência urbana e no campo, no debate de políticas de inclusão humana, tudo é contaminado pela força da desigualdade.

O Brasil é talvez o país com território mais fértil para o cultivo da demagogia.

Poucos lugares no mundo tem clima tão propício para o discurso demagógico, raso, imediatista.

Seja um discurso irresponsável de esquerda ou, como sempre na nossa história, a pregação perversa da extrema direita besta-fera.

Como querer um debate mais profundo, mais complexo, menos simplório, onde mais da metade da população ainda está na pobreza e ou na extrema pobreza?

E ao mesmo tempo o país tem uma das 10 maiores economias do mundo?

Ou seja, tem muita gente muito pobre e pouca gente cada vez mais rica, isolada no topo, concentrando poder e renda.

Como querer que alguém com fome, desempregado, com dor de barriga ou num trabalho precário sem direitos, vote pensando em algo que não seja a sobrevivência?

Como querer que alguém sem renda entenda as políticas públicas, a ciência, a tecnologia para enfrentar uma epidemia ou uma pandemia?

E disso se aproveita quem tem mais dinheiro e mais controle do jogo.

E disso se aproveitam os oportunistas, os políticos serviçais do mercado mais insensível, os que não querem que nada mude, os que querem perpetuar este estado de coisas.

O Brasil tem baixa imunidade contra demagogia. Qualquer estupidez com carinha de boa intenção tem fácil aderência.

Esse debate atual sobre o que é mais urgente: salvar vidas ou salvar a economia está totalmente contaminado pela estupidez aderente. É uma discussão doente.

Como foi distorcido o debate sobre a criação do décimo terceiro, sobre a cota para negros ou do debate sobre o bolsa família.

Entre tantos outros desde o fim da escravatura.

O debate pertinente é: como achatar já a curva de expansão da doença e como o grande capitalismo brasileiro pode atuar nessa urgência, transferindo renda para amenizar os impactos da estagnação da economia.

E quando se fala em contribuição do grande capitalismo, não é só fazer demagogia doando garrafas de álcool gel.