Professora da Unifesspa coordena projeto de  conscientização ambiental nas áreas atingidas pela cheia dos Tocantins e Itacaiúnas

Preocupada com a dimensão e consequências do agravamento  do descarte incorreto de lixo feito  por algumas pessoas atingidas pelas cheias dos rios Tocantins e Itacaiúnas,  professora  da Universidade Federal do Sul/Sudeste do Pará (Unifesspa), Andrea Hentz está convidando voluntários para participarem de ações de combate ao impacto do lixo jogado deliberadamente nas áreas alagadas.

Engenheira Agrícola formada pela Universidade Federal de Lavras, Mestrado em Ciências do Solo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e Doutorado em Ciências do Solo pela Universidade Federal de Santa Maria, Andrea Hentz já colocou a mão na massa, desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira, 17, iniciando levantamentos dos pontos onde serão coletadas amostras de água para verificação de sua contaminação microbiológica.

Com o apoio dos primeiros voluntários (foto abaixo), inicialmente Andrea percorreu a orla da cidade, bairros Santa Rosa e Cabelo Seco.

Por todo o restante do dia, a pesquisadora da Unifesspa (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará) se reunirá com membros da equipe que ela está formando, objetivando fazer um planejamento de execução do projeto que terá como âncora ações de conscientização sobre o perigo de recreação nas águas da enchente do Rio Tocantins, na orla de Marabá.

Andrea Hentz, em primeiro plano, orientando  voluntárias.

Faz parte dos planos do projeto o recolhimento de lixo, além das amostras de água para análises laboratoriais.

As ações idealizadas pela pesquisadora Andrea Hentez está inserido no  âmbito do Procad Amazônia, projeto que estimula o intercâmbio acadêmico científico entre programas de pós-graduação em Letras envolvendo universidades brasileiras.

O vídeo mostra como a preocupação da pesquisadora da Unifesspa precisa ser levada a sério: em frente à cidade de Marabá, na tarde deste domingo, pessoas jogando lixo deliberadamente no Tocantins, transformado em grande lixeira.

“Nos últimos dias, estamos acompanhando as cheias dos r, ios Tocantins e Itacaiunas em Maraba e nas redes sociais registros de lindas fotos que nos permitem interpreta-las através de vários olhares. O meu olhar de pesquisadora há 20 anos da qualidade de vida dos nossos ribeirinhos e da qualidade microbiológica e física destas águas me preocupa muito. As cheias são comuns e não podemos evita-las, mas elas se agravam no momento em que a falta de conscientização da população, quando despejam seus lixos e entulhos no próprio rio. Estamos vivendo uma pandemia há dois anos, surtos de viroses como as gripes HN1 e HN3 , e infelizmente com certeza dentro de alguns dias estaremos vivendo surtos de doenças de veiculação hídrica.  Por isso, no âmbito do Projeto Procad Amazônia, convido voluntários para fazerem parte da equipe de coleta de lixo, coleta de amostra de água para a determinação da contaminação e panfletagem para orientação da população aos riscos que estão sujeitos”, diz Andrea num post publicado em suas redes sociais.

Em um de seus registros, muitas pessoas elogiaram a atitude da educadora se dispor a contribuir para amenizar problemas que possam advir da falta de cuidados no descarte do lixo, durante o período das cheias.

Praça São Felix, na Velha Marabá, tomada pelo lixo.

Um deles, Antônio Silva, alcançado pelo blogueiro através de mensagem privada, reagiu da seguinte forma, ao ser perguntado sobre a importância da proposta da pesquisadora da Unifesspa.

“Você já ouviu ou leu depoimento de alguma autoridade  preocupada com essa questão ambiental e de saúde?  Não! Dificilmente, porque essas autoridades só estão preocupadas em distribuir cestas básicas pensando no voto para a próxima eleição. Eu posso garantir à professora Andrea que já estou fazendo minha parte”, disse.

Antônio improvisa como pode para evitar que o lixo invada a casa dele, e se espalhe pelo leito da rua agora coberta por água, puxando, através de uma vara com uma cesta improvisada em sua ponta -, resíduos de plásticos  que descem levados pela correnteza

“Estou fazendo a minha parte. É o jeito, é obrigado, não tem quem faça, para ajudar em nada”, diz.

Antônio diz ter uma grande quantidade de lixo  por ele coletada.

Ou seja, o  rio serve como lixeira.

“Um joga embaixo, o outro vê e joga também, só que não é assim. Porque o fulano vai fazer eu vou ter que jogar?”, reage o entrevistado.

Quem quiser participar como voluntário da ação proposta pela pesquisadora Andrea Hentz, basta procurá-la através de suas redes sociais ou pelo endereço:

Andreahentz@unifesspa.edu.br