Professor de colégio tradicional de Belém preso por estupro de vulnerável molestou menores em academia de Marabá

Publicado em 19 de agosto de 2021

Um dos colégios mais tradicionais de Belém – e do Brasil – tinha em seu quadro de professores  alguém que agora está sendo  investigado pelo crime de estupro de vulnerável, que teria sido praticado contra crianças com idades entre 8 e 12 anos.

Trata-se do  professor Adalberto Siqueira Sanches Júnior (foto)  preso  pela Polícia Civil do Pará.

Segundo  matéria publicada no portal DOL, uma jovem, de Marabá, que atualmente tem 29 anos,  foi também uma das vítimas do professor quando era adolescente.

Os casos relatados pela vítima aconteceram em uma escola infantil e em uma academia de Karatê em Marabá, no sudeste paraense, onde ela morava e ele era professor.

“Meu primeiro contato com ele eu tinha uns 11, 12 anos, na academia que eu fazia Karatê, em Marabá. Ele tinha um negócio de ficar abraçando e eu não gostava, mas na época não sabia diferenciar as coisas. Depois, quando eu já estava na 7ª série, ele foi ser meu professor de biologia no colégio. Meu choque foi quando ele foi dar aula de anatomia para os alunos. Ele nos levou para uma outra sala (que tinha data show) e lá ele abriu um site pornô, e mostrou os órgãos genitais do homem e da mulher. Ele aproximava a tela e fala ‘aqui que vocês tem que lamber, mostrando o clitóris’. Nós éramos crianças e ele falando dessa maneira”, relembra a jovem.

A jovem relata ainda outras situações de assédio envolvendo o professor. “Teve uma vez que ele foi dar aula sobre a mama da mulher e ele ficava mostrando diretamente em uma aluna, que ficou só de top. Ela ficou muito constrangida. Ele assediava as meninas de maneira descarada. Quando eu estava na 8ª série, eu estava saindo da sala e deu um tapa na minha bunda e disse ‘quando a menina começa namorar, o corpo muda logo’”.

Perguntada sobre o motivo de nunca ter denunciado as situações, a mulher explicou que, muitas vezes, a vítima se sente acuada e com medo. “Eu e outras colegas chegamos a falar para a coordenação da escola, mas falaram que iam tomar providência e nunca tomaram. Quando você é mais nova, você não sabe diferenciar bem a situação. Você pensa ‘será se não sou eu que estou vendo maldade onde não tem?’. Ele era o professor legal, divertido, que as pessoas achavam que ele não ia fazer essas coisas. Eu tinha medo de falar e as pessoas não acreditarem e até ficarem com raiva de mim”.

A vítima de 29 anos conta como ficou quando recebeu a notícia da prisão do professor Adalberto Siqueira Sanches Júnior. “Eu estava na faculdade quando minha tia me mandou e eu dei um grito. Uma parte de mim ficou aliviada, pois espero que a justiça seja feita e ninguém mais passe por isso. Espero que ele pague tudo que ele fez. Eu acho que se tivesse sido tomada alguma previdência naquela época, muita coisa tinha sido evitada. Eu só posso definir ele como nojento”.

Adalberto possui graduação em Educação Física pela Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Ele era professor na Escolinha de Karatê do Colégio Marista de Nazaré, em Belém.

Também era professor de artes marciais em uma academia da capital, e ainda lecionava na Faculdade de Conhecimento e Ciência.

De acordo com a PC, os mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva foram cumpridos por meio da Diretoria de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAV) e Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), em um bairro central de Belém.

A Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Deaca/Santa Casa) apura o caso e representou pelos pedidos junto à Justiça.

Após os procedimentos cabíveis, o suspeito foi encaminhado para o sistema penal.

O Colégio Marista informou, por meio de nota, que tomou conhecimento do caso e  também as devidas providências, afastando o professor de suas funções.

“Repudiamos condutas impróprias e que deixam marcas na vida das vítimas. Somos solidários aos estudantes e famílias envolvidas nesse caso e nos colocamos à disposição para poder apoiá-las nesse momento. Da mesma forma, em relação às investigações das autoridades policiais”, diz o comunicado.