Prefeitura demite seis médicos por péssimo atendimento no Hospital Municipal de Marabá

O secretário de Saúde de Marabá,  Nagib Mutran Neto, demitiu, sumariamente, seis médicos que atuavam no Hospital Municipal.

A exoneração foi causada por um motim que os demitidos ensaiaram realizar, omitindo-se no atendimento à  comunidade.

Tudo começou na segunda-feira, 21, quando Nagib chegou ao HMM, numa visita de rotina, e foi abordado por pessoas revoltadas, na recepção do hospital, que denunciaram a falta de médicos no plantão.

O secretário disse estranhar a denúncia, uma vez ter conhecimento da escala dos profissionais.

Quando adentrou a unidade hospitalar flagrou o médico de plantão na “sala de repouso”, portanto, distante do local onde deveria estar atendendo pessoas que chegaram cedo, e demonstravam cansaço.

Revoltado diante da cena de não cumprimento da escala de serviço, Nagib comunicou a demissão sumária do profissional.

Em solidariedade ao médico demitido, outros cinco colegas também do corpo clínico do HMM, publicaram nota fazendo duras acusações à gestão municipal, como forma de desgastar o governo, e afastar dos signatários da nota responsabilidades.

No fundo, a nota teve apenas objetivo de pressionar a administração a recuar na demissão do colega.

O secretário de Saúde tomou outra decisão mais radical, visando acabar o mal pela raiz: demitiu os cinco médicos.

Ouvido agora há pouco, Nagib Mutran explicou a decisão:

– Nós não podemos ficar reféns de profissionais que não cumprem com suas responsabilidades. Temos feito o possível e o impossível, para melhorar a estrutura do Hospital Municipal, e se não fizemos mais até agora é porque os recursos estão curtos, impedindo de avançarmos como pretendemos. É dolorido chegar na porta de um hospital público, como eu cheguei na segunda-feira, ver tantas pessoas sofrendo porque o médico de plantão não se apresenta para cumprir o expediente. Isso é inaceitável! Se o hospital não tivesse com seus setores funcionando normalmente, podia-se até admitir reclamações do corpo clínico, mas lá não está ocorrendo isso.

A Prefeitura já está providenciando  a contratação de médicos substitutos.

A prefeitura divulgou agora há pouco nota de esclarecimento sobre a demissão dos médicos.

 

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NOTA DE ESCLARECIMENTO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE

SAÚDE ACERCA DE ACUSAÇÕES DO CORPO CLÍNICO DO HMM

Acerca de nota assinada pelo Corpo Clínico de Médicos Clínicos Gerais do Hospital Municipal de Marabá (HMM), na qual são feitas várias acusações à Gestão Municipal e ao Secretário de Saúde de Marabá, Nagib Mutran Neto, a Prefeitura de Marabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1) O atendimento médico no Hospital Municipal de Marabá (HMM) está normal, com corpo clínico atendendo aos que ali buscarem socorro, inclusive nos feriados de Natal e Ano Novo.

2) No último dia 21, segunda-feira, o Secretário de Saúde, ao chegar ao Hospital Municipal, às 11h20 da manhã, foi abordado na Recepção por pessoas que reclamavam de falta de atendimento médico, relatando que se encontravam ali desde as primeiras horas do dia, em sofrimento, sem saber a que horas seriam atendidas.

3) Imediatamente, o Secretário procurou saber o que estava acontecendo e encontrou um dos médicos de plantão na Sala de Repouso, enquanto dezenas de pessoas se acumulavam na Recepção.

4) Ao contrário do que diz a nota do Corpo Clínico, havia sim outros médicos de desdobrando e atendendo no HMM e não só o profissional em questão, o qual foi demitido sumariamente pelo Secretário que, diante da retaliação de outros cinco médicos, os quais ameaçaram cruzar os braços e fechar uma ala do Hospital Municipal, resolveu também demitir, nesta quinta-feira, 24, esse grupo.

5) Também, diferentemente do que afirma a nota, não há atraso sistemático de pagamento de salários e plantões. De acordo com a Secretaria de Saúde, há apenas um plantão pendente de pagamento, o qual será quitado em breve, haja vista que a gestão, neste mês de dezembro, priorizou o pagamento do décimo terceiro salário do funcionalismo.

6) Vale ressaltar que, apesar das dificuldades enfrentadas com a grave crise econômica que assola o país, a Saúde de Marabá, guardadas as devidas proporções, está à frente de estados como o Rio de Janeiro – onde sequer há medicamentos básicos nos hospitais públicos -, São Paulo, Piauí e Distrito Federal, entre outros, mostrados recentemente em matérias de TV veiculadas em rede nacional.

7) Destacam-se aqui os salários pagos em Marabá aos profissionais de Medicina, os quais variam entre R$ 10.457,0 e  R$ 44.299,70, dependendo da especialidade. Vale ressaltar que o décimo terceiro salário dos profissionais da Saúde está em dia, assim como o dos demais servidores do município, enquanto estados da Federação como Rio de Janeiro e Sergipe, entre outros, estão pagando em seis parcelas.

8) Registre-se também os investimentos feitos no Hospital Municipal de Marabá desde o início da gestão, com o reabastecimento da farmácia, onde não há mais falta de medicamentos; restauração, reaparelhamento e modernização do Centro Cirúrgico; reformas em todas as alas; criação de leitos para doentes mentais; aquisição de poltronas para acompanhantes; cozinha em pleno funcionamento com refeições regulares e quantidade suficiente; e salários em dia.     

 9) Diante do exposto, a Administração Municipal não admite qualquer tipo de desculpa para o mau atendimento da população e apoia as medidas tomadas pelo Secretário de Saúde.

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Nota do blog:  o blogueiro já se manifestou algumas vezes aqui neste espaço sobre a questão do corporativismo de alguns médicos, que compõem  corpos clínicos dos hospitais públicos locais.

A “cultura” de fazer o que apenas lhes interessam, deixando de lado o dever profissional de priorizar a saúde das pessoas, é um o grande impasse para fazer os setor avançar em qualidade.

Profissionais que chegam a receber mensalmente até R$ 40 mil, dependendo do número de plantões que cumprem.

 

É inaceitável, como bem disse o secretário de saúde, aceitar passivamente o enfrentamento proposto pelos médicos demitidos.

Já vão tarde.