Hiroshi Bogéa On line

Preconceito sob a ótica dos comentaristas

Dois comentários extraídos da caixinha reforçam a discussão em torno do post O Pará não é isso.

Um a favor das diatribes do prefeito; outro, contra.

Comentarista  Sérgio Gonçalves disse:

Lamentável o sensacionalismo que estão fazendo com esse caso. Sou paraense e em momento algum me senti ofendido. No episódio o prefeito ao dizer “então morra” estava tentando mostrar a moradora sobre o perigo de residir em área de risco e que a escolha era dela. Quanto a fato de ser paraense, tal resposta seria dada a qualquer pessoa e mais, o “está explicado” serviu para demonstrar que como ela não é da região não sabe o perigo que corre. Lamento profundamente como paraense o que blogueiros e a imprensa do estado estão fazendo, incitando um povo contra um estado vizinho e mal interpretando palavras de quem na realidade só mostrou preocupação com uma moradora paraense.

Luiz Bressan, comentarista assíduo do blog,  reagiu:

Quem defende e tenta justificar a atitude de Amazonino Mendes do PTB possuí a mesma visão política discriminatória de pobres (migrantes e emigrantes). A imagen e o audio possibilitaram a crítica e o questionamento. A análise dos blogueiros faz parte da democracia. Que bom que alguém filmou e divulgou. Caso contrário ficaria esta discriminação escondida nos becos da comunidade. Só apareceria o discurso hipócrita de quem domina o poder. Não devemos despertar ódio entre a população, mais sim exigir respeito aos direitos de cidadão em qualquer estado e qualquer cidade deste imenso Brasil.
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Atualização às 15:02
De Paragominas, comentarista Rico Silva chega para acusar a prefeitura do município de estimular o preconceito contra nordestinos. O que ele diz:
Esse preconceito contra paraenses existe em solo paraense basta ir a Paragominas. Nesta cidade nortistas e nordestinos em geral não são bem recebidos. Tem inclusive um programa oficial da prefeitura chamado Mão Amiga, mas que a própria população da cidade chama de Pé na Bunda Amigo.

Enquanto isso o prefeito da cidade faz constantes viagens ao Sul e ao Sudeste do Brasil para atrair novos migrantes, um verdadeiro atentado contra a dignidade humana e o sagrada direito de ir e vir.

As alegações da prefeitura são de que a chegada de pobres à cidade favorece a violência e a prostituição, mas no fundo é puro preconceito.

Não podemos permitir essas atitudes discriminatórias nem em Manaus, nem em Paragominas e em nenhum lugar do Brasil.

E é profundamente lamentável o silêncio de Sua Excência o Sr. Governador Simão Jatene que em tese deveria ser o defensor dos interesses e direitos do povo do Pará onde quer que estes direitos fossem ameaçados.

Rico Silva
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Atualização às 19:57
Renato Cordeiro, secretário de Governo da Prefeitura de Paragominas responde ao comentarista  Rico Silva:
Acerca da manifestação do Sr. Rico Silva, informamos que o Prefeito realmente faz viagens ao Sul e Sudeste na busca não de pessoas, mas de empresas que gerem emprego e renda na cidade.
O programa MÃO AMIGA é da Prefeitura em parceria com a VALE no sentido de monitorar a migração e oferecer apoio para aqueles que chegaram na cidade, não conseguiram emprego e querem retornar para sua cidade.
Convido o Sr. RICO SILVA, para vir a Prefeitura conhecer o programa
Renato Cordeiro
Secretário de Governo

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Atualização às 20:03

Comentarista Neguinho do Codó também brada sua revolta diante do preconceito:

Paraenses,

É bom, né? Sofrer na cara o preconceito, a dicriminação, né? Falo isso porque sou maranhense de Codó quando digo que sou de lá, pronto. É macumbeiro pra lá, pretinho do Sarney pra cá,sabe porque cigana não lê a mão de maranhense? Porque maranhense não tem futuro.. e por aí vai. Bem feito pros papa-chibés, sofram um pouco, também.Eu lamento isso, pois aqui em Marabá, pra cada dez habitantes, 4 são do Maranhão.E como a gente sofre.. Abaixo o preconceito.


Atenciosamente,


Neguinho de Codó.

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5 Comentários

  1. Anonymous

    26 de fevereiro de 2011 - 00:38 - 0:38
    Reply

    Sou maranhense de São Luís. Meus familiares vivem no eixo Belém/São Luís. Por ironia, os maranhenses vivem no Pará e os paraenses, no Maranhão. Vivo em Marabá há quase 27 anos. Casei com uma parense de Marabá e tenho dois filhos marabaenses que estudam em São Luís.
    O preconceito contra os maranhenses é latente no Pará, principalmente contra os mais pobres.
    Não vejo a menor graça neles, mesmo quando travestidos em brincadeiras – de mal gosto, diga-se. Aliás, nenhum tipo de preconceito deve ser tolerado. Nenhum, repito.
    Somos cidadãos do mundo e devemos respeito uns aos outros.
    Acho oportuno transcrever a quadra do poeta maranhense Domingos Chateaubriand de Souza:

    É meu desejo prfundo
    ver o mundo sem bandeiras
    um mundo de todo mundo
    onde não haja fronteiras
    (in Paisagem Interior, SIOGE, 1984).

    Ronaldo Giusti

  2. Anonymous

    24 de fevereiro de 2011 - 17:40 - 17:40
    Reply

    "Quem com ferro fere, com ferro será ferido". O nosso irmão de Codó tem toda razão.
    Que diferença faz: preto ou branco, sulista ou nortista, paraense ou maranhense?
    Somos todos filhos de DEUS.

  3. Anonymous

    22 de fevereiro de 2011 - 22:28 - 22:28
    Reply

    Acerca da manifestação do Sr. Rico Silva, informamos que o Prefeito realmente faz viagens ao Sul e Sudeste na busca não de pessoas, mas de empresas que gerem emprego e renda na cidade.

    O programa MÃO AMIGA é da Prefeitura em parceria com a VALE no sentido de monitorar a migração e oferecer apoio para aqueles que chegaram na cidade, não conseguiram emprego e querem retornar para sua cidade.

    Convido o Sr. RICO SILVA, para vir a Prefeitura conhecer o programa

    Renato Cordeiro
    Secretário de Governo

  4. Anonymous

    22 de fevereiro de 2011 - 19:12 - 19:12
    Reply

    O que tbm é uma sandice… O preconceito é o portal de mentes idiotas. Sou paraense e estou indignado com o que ví, e ouvi, daquele filhote da ditadura,xenófibico,chamado Amazonino Mendes. Basta!

  5. Anonymous

    22 de fevereiro de 2011 - 18:54 - 18:54
    Reply

    Não podemos dar um pio sobre o que aconteceu no Amazonas. Afinal, somos, sobretudo nós marabaenses, imensamente preconceituosos em relação aos nossos irmãos maranhenses. A pimenta só arde no nosso olho!
    Ou seja, estamos provando do nosso veneno!

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