Preço da carne bovina cair? Nem pensar! Arroba de boi atinge recorde de R$ 300 e não dá alívio ao consumidor

Publicado em 29 de janeiro de 2021

O boi de melhor qualidade e localizado em regiões mais bem favorecidas de mercado já ultrapassa R$ 300 por arroba no estado de São Paulo.

A esperada queda dos preços, após o recuo de dezembro, não ocorreu.

Os fatores atuais de alta são os mesmos de 2020. De um lado, não há uma oferta suficiente de boi no pasto para o abate.

De outro, a demanda externa pelo produto brasileiro continua.

As exportações médias brasileiras nas três primeiras semanas deste mês somaram 85 mil toneladas, uma média diária de 5.671 toneladas.

Este volume diário supera em 7% o de janeiro do ano passado.

O preço da arroba de boi vai ser definida pelas demandas externa, principalmente a vinda da China, e interna. Esta última ainda está bastante indefinida, devido ao fim do auxílio emergencial e do aumento de desemprego.

A pressão chinesa, devido à reposição parcial da suinocultura no país asiático, não deve ser tão intensa como foi nos últimos dois anos.

Especialistas dizem que os chineses se adaptaram ao padrão da carne brasileira e, principalmente, à competitividade do produto nacional.

O aumento de renda na China e a população cada vez mais concentrada em centros urbanos vão sempre deixar espaço para a carne bovina brasileira, segundo o pesquisador.

A redução dos preços internos, apesar da renda menor do consumidor, dependerá de até quanto os pecuaristas estão dispostos a reduzir o valor da arroba, uma vez que a oferta é limitada.

A oferta de gado poderia melhorar com o confinamento, a partir de maio, mas muitos pecuaristas vão ter dificuldades de levar adiante essa atividade devido aos elevados custos dos grãos.

As altas do milho e da soja afetam também a criação aves e de suínos, segundo Carvalho. Com isso, os preços dessas proteínas vão ser reajustados, diminuindo a diferença com os da bovina.

Os valores do mercado interno vão ser influenciados, ainda, pelos estoques atuais do varejo, adquiridos em patamar elevado.

A oferta reduzida de animais e os preços elevados afetam as margens dos frigoríficos, que não conseguem repassar esses custos adiante. Os grandes têm o mercado externo, mas os que fazem vendas apenas internamente vão ter ainda mais dificuldades.