Por trás da porta

Publicado em 17 de agosto de 2010

Com atraso, devido aos inúmeros compromissos no interior do Estado, o poster torna público alguns lances de bastidores ocorridos durante encontro do governo do Estado, Incra e representantes do MST, semana passada, em Marabá.

1-Maria Raimunda de Oliveira, uma das lideranças do MST, galhofou da Superintendente do INCRA do Sul do Pará, Maria Rosinete da Silva, com direito a colocar dedo na cara desta, e insinuar, diversas vezes, o despreparo da agente do governo no trato com os assentados.

Mesmo navegando em emaranhado de fatos conflitantes, Rosinete chamou a atenção no momento em que mandou funcionários do instituto providenciar a compra de sorvetes para distribuição entre os sem-terras.

Rose, como é chamada a superintendente do órgão, na avaliação de atento observador, revelou “incompetência, despreparo e postura infantil”.

                        – “Talvez por ser ex-assentada, ela não soube diferenciar suas origens com o tratamento a ser dado por uma dirigente de órgão governamental num processo de negociação”, resume.

Quem salvou o INCRA do vexame total, foi o experiente servidor João Raimundo, intermediando as indecisões e total perda de comando da superintendente.

2- Apesar da cansativa reunião que durou quase oito horas, o Chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Everaldo Martins, não titubeou em nenhum momento. Claríssimo em definir a posição do governo diante das ameaça de novas invasões, no “Triângulo das Bermudas”.

Deixou claro para Charles Trocate, coordenador regional do MS, e seus seguidores, de que é decisão da governadora Aba Júlia ser totalmente contra as invasões supostamete programas no perímetro de Eldorado a Curionópolis.

– Se invadir o governo tira, repetiu ele, garantindo a presença na região, até segunda ordem, de cem homens da Polícia Militar.

3-Há entre gestos e falas de lideranças do MST, “muita magoa escondida debaixo do tapete, no rastro das prisões de Charles e Raimunda”, suspeita o observador.

Apesar de Charles Trocate ter assegurado não haver nenhuma conotação política, “mas coincidência de fatos”, a mobilização de sem-terras às vésperas das eleições, tem gente do governo desacreditando das verdadeiras intenções.

Everaldo Martins, comedido e exageradamente paciente em todo o transcorrer da enfadonha reunião, procurou evitar tecer comentários do que realmente espera da nova reunião marcada para esta quarta-feira, 18, quando, novamente, governo estadual, Incra e MST voltarão à mesa de negociações, em Marabá.

4-O blog apurou que o MST já definiu incluir na lista de reivindicações, a distribuição de cestas básicas aos acampados em torno da fazenda Marambaia, material de construção, e licença para construção de banheiros.

Como a cessão de licença para construção é atribuição da prefeitura de Curionópolis, já que a fazenda ameaçada de invasão encontra-se em território deste município, é quase impossível haver concordância por parte do prefeito municipal em atender tal pleito.

5-Há também fortes suspeitas de que o que o MST quer mesmo é lutar pela desapropriação de todas as fazendas localizadas às margens da PA-275, dentro dos municípios de Eldorado dos Carajás e Curionópolis

6-Durante reunião com o governo e o Incra, a coordenação do movimentou comunicou que já estava mobilizando sem-terras de diversos municípios para se juntarem aos 1.200 acampados em frente a Marambaia, com intenção de colocar duas mil pessoas no exíguo espaço que separa a PA-275 da cerca da fazenda. Ou seja, em terra devoluta, já que essa faixa territorial pertence ao governo, sem afetar o Estado de Direito.

7-Em primeira mão:  o laudo de vistoria do INCRA deverá classificar como produtiva a fazenda Marambaia. Esse zum zum zum corre à boca miúda dentro do instituto.